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	<title>dalton trevisan &#8211; Ronca Ronca</title>
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	<description>O programa que orienta desorientando!</description>
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		<title>matheus mandou pra gente&#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[mauval]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jan 2018 14:47:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[matheus (de capivari, torcedor do santos) acabou de mandar uma mensagem que arrancou meu coração pela orelha&#8230; ele nunca havia se manifestado, mesmo sendo ouvinte há décadas. respondi dizendo que as letrinhas dele são o típico exemplo do inoxidável corpo a corpo com aTRIPA&#8230; matheus aproveitou para contextualizar tudo com dalton trevisan&#8230; cheers &#8220;Uma Vela &#8230; <a href="https://www.roncaronca.com.br/matheus-mandou-pra-gente/" class="more-link">Continue lendo <span class="screen-reader-text">matheus mandou pra gente&#8230;</span> <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="min-height:33px;" class="really_simple_share really_simple_share_button robots-nocontent snap_nopreview"><div class="really_simple_share_facebook_like" style="width:100px;"><iframe src="//www.facebook.com/plugins/like.php?href=https%3A%2F%2Fwww.roncaronca.com.br%2Fmatheus-mandou-pra-gente%2F&amp;layout=button_count&amp;width=100&amp;height=27&amp;locale=pt_BR" 
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		<div class="really_simple_share_clearfix"></div><p style="text-align: center;">matheus (de capivari, torcedor do santos) acabou de mandar uma mensagem que arrancou meu coração pela orelha&#8230; ele nunca havia se manifestado, mesmo sendo ouvinte há décadas. respondi dizendo que as letrinhas dele são o típico exemplo do inoxidável corpo a corpo com aTRIPA&#8230; matheus aproveitou para contextualizar tudo com dalton trevisan&#8230;</p>
<p style="text-align: center;">cheers</p>
<p><img loading="lazy" class="aligncenter size-full wp-image-52060" src="http://www.roncaronca.com.br/wp-content/uploads/2017/12/atripa-1.jpg" alt="" width="300" height="266" /></p>
<p>&#8220;Uma Vela para Dario&#8221;</p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Dalton_Trevisan">Dalton Trevisan</a></p>
<p style="text-align: center;">Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa  na pedra o cachimbo.<br />
Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.<br />
Ele reclina-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode pede aos outros que se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario ronqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.<br />
Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua conversam de uma porta à outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se na calçada, soprando  a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede. Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.<br />
A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede &#8211; não tem os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.<br />
Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de  moscas lhe cobrem o rosto, sem que faça um gesto para espantá-las.<br />
Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora , comendo e bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.<br />
Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados &#8211; com vários objetos &#8211; de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira é de outra cidade<br />
Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado dezessete vezes.<br />
O guarda aproxima-se do cadáver,  não pode identificá-lo  &#8211; os bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele próprio &#8211; quando vivo  &#8211; só destacava molhando no sabonete. A polícia decide chamar o rabecão.<br />
A última boca repete  &#8211; <em>Ele morreu, ele morreu</em>. E a gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de um defunto.<br />
Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para  lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem  morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.<br />
Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver, Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.<br />
Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva, que volta a cair.</p>
<p style="text-align: center;">##########</p>
<p>Texto extraído do livro &#8220;Vinte Contos Menores&#8221;, Editora Record – Rio de Janeiro, 1979, pág. 20.</p>
<p style="text-align: center;">Este texto faz parte dos 100 melhores contos brasileiros do século, seleção de Ítalo Moriconi para a Editora Objetiva.</p>
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