cinema

a Fotografia (2)…

toda vez que alguma pauta fotográfica passa aqui pelo poleiro, pipoca neguinho querendo informações sobre o tema. tipo “como começar”, “qual equipamento” e, sobretudo, “onde aprender”… na boa, nunca me achei capaz de responder a essas indagações mas, em todas as ocasiões (desde o século retrasado) sempre recomendei aos curiosos que observassem/estudassem/se dedicassem/mergulhassem nos principais fotógrafos do planeta.

e olha que essa “dica” era no tempo em que existia filme, revelação, fotometragem, peso de câmera, laboratório… e, mesmo assim, sempre insisti dizendo que tudo isso era detalhe, coisa pequena… que para aprender a fotografar, o mais fundamental é saber ver, entender a situação, saber se relacionar com a xeretinha e com o “alvo”.

o mundo girou, o laboratório foi pro ralo junto com o filme. o fotômetro (servia para medir a luz) virou peça de museu. o peso do equipamento se transformou numa pluma e a digitalização de nossas vidinhas facilitou a prática da fotografia.

mas a “dica” segue firme… quer dizer, segue muuuuuito mais importante. segue muuuito mais definitiva para alguém conseguir bons resultados com a xeretinha… ela é a muleta que temos para fazer frente ao tsunami diário do lixo visual.

enfim, toda essa ladainha para recomendar aos interessados em fotografar o MEGA extraordinário documentário de ken burns que está no netflix: “the vietnam war”

além de toda a parte histórica-jornalística-cinematográfica, o documentário utiliza o que há de mais inoxidável da fotografia planetária… caramba, alguns dos mais geniais fotógrafos da humanidade passaram pelo conflito no vietnam em seus 25 anos de duração… mamãe, robert capa morreu lá ao pisar numa mina.

mas a cobertura fotográfica no doc não se limita às fronteiras asiáticas… todo os periféricos da américa nesse período (assassinatos, manifestações, registros fantásticos dos capetas que ocuparam a casa branca & etc) estão mitologicamente cravados no trabalho de ken burns… fueda!

todos os dez episódios são sonorizados com hendrix, janis, dylan, simon & garfunkel, beatles, otis redding, temptations, stones, CSNY, marvin gaye, joni michell, zeppelin… e a trilha original tem assinatura de trent reznor. tá bão?

enfim, sobretudo, as imagens captadas no vietnam são o mergulho mais profundo na piscina que eu poderia recomendar a quem quer começar a fotografar…

rudeboy (ou preto & branco)…

A film about the love affair between Jamaican and British Youth culture told through the prism of one the most iconic record labels in history, TROJAN RECORDS. Combining archive footage, interview and drama – RUDEBOY tells the story of Trojan Records by placing it at the heart of a cultural revolution that unfolded in the council estates and dancefloors of late 60’s and early 70’ Britain and how that period of immigration and innovation transformed popular music and culture. Told by a cast of legendary artists including Lee ‘Scratch’ Perry, Toots Hibbert, Ken Boothe, Neville Staple, Marcia Griffiths, Dave Barker, Dandy Livingstone, Lloyd Coxsone, Pauline Black, Derrick Morgan and more. Director: Nicolas Jack Davies

flavio “selvagem” mandou pra gente (ou a copa selvagem)…

Assunto: RoNca na Copa #1

“Salve Macacada do roNca! (Macacada pode?)

Mais uma Copa do Mundo de Futebol se aproxima. Ainda que o desinteresse pela seleça seja há tempos uma constatação encarnada, não tem como ignorar o evento.

Muita coisa mudou, óbvio. Mas quem gosta de futebol, não tem jeito. As resenhas são impagáveis e prometem. E agora com Edmundo, PVC e Zinho juntos, Mauro Cézar; e o Neto Pistola? Minha nossa, Tite sua batata vai assar e muito ainda com essa mulambada. Tua sorte é o menino do City, aguarde e verá! Isso se a Alemanha não eliminar a turma do Neyplaymar nas oitavas, rola o risco, hein?

Bom, em suma, no ano de 74 eu nascia em abril: Vendo os jogos hoje do escrete nacional, considero o time horroroso. Enfiavam a porrada, não jogavam futebol. O “Garoto do Parque” enlouquecido, só queria briga. Mas a defesa do Leão no chute do Cruyff, minha mãe!

78 nenhuma lembrança. Sei, claro, que foi a primeira copa do maior de todos, Zico “Galinho” Coimbra, o dono do Maraca, o camisa 10 da Gávea. Roubados no apito, na batida do corner, bola no alto. Vitória de virada sobre a Itália, a base do time de 82 que venceria o Brasil, que destino.

82, caralho! Moleque hipnotizado, camisa amarela, rua pintada, radinho de pilha, TV no pilotis, embaixo do bloco, de todos os blocos, bairro, bairros, Ilha, Rio, o mundo, tudo parado. Meu deus, que emoção. Éder, o anticristo mineiro. Hoje, por ser amigo e vizinho do César Moraes ex-Palmeiras e Vasco, e em 82 jogador do Sevilla, tenho conhecimento de mil estórias do escrete canarinho após alguns jogos na Espanha lá no QG, leia-se, casa do César “Bocão”, que miiiiiiiiiiiiiito!!!

86, com meu ídolo sofrendo após uma grave lesão e recém operado, deu Maradona, la mano de Dios, mais hipnotismo. E as duas tiças de Josimar no barbante? Que fio desencapado hahaha

90, claro, Lazza e seus parâmetros e a Argentina garfada na final. Copa horrível. E aí….

Que eu me lembre, 1994 foi a última vez que torci para a canarinho, o que já foi naquela copa forçar demais uma barra diante dos rumos – dentro de campo – do que havia se tornado o futebol brasileiro. Sei lá, havia perdido a graça. Raí, Dunga, PQP, que castigo. Feio de ver… e não é que em dezembro passado encontrei Aldair de bobs dentro do Jardim Botânico e desenrolamos sobre aquele lançamento dele para o Bebeto, que cruzou pro Baixinho meter aquele golaço contra a Holanda? E o Balakov da Bulgária sendo ESTUPRADO dentro de campo por seus companheiros após a comemoração de um gol? Que momento!!!!!

Mas a boa mesmo era beber uma antes, durante e depois dos jogos na Praia da Bica ou ir assistir em algum bar pela cidade, onde tivesse mulher, ziriga, claro. Porra, para onde iria uma trupe cujas alcunhas eram Mendigo (também chamado de Favela com Piscina devido o seu par de olhos azuis e nada na conta bancária), Selvagem, Zico Pereba, Dentinho, Troll, Sorato & Bismarck (dois irmãos vascaínos), Sosa, etc? Íamos para a guerra e torcíamos para Romário e cia estenderem a zueira ao máximo possível. K-ô é o que não falta desse período: conta pendurada, porrada, linchamento, vacilação, nenhum tostão no bolso, todas as meninas eram lindas, picatchu que nem vira-lata no cio, enfim.

Bom, mais confesso que Frank Mendigo, meu irmão, e eu fomos recepcionar a seleça campeã de 94 no Galeão, quintal de casa – Ilha do Amor – e ficamos ali na pista que dava acesso ao único terminal à época, mesma pista de incansáveis pedaladas e corridas semanais.

A seleça estava no já esperado carro dos bombeiros e resolvemos pegar carona em qualquer carro e seguir até onde fosse possível na tal caravana da ‘furada’. Vimos um caminhão de caçamba vazio com 3 bonecos apenas, segurando quietinhos nas laterais da estrutura. Mendigo e eu nem pensamos, pulamos na caçamba e… era um caminhão de lixo, cheio de saco preto escorregadio e chorume até a canela e por isso os dois bonecos ficavam quietinho só esperando outros buchas se juntarem a eles hahahahahahaha.

A diversão diante do apocalipse, claro, passou a se chamar geral pra entrar no caminhão – vem, vem, pula que eu te ajudo – e ver neguinho/branquinho mergulhar de peito, de boca, ‘discostas’ no lixo hahahahaha aquele carro alegórico do inferno parecia uma piscina de gelatina e quem pulava ficava à deriva, estendia a mão toda infectada – sai, tira a mão – e ninguém ajudava porque se soltasse a lateral perdia o equilíbrio e afundava no chorume hahahahahahahahaha. Àquela altura, não íamos pegar ninguém, fedendo e sujo de cocô e, possivelmente hospedeiros de alguma doença mutante, condenados a morte, caralho. E olha que cruzamos a Av. Brasil e o escambau. Desistimos da furada em frente a sede do Glorioso e, sinceramente, nem sei como chegamos lá e voltamos…

Que momento!

Em suma, nem sei o motivo da lembrança, pois parei para escrever sobre o trecho do essencial filme Garrincha, Alegria do Povo (1962) no link abaixo. Após assistirem as imagens, alguém conseguiria responder: quem, na moral, em sã consciência torceria para uma seleção brasileira que tem jogador de 30 anos que joga videogame e posta self em instagram (sic)?

Caceta, que saudade filha da puta… e que tristeza federal….

Um salve para os imortais Zico, César Bocão, Dinamite, Cocada e Bujica, Pincel, Swing, Quarentinha (família de amigos!), Nilton Santos, Dida (o verdadeiro), Sócrates, Cafezinho (Mito!)………….

E o passarinho falando Vasco aos 2:45?”

F. Selvagem
Jóquei, Teresina – PI
05/2018

filme completo AQUI