historinhas

o fim da palavra carona…

carona sempre foi uma palavra conectada ao que existe de mais bacana: carona em viagem, carona na paquerinha, carona espiritual, carona no busão, carona ao pagar a conta, caroNa para ouvir o roNca, carona na motoquinha/motocona, carona pelo prazer de ser carona ou dar carona… enfim, um dos sinônimos de camaradagem.

de uns (muitos) tempos para cá, na maioria da vezes onde a palavra carona é utilizada, a presença da infelicidade é obrigatória. diariamente, são inúmeras as notícias de violência cometidas por motoqueiros… caramba, o rio de janeiro está em guerra. temos a cenográfica intervenção “nas ruas” e a realidade só piora.

pois então, qual seria a dificuldade de se preservar a palavra carona por algum período e “liberar” as motocas para circular, exclusivamente, com seus condutores?

será que os defensores da carona verdadeira ficariam injuriados com a novidade? acho que não já que eles estão entre as principais vítimas dos usurpadores.

a exemplar colômbia colocou em prática esse ato solitário de ocupação dos veículos de duas rodas e os bons resultados pipocaram loucamente. lembra, né?

o inaturável é constatar mais uma tragédia como esta…

negativos & positivos (462) [bike boy]…

londres  /  maio1981

lembrando que o “negativos & positivos” nasceu há 462 imagens com a idéia de colocar aqui no poleiro fotografias que jamais foram vistas por mim… ou seja, cliques que nunca haviam sido ampliados ou escaneados… como foram os casos de 99% de nossas visitas… tipo o o pinta brava aqui acima com quem só cruzei uma única vez, no dia do registro. que momento!

imagina o bike boy hoje… 37 aninhos later

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perdemos referência…

acabei de ser esmigalhado pela notícia da subida de alexandre gontijo… que chamo de referência desde o dia (lá pelos idos de 97/98) em que Ele chegou pra mim e disse: “odvan é uma referência”.

gontijo é o maior conhecedor de futebol que conheço… fissurado em música, foi “ghost writer” de oldemário touguinhó no JB. assinou coluna no globo.com sobre jogadores brasileiros que tomaram caminhos desconhecidos no planeta. um poço de irreverência, inteligência, sagacidade sempre carregando uma sacola de supermercado com livros e jornais. tão apaixonado por futebol que ia a TODOS os jogos no maracanã, do time que fosse… uma leNda.

certa vez, eu estava com uns ingleses apaixonados por futebol num estabelecimento manguacento quando avistei o referência passando na calçada… claro, chamei a peça e fiz a devida apresentação… no que ele sacou a origem dos cachaceiros britânicos, abriu a sacolinha e puxou a biografia (original edition) de um treinador irlandês de futebol que jamais chegou à primeira divisão do UK… well well well, não é preciso dizer que os súditos da rainha desabaram de suas cadeiras diante do fato TOTALMENTE inesperado/insólito/psicodélico/estrogonófico!

sábado negro, triste ao extremo, perda gigantesca em todos os níveis, menos um brasileiro para manter a referência viva… FUEDA!

alexandre “referência” gontijo forévis

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paul & o suce$$o…

determinado comunicador (da atualidade) tem o hábito de proclamar, no rádio e TV, que música boa é a que vende… beleza (pra ele).

dias desses, luiz antonio mello (o inventor da flu fm junto com samuca weiner) relembrou o encontro com o proprietário de uma importante rede de TV onde um amigo em comum (jornalista casca grossa) fez a apresentação:

– esse é o luiz antonio que teve muito sucesso com a fluminense fm

o capitalista rebateu em direcão ao LAM:

– ah, fez sucesso, muito bem. ganhou dinheiro?

luiz antonio, sem pestanejar, respondeu:

– não, nenhum, a idéia era…

e interrompendo a explicação do LAM, o poderoso chefão ladrou:

– companheiro, se não ganhou dinheiro não fez sucesso. tchau

e vazou tal e qual uma ratazana faminta!

enfim, diante desses dois momentos “tio patinhas”, coincidentemente, cruzei, ontem, com a performance da discografia de simon & garfunkel…

captou a gro$$eria que foi a vendagem do álbum “bridge over troubled water”?

primeiraço lugar de vendas nos states, austrália, finlândia, frança, alemanha, japão, holanda, noruega, suécia e reino unido… JISUS!!!

enfim, toda essa lorotinha para sacramentar o fato que paul simon é um dos derradeiros gênios sobre a face da terra. caramba, o caboclo – desde os anos 60 – junta com maestria absoluta a capacidade de fazer Música  ao objetivo de ser remunerado por seus admiradores… simples a$$im.

semana passada, na turnê de despedida….

a Fotografia (2)…

toda vez que alguma pauta fotográfica passa aqui pelo poleiro, pipoca neguinho querendo informações sobre o tema. tipo “como começar”, “qual equipamento” e, sobretudo, “onde aprender”… na boa, nunca me achei capaz de responder a essas indagações mas, em todas as ocasiões (desde o século retrasado) sempre recomendei aos curiosos que observassem/estudassem/se dedicassem/mergulhassem nos principais fotógrafos do planeta.

e olha que essa “dica” era no tempo em que existia filme, revelação, fotometragem, peso de câmera, laboratório… e, mesmo assim, sempre insisti dizendo que tudo isso era detalhe, coisa pequena… que para aprender a fotografar, o mais fundamental é saber ver, entender a situação, saber se relacionar com a xeretinha e com o “alvo”.

o mundo girou, o laboratório foi pro ralo junto com o filme. o fotômetro (servia para medir a luz) virou peça de museu. o peso do equipamento se transformou numa pluma e a digitalização de nossas vidinhas facilitou a prática da fotografia.

mas a “dica” segue firme… quer dizer, segue muuuuuito mais importante. segue muuuito mais definitiva para alguém conseguir bons resultados com a xeretinha… ela é a muleta que temos para fazer frente ao tsunami diário do lixo visual.

enfim, toda essa ladainha para recomendar aos interessados em fotografar o MEGA extraordinário documentário de ken burns que está no netflix: “the vietnam war”

além de toda a parte histórica-jornalística-cinematográfica, o documentário utiliza o que há de mais inoxidável da fotografia planetária… caramba, alguns dos mais geniais fotógrafos da humanidade passaram pelo conflito no vietnam em seus 25 anos de duração… mamãe, robert capa morreu lá ao pisar numa mina.

mas a cobertura fotográfica no doc não se limita às fronteiras asiáticas… todo os periféricos da américa nesse período (assassinatos, manifestações, registros fantásticos dos capetas que ocuparam a casa branca & etc) estão mitologicamente cravados no trabalho de ken burns… fueda!

todos os dez episódios são sonorizados com hendrix, janis, dylan, simon & garfunkel, beatles, otis redding, temptations, stones, CSNY, marvin gaye, joni michell, zeppelin… e a trilha original tem assinatura de trent reznor. tá bão?

enfim, sobretudo, as imagens captadas no vietnam são o mergulho mais profundo na piscina que eu poderia recomendar a quem quer começar a fotografar…

a Fotografia…

em maio do ano passado, fui convidado por eugênio sávio (no palco) para apresentar o livro “preto & branco” no “foto em pauta”, evento casca grossa criado por ele, em BH.

a situação esteve presente aqui no poleiro em várias ocasiões… LEMBRA?

eugênio (fotógrafo cabriocárico que trabalhou por anos na revista placar) juntou as xeretinhas e picou a mula para a rússia…. mas como não conseguiu credenciamento para ficar dentro das quatro linhas, acabou se posicionando na tribuna de imprensa onde registrou o gol de paulinho contra a sérvia, uma das imagens que ficarão para a eternidade…

o curioso é que ele jamais faria essa obra-prima se estivesse rente à grama.

a História que paira sobre o ballet de paulinho pode ser conferida AQUI

D+

é Deus, mamãe (ou vittorio storaro na cinemateca)…

acima (só pra confirmar), meu filme favorito que foi publicado no século retrasado pelo jornal do brasil (perfil do consumidor)… pois bem, imagine a possibilidade de estar sob o mesmo teto com o fotógrafo que criou a masterpiece de coppola… isso, cruzar os bigodes com VITTORIO STORARO!

possibilidade raríssima oferecida (ontem, na cinemateca do museu de arte moderna do rio de janeiro) pela “mostra vittorio storaro” onde o gigante conversou por duas horas com uma platéia que ocupou todos os lugares do recinto…

pro meu gosto, teve muito woody allen e pouco coppola… “apocalypse now” foi citado, reverenciado mas longe de ser protagonista no papo… mas só o fato de ver storaro a poucos metros me jogou no set de filmagem com dennis hopper, brando, sheen, the doors, valquírias & os diabos A4.

ao final da experiência apocalíptica, cheguei junto com o vinil da trilha e mesmo com os joelhinhos tremendo…

 

a caneta também será emoldurada

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Serviço

Mostra Vittorio Storaro De 10, 15, 23 e 24/6 Horários e classificação: consultar a programação Entrada franca

Exposição fotográfica: “Escrever com a Luz”, de Vittorio Storaro

Data: de 10/6 a 8/7 Horários: De ter. a sex.das 12h às 18h;

Sáb, dom. e feriados, das 11h às 18h

Classificação: Livre Ingressos a R$ 14, R$ 7 (estudantes acima de 12 anos e maiores de 60). Amigos do MAM e crian- ças até 12 anos, entrada franca. Às quartas, a partir das 12h, entrada franca. Domingos ingresso famí- lia, para até 5 pessoas: R$14

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo; Tel.: 3883 -5600; http:// www.mamrio.org.br)