imprensa

THE END, mais um capítulo…

Do lado de fora, os alvinegros proibiam a entrada de qualquer torcedor que não parecesse botafoguense.

– Foi uma sensação de guerra, de ódio e até de impotência. Tinha torcedor que nem olhou o jogo, ficava andando de um lado para o outro olhando os que estavam à paisana. Se desconfiavam, eles abordavam, faziam cantar o hino, mostrar tatuagem e os celulares, para verificar fotos e grupos. Aí começavam as agressões e brigas, porque descobriam que eram torcedores do Flamengo – diz o segurança, que acrescentou:

– Enquanto a gente ajudava uma pessoa, outra apanhava. Pouca gente para muitos problemas ao mesmo tempo.

DAQUI

######

perguntinha à la demmy: “o que é parecer botafoguense?”

 

olha a cara do rodrigo (tadinho)…

passei batidão pelos detalhes pré e pós king crimson no multishow… ou seja, não vi os comentários ejaculados pelo possante grupo de apresentadores do canal.

acontece que, nos últimos dias, têm chegado toneladas de tijoladas direcionadas ao referido canal… mas não adianta soltar marimbondo pelas ventas por que a transmissão é feita, basicamente, para quem vai achar tudo mara, tudo sensa… hahaha!

mas peraí, estamos tratando de jornalismo, televisão, de comunicação… hummmmmm, aí, os marimbondos passam a fazer sentido, procede? mesmo que aquele grupo não esteja ali para emitir opinião… são, meramente, apresentadores… tipo cid moreira que nunca soube do que estava informando mas fez história como apresentador do JN.

na boa, invejo alguns apresentadores pelo talento estrogonófico de acharem todas as atrações igualmente extraordinárias… é preciso ser muito cascudo para tal missão.

mas o fato é que, pouco antes do king crimson entrar em cena, uma das “apresentadoras” introduziu a banda como: KING CRAIMSON

o rodrigo (tadinho) que, segundos antes, estava no maior clima sorriso, alegrão, olhou para a “apresentadora” com os cornos de serialkiller-MEGApsicopata-voucortarsualíngua-quemerdatôfazendoaqui. sente o groove no exato instante pós batatada…

HAHAHAHAHAHA… em seguida, a “apresentadora” – após levar um toque da produção pelo fone – se referiu ao robert fripp como líder do “blahblahblah”… isso, ela não repetiu a batatada e sequer falou direito. claro, achou mais informativo vomitar “blahblahblah”… que momento crucial na cobertura jornalística da cultura pop!

o X da questão aqui não é falar certo ou errado – oxente, semanalmente eu e nandão proferimos trocentos nomes errados – o lance que machuca é a falta de  noção/conhecimento do canal e de alguns dos “entendidos” que participam dessas aventuras musicais.

teve uma outra “apresentadora” que, junto com o china (tadinho), ficou assombrada que o KC tem mais tempo na estrada que o dobro da idade dela… HAHAHAHAHAHA!

você acha que ela diria, por exemplo, que o baixista que estava prestes a ser mostrado tocou com john lennon, peter gabriel e david bowie?

mas é isso, o king crimson foi um tubarão fora do aquário do multishow que, além de ter uma editora de imagens que NUNCA ouviu falar da banda, insistiu em colocar durante a transmissão umas janelas mostrando a rapaziadinha sorridente e colorida do canal deles no youtube… UHU!

nasceu, há 50 aninhos, para assombrar a humanidade…

Como obra-prima do King Crimson levou o rock a ‘Dark side of the moon’

Lançado há 50 anos, em 10 de outubro de 1969, o álbum ‘In the court of the Crimson King’ inspirou bandas como Yes e Pink Floyd

LONDRES — Cinquenta anos atrás, em Londres, todo mundo que se interessava em música estava falando sobre uma extraordinária banda nova. Eles ainda não haviam lançado um álbum, mas apresentavam sua mistura inovadora de rock, jazz, música clássica e psicodélica em shows ao vivo. Um desses shows foi para meio milhão de pessoas, abrindo para os Rolling Stones no Hyde Park. Outro fez um ilustre membro da plateia, Jimi Hendrix, chamá-los de melhor banda do mundo.

 As revistas de música (bíblias para os fãs no período pré-digital) destacavam algumas características e as gravadoras disputavam seu contrato. A banda se chamava King Crimson e seu primeiro álbum foi “In the court of the Crimson King”, lançado há 50 anos, em 10 de outubro de 1969. Assim como “Nevermind”, do Nirvana, “Ziggy Stardust”, de David Bowie, e a estreia homônima do Run DMC, foi definidor de um gênero.

As cinco canções eram pastorais, pesadas, extravagantes e até simples, com riffs apocalípticos se misturando a influências do hard rock, do jazz clássico e moderno até canções da Idade Média.

— Foi um divisor de águas — diz Ian McDonald fundador da banda e um dos co-autores das canções do do álbum. — Lembro de ouvir e pensar: “O que é isso?”. As bandas voltavam para repensar suas músicas quando ouviram. Eu sei que o Yes fez isso quando ouviu.

Isso pode não ter sido completamente bom. Apenas quatro anos depois, o Yes lançou seu álbum “Tales from topographic oceans”, uma composição única dividida em quatro lados do vinil e inspirada em uma nota de rodapé na autobiografia de um místico indiano. Na turnê, o palco trazia casulos de fibra de vidro que em um show não se abriram, deixando o baixista preso. As canções eram tão longas que uma vez o tecladista Rick Wakeman pediu uma refeição no palco e comeu enquanto os outros membros da banda tocavam. Mas isso dificilmente poderia ter sido previsto quando “In the court of the Crimson King” foi lançado.

— Nunca pensamos nisso como rock progressivo — diz McDonald, que tocava flauta, saxofone e teclado. — É até engraçado, esse termo não era usado. Só fizemos o que achávamos que a música precisava.

– A transição do blues ao jazz

O King Crimson não foi a única banda britânica em 1969 a abandonar o elemento blues do rock e buscar a complexidade e virtuosismo do clássico e do jazz. Em setembro daquele ano, o Deep Purple se apresentaria para grupos e orquestras com a Royal Philarmonic no Albert Hall; álbuns de referência de The Moody Blues, Procol Harum, Genesis, Yes, Pink Floyd e outros foram lançados; e bandas da futura realeza do prog-rock, como Wishbone Ash, Hawkwind e Supertramp, estavam sendo formadas. Mas “In the court of the Crimson King” foi o momento decisivo, “uma obra-prima misteriosa”, de acordo com Pete Townshend, do The Who.

O grupo era (e ainda é) liderado pelo mago da guitarra Robert Fripp, um mestre em afinações incomuns e acordes e vozes complexas, diz McDonald. Fripp é o único membro permanente do King Crimson nesses 50 anos. O baixista e vocalista principal era Greg Lake, que mais tarde iria se transferir para a superbanda Emerson Lake & Palmer.

McDonald, co-fundador da Foreigner, gigante do final da década de 1970 (“I want to know what love is”), trouxe uma série de influências — “banda de exército, coros de vozes masculinas, trios de jazz…”. Um solo de flauta que ele toca na faixa-título “é um aceno direto a Scheherazade [de Rimsky-Korsakov] ”. As letras do poeta Peter Sinfield, sem querer, estabeleceram um modelo para grande parte do rock progressivo, admite McDonald.

— Algumas pareciam medievais. Infelizmente, isso significa que as pessoas pensam que o rock progressivo precisa ter dragões e fadas.

–  As capas viram obras de arte

Outro elemento que virou modelo para o rock progressivo foi a capa do álbum: um pesadelo de cores vivas pintado por um amigo de Sinfield, Barry Godber. Aquela capa parecia ter transcendido a simples embalagem para se tornar arte, da mesma forma que a música ia além das formas simplistas do pop da época. Os lançamentos seguintes aprenderam essa lição — as paisagens alienígenas de Roger Dean alavancaram a popularidade do Yes quanto as letras místicas.

“In the Court of the Crimson King” abriu muitas portas. Yes, ELP, Pink Floyd e outros venderam dezenas de milhões de álbuns de rock progressivo — só “Dark Side of the Moon”, do Pink Floyd, já vendeu quase 50 milhões de cópias desde seu lançamento, em 1973.

Mas então veio o punk rock com seu minimalismo “faça vocêmesmo” e ética de lo-fi que quase instantaneamente fizeram qualquer esforço progressivo parecer ridículo. Robert Fripp não ficou surpreso — muitas bandas progressivas saíram “tragicamente do caminho”, disse ele, acrescentando: “O King Crimson teve a inteligência de deixar de existir em 1974; o que torna aqueles que associam a banda aos ‘excessos bombásticos do rock progressivo’ no mínimo idiotas”.

No entanto, o rock progressivo se recusa a morrer. Annie Clark (St Vincent) descreve como aprendeu na adolescência a tocar Jethro Tull, uma das bandas que mudou seu som por causa de “In the court of the Crimson King” — numa sala de prática com um pôster do King Crimson. Ao memso tempo, bandas como Marillion, Radiohead, Mars Volta e Muse usam, abusam ou reinventam o rock progressivo (mesmo que, como o Radiohead, eles se recusem veementemente a admiti-lo). E Fripp reformou o King Crimson várias vezes, com várias formações – este mês, a última encarnação encerra uma turnê mundial, com direito a passagem pelo Rock in Rio .

Enquanto isso, como diz McDonald, “50 anos depois, o álbum ainda se mantém”. Ele está certo. E isso é muito mais do que se pode dizer sobre “Tales of Topographic Oceans”.

rogério daflon…

Crônica de segunda

A pauta atropelou o repórter urbanista

por Joaquim Ferreira dos Santos

O repórter Rogério Daflon, formado em urbanismo, escreveria com mais propriedade sobre a violência da cidade, mas na semana passada, aos 55 anos, ele foi atropelado por essa violência urbana carioca e não pode mais contar o que está na cara – ficou difícil andar por aqui.

Rogério foi atropelado por uma motocicleta enlouquecida na Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras, e tenho certeza que como repórter ele não desprezaria o fato de ter sido jogado ao chão em frente ao palácio Guanabara. É o bunker sombrio de onde reina um falso machão com faixa de louco ao peito e fuzil de mira telescópica procurando um alvo qualquer. Daflon sabia das coisas. Nada é pura coincidência.

Como urbanista interessado na poesia de tornar a cidade mais amável, de fazer com que o progresso seja bem-vindo e dialogue com a tradição, Rogério Daflon percebia em seus textos que o caos está indo longe demais. Nunca foi tão fácil morrer à toa. Há uma evidente autorização do governador de nome esquisito, que assistiu do palácio a morte de Daflon sem uma nota de pesar, para que a ignorância e a perda das referências culturais se alastrem como uma hera maldita. Semana passada, no mesmo dia da morte de Daflon, WW desligou 25 inibidores de velocidade.

O Rio de Janeiro já teve Garotinho, Benedita, Rosinha, administradores sem noção de seus afazeres. Dessa vez a violência da bandidagem tradicional junta-se a uma geração de políticos interessados em matar a cidade que eles não compreendem e, por isso mesmo, odeiam. Há o que tenta acabar com o carnaval, o outro que persegue culto afro-religioso e o outro ainda que, diante da impressionante multidão de mendigos jogados nas calçadas, orgulha-se de que não passam fome, não são esqueléticos como os de outros países. Euclides da Cunha dizia ser o nordestino antes de tudo um forte. Agora, o forte é o mendigo.

O repórter urbanista, especializado na apuração de assuntos da cidade, morreu atropelado pela pauta do trânsito descontrolado, uma avenida sem lei onde os guardas responsáveis estão entretidos no celular e vale aos motoristas a velocidade que eles estabelecerem como válida, todos autorizados pelo senso comum dos desatinos a não pararem no sinal vermelho porque, no Rio, todos sabem, esse troço de sinal vermelho é mais um truque baixo da bandidagem para assaltar quem obedece – e carioca ixperto não cai nessa.

Há vilões urbanos se revezando por todos os lados, crateras monumentais nas calçadas, lixo caindo das caçambas, uma tensão constante, o horror, o horror. As reportagens de Daflon miravam tais vilanias urbanas. No verão foi a patinete na calçada. Agora chegou a vez dos entregadores de iFood e suas bicicletas kamikazes tornarem o horário de almoço um novo espetáculo de insanidade. Não dá mais para andar distraído, esse requisito fundamental que uma cidade civilizada precisa oferecer a seus moradores. E foi assim, em meio ao estresse das ruas, que a fúria do trânsito atropelou sem prestar socorro o repórter urbanista cujo traço mais evidente de perfil era a leveza e os bons modos.

Rogério Daflon passou a vida cumprindo pautas. Buscava respostas para o drama urbano carioca. Foi mais uma vítima dele.

DAQUI