imprensa

mais uma pra se juntar a hendrix e cartola…

perdemos, ontem, mais uma parte da História do rádio brasileiro com o sepultamento da rádio globo são paulo.

em tempos onde testemunhamos a banalização da morte, até que escolheram a época certa pra encerrar as atividades… poucos sentirão o buraco.

claro que não foi inesperado. essa página do desmonte do SGR vem sendo escrita há tempos… um fato após o outro até a total (ou quase) extinção…

que tristeza a afirmação “apoiar a vibração da cultura carioca”… caramba, que brasil é esse onde qualquer idéia se ajusta (na marra) a qualquer realidade (inexistente) e neguinho entra numa que está descobrindo a roda?

enfim, apagando o SGR como era previsto

) :

DAQUI

karen & eugene (ou a glote travando geral)…

como foi dito no #387, a conexão de karen com eugene smith me deixou de pernas bambas e com a glote (é isso, nandão?) travadona.

eugene é minha maior referência na fotografia… lá pelos idos de 1980, dei uma chegada ao departamento de fotografia do victoria & albert museum (londres) e marquei hora para ver / manusear (com luvas) as imagens originais Dele que lá estão arquivadas… mamãe.

no dia e hora agendados, após me aconchegar diante da mesa gigante (provavelmente do século 12), se aproxima um lorde (provavelmente do século 18) com uma pasta de couro, a coloca na minha frente e balbucia: “twenty minutes”!

no que abri a dita cuja, dei de cara com vários prints originais (talvez ampliados pelo próprio eugene)… a glote (de novo) fechou geral e o blublu foi brutalmente incontrolável. ainda bem que o lorde não testemunhou a cascata colocando em risco o tesouro… PQP! foi um coice na alma do tamanho de presenciar o primeiro show dos paralamas no western club (rio, 82) ou the who (com keith moon) lançando “quadrophenia” (paris, 74)… sério!

na boa, se john peel e big boy me alimentam há décadas nas ondas da comunicação radiofônica, com certeza absoluta, eugene smith está por trás (e pela frente) de todos os cliques feitos pela xeretinha… desde sempre.

portanto, essa reportagem na the new yorker foi um furacão de felicidade por juntar karen e eugene, em pleno 2020… matéria estrogonófica AQUI

negativos & positivos (512) [ney matogrosso]…

provavelmente você já esteve nesse espaço… é o morro da urca / concha verde, no ano em que começaram a acontecer shows lá em cima, antes do noites cariocas do nelson motta.

segura a aglomeração cascuda entre palco e platéia, neguinho pendurado nas estruturas que circundavam a arena… e a rapeize? JISUS, olha a mistureba da audiência. olha como a música encostava em todos os tipos, idades, credos, opções políticas/clubísticas/sexuais, tudo mixado deitando os cabelos em ney matogrosso cabeludaço, na festa de três anos do jornal de música… que ainda teve (que eu me lembre / que a xeretinha tenha registrado)) cor do som, macalé, joyce, sergio dias (mutantes)… fueda!

ney matogrosso  /  morro da urca (rio) / dezembro1977

 

tem olhado pra Ele? (ou o céu que nos protege)…

os teóricos estão descabelados em análises profundas desse tempo ao redor… já percebeu?

mudanças à vista em todas as gavetas. situações inéditas, zilhões de fichas caindo (tipo “como nunca percebi isso?”)… e, talvez, a mais definitiva, uma realidade que nunca testemunhamos e que, provavelmente, jamais voltará a ser exibida.

uma dessas novidades é o céu? já levantou os olhos para encarar o “teto”?

como uma verdadeira aNta ambientalista, há dias venho olhando pra Ele… admirando, pensando: “mas que luz é essa”? ok, a época do ano ajuda muito… cheguei a comentar com algumas pessoas sobre a lindeza Dele, em todas as 24 horas.

até que fernando cravou: “tá foda mermo, culpa da falta de poluição”!

mamãe, claro… caramba, não tem busão, carro, fábrica, neguinho cuspindo pra cima, restaurante empestiando as ruas com gordura…

quando sua cidade respirou um ar tão puro e saudável? (que momento, hein?)

e ainda recebi essa matéria sobre a pauta… AQUI

a mocidade detonará a mulata assanhada (ou tudo a ver com 2020)…

“Nesta segunda-feira, quando a Mocidade Independente desfilar na Sapucaí com o enredo em louvor a Elza Soares, eu vou torcer para que os deuses africanos acertem, sem um segundo de delay, todos os instrumentos da bateria em sua paradinha genial. Eu vou rezar para que mãe Menininha, homenageada em 1976, ilumine as rendas, os paetês, e em seguida assopre os bons ventos para as baianas rodarem na mesma rotação feliz do planeta.

Eu vou pedir acima de tudo para a caretice dos tempos não tomar conta da escola ao lembrar a saga desta diva empoderada, um monumento da afirmação e resistência da mulher negra. Eu vou torcer para os otários da correção histórica não cancelarem a existência da mulata assanhada Elza Soares.

Foi há exatamente 60 anos, em seu primeiro LP, logo depois do estouro nacional em 1959 com “Se acaso você chegasse”. Elza Soares balançou o Brasil com a gravação de “Mulata assanhada”, de Ataulfo Alves, o primeiro negro a entrar na lista dos dez mais elegantes do Ibrahim Sued. Foi como se o país reaprendesse a cantar.

Antes dela houve a serelepe Carmen Miranda, a dramática Linda Batista, a incomparável Marlene, a enluarada Elizete e tantas outras rainhas do rádio. Cada uma na sua. Nara sussurrava, Dalva soltava os bofes. Não sou tolo o suficiente, nem o lança-perfume carnavalesco me serviria de desculpa, para hierarquizar os méritos dessas deusas. A todas, acendo genuflexo uma vela branca nesta segunda-feira das almas.

Elza Soares inventou uma voz que balançava em harmonia com as cadeiras. Improvisava. Ela se aproveitava da recém fundada bossa nova, dos elementos jazzísticos que ouviu nas boates, sem esquecer dos tambores desde sempre na sua existência. Botou tudo no liquidificador e soltou a voz com liberdade, nos tons mais altos da escala. Tenho certeza que Alcione não é a única a lhe agradecer.

Eu vou torcer para que, em sua nuvem de purpurina verde e branca, o mestre André, da bateria dez, nota dez, erga a batuta e dê o tom para o desfile não esquecer esse início de Elza, não riscar da história a gravação de “Mulata assanhada”. Foi o seu momento mais espetacular nos anos 1960. Ao lado de Jorge Ben, Ed Lincoln e outros, ela botava a bossa nova para dançar ao ritmo do “sambalanço”, uma joia da MPB.

Será uma pena se o politicamente correto atravessar o samba da Mocidade e, como se houvesse algum motivo de desonra, apagar de uma ativista negra moderna o momento, outro contexto, em que ela se apresentou como mulata, essa palavra só agora amaldiçoada. Naquela década, gravou ainda “As polegadas da mulata” e “Mulata de verdade”. O mundo mudou e Elza foi junto, com outra consciência de afirmação racial.

Eu estou dizendo isso porque li o “Abre-alas”, o livro em que a Mocidade detalha para a imprensa o roteiro do desfile. Não há menção, em alas, fantasias ou carros alegóricos, a esse capítulo. Cancelaram a mulata. Eu torço para que lá do barracão celestial o espírito transgressor da escola, onde Fernando Pinto inventou o carnaval pop, invada a avenida e no último momento, a comissão de frente já diante do júri, ponha em cena algo que lembre esta etapa da vida de Elza, uma mulher fabulosa justamente pela trajetória de superação e adequação aos tempos.

Eu torço para que deixem a mulata sambar em paz.”

Joaquim Ferreira dos Santos

DAQUI

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o roNca vem com essa pauta no ar há muito tempo. lembra, né? mostramos elza e elizeth cardoso interpretando esse clássico do negão ataulfo alves e comentamos de como seria impraticável ele ser cantado hoje em dia. pois é, conseguiram matar a mulata…

Ai, mulata assanhada
Que passa com graça
Fazendo pirraça
Fingindo inocente
Tirando o sossego da gente
Ai, mulata se eu pudesse
E se meu dinheiro desse
Eu te dava sem pensar
Essa terra, este céu, este mar
E ela finge que não sabe
Que tem feitiço no olhar
Ai, mulata assanhada
Ai, meu Deus, que bom seria
Se voltasse a escravidão
Eu pegava a escurinha
Prendia no meu coração
E depois a pretoria
É quem resolvia a questão
Ai, mulata assanhada