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allan holdsworth

(1946 – 2017)

Allan Holdsworth Dead At 70

Groundbreaking guitarist who played with U.K. Soft Machine, Gong, Jean-Luc Ponty passes away unexpectedly

Allan Holdsworth, the groundbreaking British guitarist, has died unexpectedly, aged 70.

The news was broken by his daughter’s Louise on her Facebook page earlier this evening. In a short statement she said: “It is with heavy hearts that we notify everyone of the passing of our beloved father. We would appreciate privacy and time while we grieve the loss of our dad, grandad, friend and musical genius. We will update close friends and family when service arrangements have been made and will notify the public of an open memorial service, which all would be welcome. We are undeniably still in shock with his unexpected death and cannot begin to put into words the overwhelming sadness we are experiencing. He is missed tremendously. Louise, Sam, Emily & Rori.”

Holdsworth rose to prominence with the prog band ‘Igginbottom, who released their sole album, ‘Igginbottom’s Wrench in 1969. After stints with early prog bands Nucleus and Tempest he later would work with Soft Machine, Tony Williams’ Lifetime, Gong, Jean-Luc Ponty and Bill Bruford. He was an original member of the prog band U.K. alongside Bruford, John Wetton and Eddie Jobson, but left following their 1978 debut album.

Although Velvet Darkness was released in 1976, Holdsworth did not recognise it as an official release, so 1982’s I.O.U. was what he viewed as his debut solo outing. His solo work has recently been the subject of a box set, The Man Who Changed Guitar Forever, and a compilation CD Eidolon: The Allan Holdsworth Collection, both released on manifesto Records. As a guitarist he was cited by the likes of Eddie Van Hlaen, Joe Satriani, Alex Lifeson and John Petrucci as a major influence, while Mahavishnu Orchestra guitarist John McLaughlin once said of him: “I’d steal everything Allan was doing, if only I could figure out what the heck it was that he was doing.”

Holdsworth was working on a new solo album at the time of his death.

cláudio forévis (por marco e tom)…

claudio

Eu compro CDs. Compro vinis também, mas compro muito mais CDs. Quando menciono o fato em qualquer conversa, não há quem consiga disfarçar a surpresa. É uma frase que desperta a curiosidade alheia. As reações variam de “Mas por quê?” a “Nossa, mas por quê…?”, passando por “Eu hein, por quê?”. Pagar por música nos dias hodiernos é um conceito meio alienígena à maioria das pessoas. Sobre o compact disc, em tempos de playlists, torrents e streamings, a fidelidade a um formato fonográfico dado como morto e enterrado causa estranheza ainda maior. (Eu mesmo, já em 2002, escrevia sobre a “morte do CD”.) Ninguém tem mais CD player, nem no computador. Ninguém mais quer CDs, nem de graça.

Ninguém, não; eu os quero. E sigo comprando-os, principalmente usados, mas de vez em quando novos também. Por sua praticidade, pelo fato de eu ser um cara apegado ao formato físico e sobretudo pela relação custo/benefício. Por que dar R$ 80 num LP se o CD custa R$ 20, ou às vezes menos?

Para achar CDs novos por R$ 20, ou às vezes menos, eu vou à loja Escuta Som, no Centro do Rio. Fica (ou ficava — o futuro agora é incerto, como vocês verão) na Rua do Rosário, quase esquina com Primeiro de Março, pertinho de onde tinha um (lindo) prédio antigo com uma agência do Bradesco que foi demolido para virar um terreno baldio. Nenhuma ida ao Centro é completa sem uma passadinha na Escuta Som. O espaço é pequeno e fica menor ainda com os balcões apinhados de CDs, organizados hoje da seguinte forma: na parede à esquerda de quem entra, artistas internacionais; no balcaozão no meio, de um lado, mais discos internacionais; do outro, nacionais. Na parede à direita, CDs brasileiros. Tudo a R$ 10. Coisas recentes, algumas até lacradas, misturadas a usados e, eventualmente, uma ou outra raridade. No último cantinho à direita, algumas ofertas especiais: lançamentos recentes em CD, DVD e blu-ray, discos que na Cultura ou na Fnac não saem por menos de R$ 35 ou R$ 40 oferecidos a R$ 18, R$ 20, R$ 25. Transbordados para a calçada, outros dois balcões oferecem mais pilhas de CDs, esses a R$ 5 cada. Aí a tranqueira impera, mas se você tiver tempo disponível, sempre dá pra pegar alguma coisa. Na minha última visita, por cinquinho eu descolei essa pequena pérola. Importado, hein!

O dono da loja era o Cláudio. Eu conheci o Cláudio quando minha coleção de CDs, que hoje me causa sérios transtornos por falta de espaço, cabia toda numa única e pequena prateleirinha. Pelos idos de 1994, eu vivia duro, tinha acabado de comprar meu primeiro CD player (um discman genérico vagabundíssimo) e tentava catar todo e qualquer trocado para atravessar a Baía de Guanabara e ir à loja do Cláudio. Era a época em que eu brincava de ser DJ em uma boate em Niterói, botando som toda quinta-feira; o nome da festa era Quinta dos Infernos. Chegava em casa na madruga e acordava cedo, contava os trocados arrecadados na noite anterior e partia para o Cláudio. Havia até uma aura de clandestinidade nessas excursões. Pois a loja ainda não era a Escuta Som, era apenas uma portinha no terceiro andar de um prédio de escritórios na Buenos Aires (a uma esquina da Rua do Rosário). O porteiro olhava desconfiado e perguntava: “Vai lá no Cláudio, né?”, enquanto verificava meu RG. Claro. O dia bom de ir era a sexta-feira, quando, segundo o próprio Cláudio, “chegavam as novidades”. Era quando, milagrosamente, os CDs que na Grammophone ou nas Americanas custavam R$ 18, R$ 21 eram vendidos a R$ 5 (importados a R$ 10). Como? Além de alguns esquemas meio nebulosos com as gravadoras, Cláudio ainda revendia CDs de segunda mão… e era um dos principais revendedores dos discos “promocionais” recebidos pelos jornalistas cariocas.

Passaram-se as décadas. De lá pra cá, o CD, que estava no auge naqueles distantes anos 1990, veio levando lambadas que o feriram de morte: pirataria física, Napster, iPod, Spotify. Até o vinil levantou da tumba para pisar no irmão mais novo. Suas vendas não param de cair e entre 2000 e 2015, o número de unidades comercializadas encolheu quase 75%. E eu com isso? Eu continuei indo ao Cláudio. Acompanhei-o em suas andanças (acho que antes da Escuta Som ele chegou a abrir uma outra loja, ali pelas redondezas) e sempre fazia uma visitinha. Seus concorrentes sumiram. Quer dizer, ainda existe um ou outro sebo no Centro, mas nunca chegaram a ser concorrência ao Cláudio, nem em preço, nem em acervo. Com o tempo, passei não apenas a comprar, mas também levava umas coisinhas pra vender e trocar.

Em pleno ano 2017, quem visita a Escuta Som tem motivos para duvidar desses papo de “o fim do CD”. A loja está sempre lotada. Tem a freguesia habitual, malucos como eu, que frequentam a loja pra ver as novidades e jogar conversa fora. A maioria é de cinquentões e quarentões, mas de vez em quando aparece uma molecada. E tem gente que, pasmem, ainda entra em loja de disco cantarolando uma música e pergunta ao vendedor quem é o artista que a interpreta, e se ele tem o disco pra vender.

Quer dizer, quem visitava. Hoje, uma segunda-feira, 13 de fevereiro, fiquei sabendo que o Cláudio morreu no fim de semana. Teve uma trombose, parecia ter se recuperado, mas piorou de repente e se foi. Eu estive na Escuta Som menos de duas semanas antes, bati um papo rápido com ele, e levei o Shabba e mais umas tranqueiras. Parei para olhar minhas estantes de CDs e nem consegui dimensionar exatamente quantos títulos foram comprados na mão do Cláudio. Centenas, decerto. É quando você percebe que o cara, a quem na verdade você não conhecia — só via ali, nas visitas ocasionais — faz, sim, parte importante da sua vida, por ter lhe proporcionado o acesso a outras partes importantes da sua vida. O azulzinho do Weezer eu comprei lá (e depois dei pra uma garota e tive que comprar outro). O Grand Prix do Teenage Fanclub, eu comprei lá. Muita MPB. Uma leva boa de discos do Sinatra da fase Capitol. Muitos discos de black music (aliás, o estilo favorito do Cláudio). Uma caixa com todos os álbuns do Madness (e que custou, adivinhem, R$ 10). Montes de trilhas sonoras. A edição de 45º aniversário do The Velvet Underground and Nico. Paixões mais recentes, como Kendrick Lamar e Tame Impala.

Pois é, falam tanto do fim do CD, há tantos anos, e o CD não acabava nunca porque o Cláudio não deixava. Agora, já não sei mais.

Marco Antonio Barbosa

  • Orgulhosamente escrevendo coisas que ninguém lê, desde 1996. Conheça também Borealis, meu projeto musical: borealis1.bandcamp.com.

    (daqui)

    +

    HOUVE UM TEMPO, EM QUE NÓS (AMANTES DA MUSICA, COLECIONADORES DE DISCOS E DURANGOS), FAZIAMOS A RONDA DAS LOJAS DE DISCOS DA CIDADE, EM BUSCA DAQUELE VINIL (E DEPOIS, CD), MAIS BARATO, IMPORTADO OU PROMO DE GRAVADORA. A MAIORIA DESTAS LOJAS, FICAVA NO CENTRO. MEUS PRIMEIROS VINIS, P EX (TODOS CARIMBADOS), COMPREI NA DUARTE DISCOS, QUE FICAVA NA 20 DE ABRIL, NOS ARREDORES DA PRAÇA DA REPUBLICA. DE LÁ, COMEÇAVA  UMA ROTA QUE INCLUIA LOJAS NA URUGUAIANA, SETE DE SETEMBRO E ARREDORES DA PÇA TIRADENTES. E, SABIAMOS OS DIAS EM QUE CHEGAVA MATERIAL NOVO.

    MAS, TEVE UMA, QUE DESCOBRI TARDIAMENTE, JA NOS 90S (LEVADO POR MAURICIO VALLADARES, NUM DIA DE GARIMPAGEM). MAS QUE FOI A UNICA (E ULTIMA) QUE CONTINUEI FREQUENTANDO NO CENTRÃO DESDE ENTÃO. NAO APENAS PELA BOA SELEÇÃO, COMO TBM PELA SIMPATIA DE SEU DONO, O CLAUDJÃO. É (ERA?) A ESCUTASOM, NA RUA DO ROSÁRIO, QUASE CHEGANDO NA PRIMEIRO DE MARÇO. LEMBRO PERFEITAMENTE DO QUE COMPREI NESTE DIA: UM COMPACTO SIMPLES INGLES DA BANDA THE BEAT. ESTAVA NO SUBSOLO, ONDE FICAVAM OS IMPORTS. COM O TEMPO (E AS ENCHENTES, QUE ROLAM NESTA PARTE DA CIDADE), O SUBSOLO VIROU DEPOSITO, JA QUE CLAUDJÃO NUNCA TEVE TEMPO E $ PARA DAR UMA REFORMADA. ELE PLANEJAVA BOTAR SÓ VINIS LÁ EMBAIXO.

    NOS ULTIMOS 10 ANOS (E, COM MAIS FREQUENCIA, NOS ULTIMOS CINCO), PELO MENOS, ERA DE LEI PASSAR NA ESCUTASOM, EM QQ IDA A CIDADE. O LUGAR ERA UM OASIS: CLAUDJÃO (QUE ESTAVA SEMPRE COM UM SORRISO E UMA BOA HISTORIA NA BOCA), SERVIA UM BOM CAFÉ (FEITO NAQUELAS MAQUINAS DE BOTEQUIM ANTIGO, DE AÇO), ÁGUA GELADA (TINHA UM FRIGOBAR, EU FAZIA REFIL DO MEU CANTIL). E SEMPRE ME RECEBIA COM UM ‘E AI, DJ?’. E COMPRAVA QUASE QUALQUER COISA QUE VC LEVASSE PRA ELE, SEJA CD, VINIL, DVD, BLU-RAY. ULTIMAMENTE, SÓ RECUSAVA DANCE/LOUNGE, QUE TAVA ENCALHANDO, PQ ESTAVA SAINDO MAIS JAZZ, ROCK E MPB. E PAGAVA BEM. COM AS VISITAS E CONVERSAS, SOUBE QUE ELE ERA UM REMANESCENTE DOS BONS TEMPOS DAS GRAVADORAS. ERA O CARA QUE IA ‘TRABALHAR’ O DISCO NAS RADIOS. ENTAO, ELE CONHECIA QUASE TODO MUNDO DESTE CIRCUITO. E, SABIA QUE, SUA LOJA ESTAVA COM OS DIAS CONTADOS. ‘A MIDIA FISICA VAI ACABAR’, DIZIA.

    CONTUDO, EM MEIO AQUELAS RUAS DO CENTRO ANTIGO, CHEIAS DE LOJAS FECHADAS E COM PLACAS DE ALUGO OU PASSO O PONTO (ATÉ MESMO UMA CASAS PEDRO, A DOIS QUARTEIROES DELE, SÓ DUROU TRES MESES ABERTA!), A LOJA DO CLAUDJÃO ESTAVA SEMPRE CHEIA. EM DIA DE RECEBIMENTO DE MATERIAL NOVO, NAO DAVA NEM PRA ENTRAR. MEU MAIOR ARREMATE LÁ, FOI QNDO ELE RECEBEU QUILOS DE SINGLES DE VINIL DOS ANOS 70 E 80, DE ALGUEM QUE TRABALHOU EM RÁDIO. ENCHI UMA MOCHILA COM MAIS DE 50 (!) E O CLAUDJÃO ME DEIXOU LEVAR POR 20 MARIOLAS, JA Q EU ERA FREGUES HABITUAL. EM LOJAS DO RAMO, UM SÓ DISQUINHO, DOS QUAIS ARREMATEI, CUSTARIA DEZ PRATAS, NO MINIMO.

    NEM ME LEMBRO DO QUE DE MAIS RARO COMPREI COM ELE. SÓ SEI QUE, TODOS OS MEUS CDS COMPRADOS NO BRASIL NA ULTIMA DECADA, FORAM LÁ (COM RARAS EXCEÇÕES, ALGUNS SÃO DA TRACKS, MAS SÓ IMPORTS SOB ENCOMENDA). TBM TENHO VARIOS DVDS DE CLASSICOS COM EXTRAS. O ULTIMO DELES, ‘MEU ODIO SERÁ TUA HERANÇA’ (THE WILD BUNCH, DO PECKINPAH), ELE ME DEU DE PRESENTE. TENHO O BLU-RAY GRINGO. MAS O DVD TEM EXTRAS INEXISTENTES NESTE. ELE SABIA QUE EU DARIA VALOR AQUELE FILME, QUE POUCOS DARIAM. DONO DE LOJA BACANA, É ASSIM. CONHECE O FREGUES. E SEMPRE TEM A HORA CERTA DE DAR AQUELE BRINDE PRA VC. E DO QUAL VC JAMAIS VAI ESQUECER DA CORTESIA.

    É POR ISSO QUE, SOLTO UMA LÁGRIMA POR CLAUDJÃO, DONO DA ULTIMA LOJA DE DISCOS QUE VALIA A PENA NO CENTRO DO RIO DE JANEIRO. R.I.P.

    *ESTIVE LÁ HA DUAS SEMANAS. AGORA, SEMPRE QUE PASSAR POR ALI (SE PASSAR) VOU LEMBRAR DELE, SENTADO NUMA CADEIRA DE PRAIA, JOGANDO CONVERSA FORA COM OS MALUCOS DO CENTRO DA CIDADE *JAMAIS TIREI UMA FOTO COM ELE =(

    TOM LEÃO (daqui)

  • orlaNdivo forévis…

    orlandivo.tico1

    depois do #218, ontem, absolutamente inoxidável, com tárik de souza deitando os cabelos no “sambalanço”, de receber trocentas mensagens d’aTRIPA subindo pelas paredes de felicidade… acabei (são10:30) de ser atropelado pela ligação de fabiano maciel (diretor do ainda inédito documentário “sambalanço, a bossa que dança”) informando que orlandivo subiu a serra, nas últimas horas!

    PQParille… divo reinou absoluto durante a visita de tárik, foi MEGA reverenciado, comentado, exibido, idolatrado… mas, fora dos microfones, comentamos que ele estava muito fraquinho… dando sinais que a hora de encontrar hendrix e cartola se aproximava.

    se o #218 já estava na galeria dos programas mais cascudos de todos os tempos, agora, ele galgou parâmetros em outra dimensão… algo que a gente não tem noção.

    deixo acima o sorrizaço de divo, em agosto2003, num botequim… claro!

    R.E.S.P.E.C.T