tristeza

maciel…

luiz carlos maciel

(1938 – 2017)

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putz, que tristeza saber da subida dele… acho que já comentei aqui as vezes que nos encontramos nos últimos anos. cheguei a fazer uns dois convites para ele participar do programa… mas sabe quando as coisas já não tinham mais muita importância pra ele? eu dizia: vamos ficar falando duas horas de coleman, shepp, coltrane, miles, hermeto e muitos outros… ele ria, concordava… mas a roda não girava, manja? PQParille, maciel foi o google antes da web. era ele quem dizia as letras que valiam a pena. fez de tudo, impregnou ao máximo ouvidos-corações-alma de quem o seguia… que buraco saber que ele não está mais aqui na terrinha com a gente… foda!

) :

rolling stone / 1972

se você clicar no nome dele aqui embaixo, há outras interferências de LCM no tico, inclusive, o texto completo sobre o show gal fatal que foi editado na primeira edição da rolling stone brasileira, em 1972.

menos um…

Minhas amigas e meus amigos,

é com grande pesar que informamos que o FotoRio 2018 não vai acontecer.

Neste ano de 2017 fizemos um grande esforço realizar o festival, praticamente todas as exposições foram bancadas pelos próprios fotógrafos assim como os demais eventos, tudo na base do trabalho voluntário, na raça. Não nos afundamos totalmente porque contamos com a solidariedade de muitos apoiadores através de um crowdfunding.

Mas até as mínimas condições com que contamos este ano estão desaparecendo. Temos uma administração municipal que, além de não pagar o edital para os projetos de 2017, reduziu para oito mil reais (sim, é isso mesmo) o valor para projetos no próximo ano. Os centros culturais municipais estão à mingua. E o prefeito, pessoalmente, desautorizou e censurou pelas redes sociais o Museu de Arte do Rio. No plano estadual, para vocês terem ideia do nível a que baixamos, o Secretário Estadual de Cultura – que vem substituindo os gestores profissionais por indicações políticas das mais rasteiras – fez questão de reassumir seu mandato na Assembleia Legislativa para ajudar a soltar os bandidos e ainda fez um discurso da tribuna em que confundiu – por três vezes – Bertold Brecht com “Bertoldo Brecha”, o ridículo personagem de um programa televisivo. Alguns dos principais centros culturais da cidade tiveram suas direções trocadas e, ao que tudo indica, as novas orientações vieram para nos desorientar. Não temos nenhuma esperança de captação pelas leis de incentivo cultural.

Apesar de tudo, vamos tentar realizar a Leitura de Portfolio, que pode se sustentar, e o Encontro sobre Inclusão visual, que é um importante espaço de troca para quem está tentando se expressar em condições bem adversas. Contamos com apoio de todos para ver se conseguimos realizar ao menos isso.

Para completar, no próximo ano teremos de tentar passar o país a limpo, o que não vai ser fácil. Enfim, ficou inviável.

O FotoRio nasceu e se consolidou como um movimento de fotógrafos. Acreditamos que devemos aproveitar o embalo dos debates sobre o papel da cultura nos rumos do país para repensarmos e nos reestruturarmos – nós, fotógrafos, fotógrafas e produtores culturais ligados à fotografia – como atores culturais e sociais de primeira grandeza. Com isso, esperamos que, em 2019, a gente possa voltar a realizar o nosso festival que, em dez edições, abrigou mil e trinta exposições, projeções, debates, mesas redondas, palestras, oficinais e outros eventos, com a participação de mais de quinhentos autoras e autores.

Forte abraço,
Milton Guran, em nome da equipe FotoRio