o hippie

negativos & positivos (295) [o hippie]…

o mergulho no material (negativos & positivos) registrado pela xeretinha tem sido gargalhante, cascudo, doloroso (em muitas oportunidades) e abarrotado de surpresas. numa dessas escavações, brotou um slide (positivo) que me provocou um primal scream tão inusitado que acordou o bebezinho do prédio ao lado… PQParille, depois de décadas & décadas eu revia a face de uma das figuras mais importantes na minha vidinha láááááááá no século passado: O HIPPIE.

esse era o “nome” do cidadão responsável por uma das únicas bancas de revistas que recebiam new musical express, melody maker, rolling stone e revistas importadas de fotografia. não sei de onde saiu o codinome dado por meus primos já que de hippie a peça não tinha nadica. mas o fato é que ele era O cara que amoitava pra nós as publicações mais desejadas na cidade de são sebastião… numa época em que não eram muitos os fissurados pelos referidos impressos mas a tchurma tinha por hábito bater com a testa no fundo da piscina, manja?

para a emoção ser ainda mais instigante, o slide não tinha identificação de quando foi clicado… ou qualquer outra referência. a dica foi rastrear a revista photo (francesa) pendurada entre tantas outras. com estonteante ajuda do garimpeiro miltão do [goma], chegamos à data de quando ela, a photo, foi lançada: fevereiro1974. portanto, tranquilamente, o hippie foi clicado em março do mesmo ano… mamãe!

até hoje guardo publicações muuuuito especiais que foram “separadas”, especialmente, para mim. perdi a conta das vezes que cruzei, na “banca”, com ezequiel (ou mosquito, ou zé ramone, ou ana bahiana, ou zé emilio) e ele perguntava – por exemplo – pela edição especial da rolling stone com as fotografias de richard avedon… e o hippie dizia na maior cara dura: “ainda não recebi. acho que nem vem”. PQParille…

RS

RS2

acho que no início dos anos 80, a toca do hippie foi demolida para dar lugar a esses pavorosos monstros arquitetônicos. prestenção como está, hoje, o exato espaço (área do metrô de ipanema) onde reinou nosso dealer… tá vendo o itaú, né? aí ficava o mini mercado fubazento (na real classe AAA ostentação) que abrigava a “banca”. tá vendo a motoca da esquerda? ali era a portinha da mais espetacular fonte de informação da cidade maravilhosa…

itau

depois da devastação imobiliária, nosso ídolo atravessou a rua visconde de pirajá e se materializou, bem em frente, numa banca como muitas outras, na praça general osório, perto da esquina com rua jangadeiros. onde ficou instalado por algum tempo… e desapareceu.

até ressurgir, gloriosamente, nesta imagem que traz toneladas de lembranças e o detalhe que arranca meu coração pela boca: a sodade avassaladora das pessoas que não estão mais aqui. o resto é História…

hippie.tico

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