operário ferroviário

tia aninha, tô chegando…

fant

Assunto: fantasmas

“caro mauvall,

já estou feliz pacas por conta deste inédito título do fantasma, e aí vejo a homenagem espontânea do ronquinha… meu amigo, fico sem saber onde colocar meu coração.
MUITO obrigado, vc e o RoNca sempre foram legais conosco: desde aquela vez do título de 2015, sempre dando espaço ao fantasma com o devido respeito que merecemos!
pouca gente na imprensa nacional (e entre os torcedores de “times grandes”) deu o devido e merecido destaque para essa conquista. muita gente foi até jocoso e irônico – “campeão da série D?”, com um risinho meio complacente… pobres mortais… – mas o RoNca é parceiro, e sabe compreender a grandeza e a importância dessa conquista.
ouso dizer, do alto de meu orgulho e felicidade de torcedor que cresceu vendo o fantasma levar porrada, ser humilhado, passar por décadas de complexo de vira-latas, que essa conquista não foi apenas do operário ferroviário, mas sim, do futebol nacional.
é engraçado – eu vi alguns jornalistas da grande imprensa falando de sua surpresa por Ponta Grossa estar toda tomada de paixão e alegria, contaminada com essa conquista inédita e cabriocárica, mas pensei comigo: o espanto é deles, porque pra mim, não tem nada de espantoso. eu nasci vivenciando essa loucura.
a torcida operariana é e sempre foi apaixonada, fanática e que se dane o mundo. e quem não entende isso, bem, “perdoai-os, eles não sabem o que fazem”, nem o que estão perdendo.
somos um time pequeno (nem tanto, a partir desta conquista nacional), mas temos orgulho de nossa história, da história do operário ferroviário e até mesmo das presepadas que marcaram nossa trajetória – dá pra fazer uma lista, mas acredito, de verdade, que tenham ficado no passado e que o clube assuma uma posição mais profissional e comprometida, a partir de agora.
com todo o respeito por todas as outras apaixonadas torcidas, penso, sinceramente, guardadas as devidas proporções, que nossa torcida não deixa nada a dever  às grandes torcidas dos clubes do brasil.
no paraná, podem me crucificar, mas não há torcida mais apaixonada. a dupla atletiba tem grana, destaque, mídia, badalação, mas não tem a paixão que só torcer por um clube como o fantasma pode exemplificar.
não querendo ser jocoso nem nada, mas o fantasma era até 2015, junto da ponte preta, o último dos centenários tradicionais ainda sem  títulos expressivos.
espero e torço para que a o clube de campinas ganhe um título, porque eles merecem, sem dúvidas, pela história, pela torcida, pela tradição, e eles precisam disso, tanto quanto nós precisávamos.
entretanto, por essas contingências que só os deuses de pernas tortas do futebol poderiam explicar, a macaca ficou com o a última virgem centenária do futebol brasileiro. fazer o quê… dessa pecha, pelo menos, o fantasma se livrou.
finalizando, saiba que eu considero você um operariano honorário, um amigo simpático à causa, mesmo sabendo que você é vascaíno de coração, e que isso não precisa mudar.
um dia, espero ter o prazer de ser seu cicerone em PG, onde será uma honra guiá-lo pelos caminhos e histórias da antiga rede ferroviária e seus operários, que se confundem com a história da minha família, do meu avô (que se tornou um legítimo “operário ferroviário”, ao iniciar sua vida de trabalhador nas oficinas da rede, em 1914, dois anos depois do fantasma ser fundado oficialmente), quem sabe te convidar para um almoço na casa da minha tia aninha, que ainda vive na casa que ele construiu nos anos 1920, e que fica literalmente ao lado do estádio – lugar místico, onde eu passei bons momentos e de onde tenho deliciosas lembranças.
e a gente terminaria esse tour princesino e operariano com um belo chope na choperia do tito.
pode parecer um sonho ou uma ideia vaga – mas até um ou dois anos, eu pensava que era um sonho, uma utopia, poder dizer “OPERÁRIO FERROVIÁRIO CAMPEÃO BRASILEIRO”.
se isso aconteceu, qualquer coisa pode acontecer.
(pra falar a verdade, acho que estou sonhando acordado).

um abraço,”

andré

(foto de luiz estacheski)

o fantasma da vila…

operario

Assunto: operário ferroviário, centenário e campeão!!
“pô, mauvall,
estou emocionado .
muito obrigado pelas palavras, pela deferência, pelo reverbe, pelo carinho e pelo reconhecimento desta importantíssima conquista do fantasma da vila.
a história do operário ferroviário é linda. uma história de dificuldades, de altos e baixos, várias vezes beijando a lona, que culmina com esta conquista maravilhosa.
não há um filme ainda, mas há um livro, feito por um apaixonado jornalista ponta-grossense, josé cação ribeiro, chamado “futebol ponta-grossense, recortes da história”. este volume fala sobre o operário ferroviário e outros grandes clubes que existiram na cidade (que chegou a ter um campeonato municipal, disputadíssimo, entre algumas décadas do século 20).
também quero agradecer particularmente pelo seguinte: seu pronunciamento teve o sabor da vingança radiofônica, para mim. explicando: o prefeito de ponta grossa é um boçal. ele e o irmão (que é deputado federal!!!) são donos de uma rádio fm de quinta categoria, que JAMAIS apoiou o clube, e neste ano, transmitiu parte do campeonato em conjunto com a equipe de uma rádio am da city, depois que a coisa começou a pegar fogo. o cara é um canalha sem tamanhos, e SEMPRE tirou sarro do fantasma e da torcida, mas no dia do título, teve a cara de pau de ir tirar uma casquinha junto com os jogadores campeões.
um tremendo e espetacular babaca.
então, você dar o destaque ao operário ferroviário no ronquinha é uma espécie de barricada inteligente e sincera contra o mal. uma redenção em todos os sentidos.
obrigado, mesmo, maurício!
pra encerrar: eu ouvi falar, e isso não é boato, que sopraram lá na diretoria do fantasma um jogo de troca de faixas justamente com o vascão. seria fantástico se isso ocorresse.
um abração, aqui do alto da mooca.”
andré