“Escrevo estas linhas como quem rabisca uma carta à mão, destinada a uma caixa postal que teima em existir. E talvez seja isso: resistência, mas vou mandar por aqui e cachaça, por lá. Avisarei …
Esse Bob, que mando em anexo, do Preto e Branco me pega de jeito. Livro fotográfico é literatura também, tá? Porque o silêncio de uma foto não é vazio, é página aberta para uma leitura que nunca será licenciosa. É a nossa interpretação que se infiltra na sombra, no gesto, na ausência. Assim como o silêncio no Rádio, equivocadamente interpretado.
Guardei o meu exemplar para um dia ter a sua chancela e o seu autógrafo. Enquanto isso, aprendo mais sobre música olhando para os seus instantes congelados do que em qualquer partitura. Cada foto é um compasso. Cada “Ronca”, há quase vinte anos pra mim, é uma aula. Aos 52, sigo novinho diante desse programa jurássico e necessário.
Um dia ainda levo uma cachaça pra você e pro Nandão, que fala por demais , mas sempre o tanto e o tempo necessários. E em troca recebo de volta essa pepita chamada Preto e Branco. Na troca, vejo o brilho nos olhos de um radialista que transforma o olhar em foto e a (a) foto (s) em voz.
Ah, e tinha que ser o nosso Vascão para arrancar lágrimas (sou mineiro, sofredor do América Mineiro e herdeiro Vascaíno de minha mãe), mesmo que de crocodilo, do menino mimado chamado Neymar. Pelé, lá de cima, deve rir com Cartola, que vestia o verde, branco e grená do Fluminense, e com Garrincha, herói eterno do Botafogo e do Brasil. Cada um com sua camisa, mas todos batucando juntos no terreiro da eternidade.
É isso… bebamos.