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combinando…

 

vou confessar:

as perninhas chegam a tremer forte… o coração, BUMBUMBUM… as mãos, molhadas…

não é mole, ter  à disposição um P.A gigantesco, volume máximo… e 15 mil pessoas à frente (e atrás, aos lados, em cima…)!!!

e “pior”, gente que não faz idéia de quem está a ocupar o “espaço aéreo” antes da banda mais querida da cidade subir ao palco!

é uma responsa muuuuuuito violenta! e o cagaço? mamãe!

não que a experiência tenha sido nova… mas, no caso, as “horas de voo” nada significam, sério!

a minha função nessas situações é manter o público “tranquilo”, na paz… ouvindo música!

e, acima de tudo, deixar a rapaziada no ponto para cruzar os bigodes com a razão de tudo aquilo acontecer!

simples assim… quer dizer, não é tão simples… hahaha!

em recife, comecei a sonorizar na hora da abertura do chevrolet hall, às 19h!

e de cara, abri com algumas músicas do the band, ao vivo… levon helm recebeu a vibe!

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a casa foi enchendo… as outras atrações do festival (somato, tibério azul, banda mais bonita da cidade) foram se apresentando… e a casa enchendo, enchendo, enchendo… e eu ocupando espaço com tony allen, céu, tinariwen, flying lotus, + the band, floyd com grappelli, stones (“love in vain”), buguinha DUB, gal (“sua estupidez”), eddie & otto, almaz, the congos, bixiga70, trilha do “baile perfumado”, zep  (“the battle of evermore”), tom waits, the black keys, siba & roberto corrêa, burial, neil young, abrams/lewis & mitchell, young marble giants, arnaldo baptista + blábláblá… enfim, música afinada com um festival de rock (hein?!!! hahaha!)… e, pra arrematar, uns 15 minutos do disco “paêbirú”, pouquinho antes dos hermanos aparecerem! SINISTER!

na volta, depois do show… putz, não lembro! hahaha… sério!

em fortaleza, apenas os hermanos… portanto, não houve interrupções… maomé 4 horas de som, 3 antes e  uma depois do show… metendo a mão em massive attack, keith hudson, cidadão instigado (várias dos primeiros discos), + the band, jimmy smith, joão bosco, burro morto, cesaria, dylan, romulo fróes, fela kuti, van morrison (PQParille, NOVE minutos de “t.b sheets” ecoando por fortaleza, alto pra meirelles), echo dek (primal scream), marley, the specials, bhundu boys, david crosby, james blake, mulatu astatke, hendrix (várias), big youth, staff benda bilili + blábláblá…

e na volta, depois do show: kraftwerk (autobahn), love trio, radiohead (kid a) e wilco, ao vivo, direto… uma meia hora!

e o coração não parava, BUMBUMBUM… ainda bem, né?

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de volta, no domingão…

hummmmmmm… será que o hotel de recife já adiantava a vitória, hoje, de uma outra colina?

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enfim, domingo arretado… depois da passagem devastadora pela barraca do biruta, em fortaleza…

que de barraca não tem nada.

trata-se de uma área enorme na praia, cercada… e com um mega palco montado.

segura como daniel – técnico de som hermano – estava bem vestido na passagem de som:

e a pressão no cangote durante o show:

 sentiu?

já circulam pela web inúmeros relatos & imagens das primeiras apresentações dos hermanos.

algumas fotocas do fim de semana:

carol, a fotógrafa, bem natural…

que rema, loucamente, contra a maré da velocidade/tecnologia!

a cidadã tem utilizado, apenas, material fotográfico analógico… ou seja, filmes, revelação artesanal & cia ltda!

bem longe da “pressinha” que temos de engolir em nossas vidas.

aliás, correria é sinônimo de van:

mas, até agora, o grande momento para clicar:

e a comilança na tia nair?

hein?

semana que vem: belém & manaus!

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recife & fortaleza!

já estamos em fortaleza, prestes a sair – são 18h – para a barraca do biruta… onde será o show!

a estréia, ontem, em recife, foi recorde de público nos 20 anos do festival abril pro rock – 15 mil testemunhas!

e claro, muita felicidade… com os hermanos distribuindo sorrisos:

estes clicks mostram bem a desorientação… tem horas que, literalmente, as coisas se misturam… palco e platéia, sacumé?

na saída da veneza brasileira, ginger mandou um abração pra hermandade…

refletido na fachada do aeroporto!

ainda no aeroporto, só que em fortaleza, a chapa esquentou logo na chegada:

rock, bola & peixinho…

sim, waguinho… o fio desencapado, vascaíno do programa rockbola (rebatizado popbola)… na MPB fm, diariamente, LIVE, às 20h!

aliás, por falar no assunto… que coisinha triste foi a tentativa  de usurpar o verdadeiro programa por parte de certos “entendidos” que abundavam no dial!

que vergonha foi conviver com a farsa!

enfim, almocei, hoje, com waguinho… que, aliás, pagou a conta! um prazer!

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zimminho no planalto…

parte d’aTRIPA candanga esteve, ontem, cara a cara – pela primeira – vez com mister zimmerman!

relatos lisérgicos/manguacentos informam que o show na capital federal foi estonteante… no mínimo.

tanto que ele, o bob, voltou para o bis com… “rainy day women # 12 & 35” (do blonde on blonde)!!! PQParille!!!

aliás, canção interpretada por dadinho villa-lobos na festa “roNca300”! lembra?

pressão forte no palco… com mistureba cascuda da rapeize do plano, guará, ceilândia, núcleo bandeirante, gama, pirinópolis & blábláblá…

brunex – a yma sumac do paranoá – contou mais que 5 mil “cabeleiras altas” no ginásio!

já rafa – que veio de london, exclusivamente, para o show – garante que dylan dedicou “like a rolling stone” pra ela…

com o poder do olhar!

(mamãe!)

enfim, alex (the teacher) teve que se agarrar às bobetes do conic para evitar invasão do palco…

e pedro (the media man) comunica que o correio braziliense, de hoje, tem zimminho de turbante na cabeça saindo da piscina… num dos momentos mais “verão” testemunhados por nossa majestade!

um pouco antes… ou um pouco depois daqui:

maquinando (com a infra d’aTRIPA)…

http://dl.dropbox.com/u/32273454/RoNca%20RoNca%20-%20Maquinado.mp3

31 de março de 2010

maquinando, ontem…

jimi hendrix – “ships passing through the night”
maquinado – “girando com o sol”
maquinado – “zumbi” (ao vivo no roNca)
gorillaz & lou reed – “some kind of nature”
maquinado – “dandara” (ao vivo no roNca)
woody guthrie – “going down the road”
maquinado – “are you experienced” (ao vivo no roNca)
devotos do ódio – “formando opiniões”
devotos do ódio – “punk rock hardcore”
maquinado – “bem vinda ao inferno” (ao vivo no roNca)
zé cafofinho – “xirley”
maquinado & speed – “tá tranquilo”
maquinado – “o som” (ao vivo no roNca)
maquinado – “andmoreagain / parte” (ao vivo no roNca)
black alien & speed – “quem que caguetou”
ian dury – “funky disco pops”
maquinado – “juízo final” (ao vivo no roNca)
lucio maia – “intro hino do santa cruz” (ao vivo no roNca)
madness – “razor blade alley” (ao vivo)
renato russo & dado villa lobos – “baader meinfof blues” (ao vivo no radiolla /1991)
maquinado – “pode dormir” (ao vivo no roNca)
sir victor uwaifo – “egbe natete”
maquinado – “super homem” (ao vivo no roNca)
the who – “the real me / parte”

zimminho3…

Bob Dylan, de gorro, nas ruas de Copa

Repórter encontra cantor ‘camuflado’ e sem segurança no Rio antes de show. E mente para ele

JOTABÊ MEDEIROS – O Estado de S.Paulo

Bob Dylan sozinho, na Av. Nossa Senhora de Copacabana, de casaco preto em um calor de 34ºC.

Procurar por Bob Dylan na tarde do Rio equivale a procurar pelo Eldorado no meio da Amazônia peruana. Como achar essa espécie de Greta Garbo do rock entre ciclistas e corredores marombados, mulatas sargentellianas, turistas franceses e alemães com rostos tão vermelhos que parecem o braseiro da churrascaria Porcão? Dylan nunca quis ser encontrado, por que iria facilitar agora? Ainda assim, por contingência profissional, não restava outra coisa a fazer a não ser buscar por ele quixotescamente pela estupenda tarde de domingo. A estratégia era a mais óbvia: um giro pelos hotéis mais estrelados do Rio.

No Fasano, às 13h, não restava outra coisa a não ser entrar e fingir naturalidade no restaurante, e pedir pelo que o dinheiro alcançava ali: um carpaccio de vieiras e uma taça de cabernet sauvignon chileno. Uma dica: rejeitar o couvert nunca é um bom salvo-conduto para camuflar o boné, o jeans puído e o tênis novinho. Todos vão estranhar.

Mas isso tudo só serviu para enrolar pouco mais de uma hora e meia, e não havia sinais da comitiva dylanesca por ali, apenas um cheiro caro de requinte e exclusividade.

Do Fasano de Ipanema para o Copacabana Palace foi um pulo. Mas a piscina e o buffet lotados de sósias de Jorginho Guinle não pareciam um bom refúgio para o bardo esquivo de Minnesota. Mais uns minutos enrolando ao pé da estátua de Ibrahim Sued, com sua famosa frase: “Ademã, que eu vou eu frente!”, e a inutilidade da empreitada começou a ficar mais penosa.

Ok, Ibrahim, você venceu! O estômago ronca, hora de dar um chapéu nas obrigações e ir até a cantina italiana que é um clássico desde 1976, tentando esquecer a frustração de mais uma pequena caçada inútil aos mitos do rock – bailes famosos de Mick Jagger e Bono estão na conta dessa peregrinação. Ao sairmos, chegou uma mensagem no celular de um amigo aniversariante: “Bom Dylan pra vocês!”

Cara de touca. Pouco antes das 16h, saída pela esquerda, já abastecido de uma refeição que custava metade do couvert do Fasano, tomando o rumo da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, para o táxi final antes do show. Ao menos no show ele dará as caras, e a torcida é para que essa noite promova novamente um encontro com a sua música mutante que inaugurou uma nova perspectiva para a arte contemporânea. “Aquele cara de touca e casaco ali parece o Dylan”, ela diz, desencanadamente. Só o que me faltava, um sósia a essa hora, eu pensei. Mas aí o sujeito se virou para a avenida e o sangue gelou nas veias.

“A máquina! A máquina! A máquina! É ele! É ele MESMO!” Os segundos pareciam horas, a avenida parecia mais larga, e Dylan olhava para um lado e para o outro sem se decidir, parado na frente da banca de jornais da Rua Inhangá. “No direction home”, como sempre. Se for para o outro lado, vai pegar mal correr atrás dele, pensei. Mas aí ele veio para o nosso lado, tranquilamente, como se fosse parte da paisagem, sem causar nenhuma curiosidade dos velhinhos e dos cães de estimação de Copacabana. Caminhando resoluto, com as mãos nos bolsos. Fez uma careta quando viu a máquina fotográfica, mas não parou, continuou andando na direção da lente, e passou por nós aceleradamente.


“Hey, Dylan!” Ele já ia sumindo na rua quando se voltou e respondeu com um grunhido: “You are a f… paparazzi!” Não, não, não, eu jurava, querendo acreditar em minhas próprias palavras. “Para quê a foto?”, ele perguntou. “Para o Facebook, para a gente mesmo”, menti. Eu me peguei mentindo para Bob Dylan, minha alma estava ficando atormentada, ele era o primeiro ídolo e será o último. “Por quê?”, ele ainda perguntou. “Porque você é um dos importantes artistas do século 20”, respondi.

E ele sorriu. Só aí ele relaxou. Pediu para a garota se aproximar, para que eu tirasse uma foto dele com ela. As mãos tremiam, o foco desapareceu, a rua desapareceu. Sorriu quando ela perguntou se estava se divertindo no Rio. “Eu adoro!” Não sabia mais como mantê-lo ali. “Você está com fome?”, perguntei. Dylan acariciou a barriga com as mãos, fazendo o clássico gesto de bucho cheio. “Não mesmo.” Eu apontei: “É que ali na rua de trás tem uma cantina italiana daquelas clássicas, sabe aquelas que parecem frequentadas pela máfia? Muito boa mesmo.” Ele se interessou: “Para lá?” Sim, eu disse. “Ok”, ele disse, sorrindo de novo, e mudou a direção para a rua de trás. Resolvemos deixá-lo em paz (mas aposto que ele viu a gente pulando e se abraçando no meio da rua como doidos).

Trinta e quatro graus na sombra, e Dylan de casaco, gorro de lã e bota de caubói. Achamos que ele se disfarçaria melhor se saísse de sunga branca e fones de iPod nos ouvidos. No táxi, as mãos ainda suavam, o coração destrambelhado, e eu olhava para o Rio e sorria como uma criança. Não acreditava nos próprios sentidos. Publicar isso tudo seria trair a confiança do velho Dylan? Acho que só se fosse por lucro, e não é o caso.

Ao deixar a gente no hotel, o taxista, que ficou só ouvindo a euforia, perguntou: “Quem vocês focaram?” Ao ouvir a resposta, ele demonstrou conhecimento do assunto. “Ah, o senhor Zimmerman! O narigudo! Aposto que o reconheceram pelo nariz, não?”

zimminho2…

depois do show, ainda viajandão, dei um chego na beirada do palco… sei lá, pra sentir a vibe, manja?

no que cheguei, encontrei com walter carvalho (fotógrafo, diretor, Lenda, responsável pelo doc de raul seixas…) que fez ecoar as seguintes letrinhas em relação à apresentação de bob dylan:

“por duas horas, respirei o mesmo ar dele… basta”

pronto, simples assim… nada mais a declarar!

sim, claro… as bobetes estiveram firmes, cartazes em punho… e click:

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enfim, não quero alongar a “resenha” do walter mas, sério, não há muito mais a dizer… além de perguntar:

onde mais você pode ouvir as seguintes Músicas, de enfiada, com o próprio autor?

“desolation row”, “like a rolling stone”, “simple twist of fate”, “ALL ALONG THE WATCHTOWER”, “thunder on the mountain”, “highway 61 revisted”…

captou?

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acertando…

o público de ontem, no circo, não foi muito abaixo do esperado… afinal, como já foi dito aqui, o show de thurston teve suas cotas definidas aos 44 minutos do segundo, comprovando a falta de empolgação dos cariocas com o sônico guitalita.

para piorar a sedução, o caboclo não dá entrevista… ou seja, a mídia ficou “sem assunto”… ou seja, possíveis interessados ficaram sem saber da presença dele na cidade… e como não há hype em jogo…

o circo deve ter tido umas 600 testemunhas, ontem, para ver o show de thurston moore… que, ano passado, lançou um disco espetacular produzido pelo beck.

resumindo a opereta, não foi o público diminuto… pelo contrário, para os padrões do “bundamolismo” que imperam, tivemos uma multidão sob a lona!

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ah, por falar em mídia… todos sabem que bob dylan não dá entrevista, certo?

ainda agora, me disseram que para as datas brazukinhas, “Ele” não emitirá credenciamento de imprensa.

ou seja, quem quiser resenhar/fotografar terá que morrer num ca$calho!!!

hahaha…