acabei de ser esmigalhado pela notícia da subida de alexandre gontijo… que chamo de referência desde o dia (lá pelos idos de 97/98) em que Ele chegou pra mim e disse: “odvan é uma referência”.
gontijo é o maior conhecedor de futebol que conheço… fissurado em música, foi “ghost writer” de oldemário touguinhó no JB. assinou coluna no globo.com sobre jogadores brasileiros que tomaram caminhos desconhecidos no planeta. um poço de irreverência, inteligência, sagacidade sempre carregando uma sacola de supermercado com livros e jornais. tão apaixonado por futebol que ia a TODOS os jogos no maracanã, do time que fosse… uma leNda.
certa vez, eu estava com uns ingleses apaixonados por futebol num estabelecimento manguacento quando avistei o referência passando na calçada… claro, chamei a peça e fiz a devida apresentação… no que ele sacou a origem dos cachaceiros britânicos, abriu a sacolinha e puxou a biografia (original edition) de um treinador irlandês de futebol que jamais chegou à primeira divisão do UK… well well well, não é preciso dizer que os súditos da rainha desabaram de suas cadeiras diante do fato TOTALMENTE inesperado/insólito/psicodélico/estrogonófico!
sábado negro, triste ao extremo, perda gigantesca em todos os níveis, menos um brasileiro para manter a referência viva… FUEDA!
Acompanho o ronca há um tempo já e, apesar de não conseguir ouvir todos os programas, confesso que, digamos, o “feeling” do ronca fica enraizado na gente. Dito isso, assim que bati o olho nessa entrevista do PC Caju, pensei estar lendo-a no ronca!! Caramba!! O homem disse tudo… AQUI
toda vez que alguma pauta fotográfica passa aqui pelo poleiro, pipoca neguinho querendo informações sobre o tema. tipo “como começar”, “qual equipamento” e, sobretudo, “onde aprender”… na boa, nunca me achei capaz de responder a essas indagações mas, em todas as ocasiões (desde o século retrasado) sempre recomendei aos curiosos que observassem/estudassem/se dedicassem/mergulhassem nos principais fotógrafos do planeta.
e olha que essa “dica” era no tempo em que existia filme, revelação, fotometragem, peso de câmera, laboratório… e, mesmo assim, sempre insisti dizendo que tudo isso era detalhe, coisa pequena… que para aprender a fotografar, o mais fundamental é saber ver, entender a situação, saber se relacionar com a xeretinha e com o “alvo”.
o mundo girou, o laboratório foi pro ralo junto com o filme. o fotômetro (servia para medir a luz) virou peça de museu. o peso do equipamento se transformou numa pluma e a digitalização de nossas vidinhas facilitou a prática da fotografia.
mas a “dica” segue firme… quer dizer, segue muuuuuito mais importante. segue muuuito mais definitiva para alguém conseguir bons resultados com a xeretinha… ela é a muleta que temos para fazer frente ao tsunami diário do lixo visual.
enfim, toda essa ladainha para recomendar aos interessados em fotografar o MEGA extraordinário documentário de ken burns que está no netflix: “the vietnam war”
além de toda a parte histórica-jornalística-cinematográfica, o documentário utiliza o que há de mais inoxidável da fotografia planetária… caramba, alguns dos mais geniais fotógrafos da humanidade passaram pelo conflito no vietnam em seus 25 anos de duração… mamãe, robert capa morreu lá ao pisar numa mina.
mas a cobertura fotográfica no doc não se limita às fronteiras asiáticas… todo os periféricos da américa nesse período (assassinatos, manifestações, registros fantásticos dos capetas que ocuparam a casa branca & etc) estão mitologicamente cravados no trabalho de ken burns… fueda!
todos os dez episódios são sonorizados com hendrix, janis, dylan, simon & garfunkel, beatles, otis redding, temptations, stones, CSNY, marvin gaye, joni michell, zeppelin… e a trilha original tem assinatura de trent reznor. tá bão?
enfim, sobretudo, as imagens captadas no vietnam são o mergulho mais profundo na piscina que eu poderia recomendar a quem quer começar a fotografar…