a bula do SGR#30 (ou dizem que foi o pgm mais cascudo no SGR depois do que teve a presença de adelzon alves)……

the spencer davis group – “gimme some loving”

jennifer jason & kurt russel – “jim jones at botany bay”

los djangos – “raiva contra oba oba”

the undertones – “jimmy jimmy”

the undertones – “teenage kicks”

metá metá – “angoulême”

metá metá – “imagem do amor”

benito de paula – “retalhos de cetim”

CAN – “bubble rap”

the jesus & mary chain – “bullet lovers”

j.j cale – “golden ring”

ouça AQUI o programa

matheus mandou pra gente…

matheus (de capivari, torcedor do santos) acabou de mandar uma mensagem que arrancou meu coração pela orelha… ele nunca havia se manifestado, mesmo sendo ouvinte há décadas. respondi dizendo que as letrinhas dele são o típico exemplo do inoxidável corpo a corpo com aTRIPA… matheus aproveitou para contextualizar tudo com dalton trevisan…

cheers

“Uma Vela para Dario”

Dalton Trevisan

Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa  na pedra o cachimbo.
Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.
Ele reclina-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode pede aos outros que se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario ronqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.
Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua conversam de uma porta à outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se na calçada, soprando  a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede. Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.
A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede – não tem os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.
Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de  moscas lhe cobrem o rosto, sem que faça um gesto para espantá-las.
Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora , comendo e bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.
Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados – com vários objetos – de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira é de outra cidade
Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado dezessete vezes.
O guarda aproxima-se do cadáver,  não pode identificá-lo  – os bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele próprio – quando vivo  – só destacava molhando no sabonete. A polícia decide chamar o rabecão.
A última boca repete  – Ele morreu, ele morreu. E a gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de um defunto.
Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para  lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem  morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.
Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver, Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.
Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva, que volta a cair.

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Texto extraído do livro “Vinte Contos Menores”, Editora Record – Rio de Janeiro, 1979, pág. 20.

Este texto faz parte dos 100 melhores contos brasileiros do século, seleção de Ítalo Moriconi para a Editora Objetiva.

fechando a série…

tiraram o vídeo do Utube que foi colocado aqui no poleiro… como assim, bial?

mas tem este outro (mais curto e picotado) que foi feito pelo programa realce…

não sei como funciona a matemática do Utube mas testemunhar que essa passagem do PiL pelo canecão, em 1987, tem 3648 visitas + QUATRO comentários é de doer o coração… e olha que o vídeo está exibido desde dezembro2016.

caramba, o PiL há trinta anos, num repertório estrogonófico, com john mcgeoch (ex banshees & magazine) na guitarra, bruce smith (ex pop group) na bateria, lu edmonds (ex mekons & shriekcback) também na guitarra e allan dias no baixo… tá ruim?

qualquer josta n’água abrindo a boca pra ejetar abobrinha (em todos os níveis) tem, no mínimo, 100 vezes mais views… de lascar!

Public Image Ltd. (PiL) (live) – August 22nd, 1987,

Canecao, Rio de Janeiro, Brazil

01. Rise 02. Low Life 03. Open & Revolving 04. Hard Times 05. World Destruction 06. Home 07. Rules & Regulations 08. FFF 09. Annalisa 10. Holidays in the Sun 11. Public Image 12. This is Not a Love Song 13. Religion

coutinho no barça…

mais uma transação MEGA milionária criando semi-deuses da modernidade… mas vamos voltar a fita para 2010, numa decisão de pênaltis entre vasco X fluminense pela taça guanabara… olha o “atrevimento” de philippe coutinho com dezessete anos, aos 4:37…

tenho que ligar para fernando (líder da organizada “meu barça, meu amor”, em BH) pra saber no lugar de quem coutinho jogará!

( :