arrochando (2)…

“Olá Maurício!

Primeiramente, gostaria de informar que cedo ao Ronca Ronca, em
caráter vitalício, os direitos do meu endereço de e-mail, com intuito
que o mesmo continue recebendo sua dose diária de desorientação, ok?

Prosseguindo! Rapaz, eu já estava com vontade de lhe escrever faz um
tempinho mas recentemente um fato catalisou o preparo deste e-mail…
É a tal história que a roda não pode parar de girar, tão bem propagada
por você! E por também entender que simplesmente armazenando o
conhecimento, não fechamos o ciclo, tudo que capto no seu site,
divulgo na medida do possível! Pois bem, determinei a um grande
camarada meu a audição do Big Star (tudo) e do Roxy Music (o
primeirão). Passaram alguns dias, nada de retorno sobre os discos,
abro o site do Ronquinha e… uma postagem com uma lista de discos de
1972, entre eles o #1 Record do Big Star e o primeiro do Roxy Music.
Não perdi tempo e encaminhei o link da postagem pro meu camarada. Como
resultado da postagem, o cara me envia pouco depois um e-mail
relatando toda sua desorientação com o Big Star e que já estava
colocando na agulha o Roxy Music! Mauval, meu caro… fui inundado por
uma sensação de “missão cumprida”, saca? Sensação que imagino que você
já tenha sentido inúmeras vezes e que continua lhe emocionando até
hoje… E só pra fechar: eu conheci o Big Star através do Ronca Ronca!
Então, antes tarde do que nunca, muito obrigado por essa e pela
tonelada de outras dicas musicais!

Abraços!

P.S: Hoje cedo, o disco novo do Curumin estava “arrochando” meu ipod e
eu já estava fazendo as continhas pra saber se dava pra comprar o
belíssimo album (em todos os quesitos, bicho, que capa!)… Acabei de
visitar o site do ronquinha e…. lá está o desejado, com direito a
foto da arte interna e tudo! hahaha”

Cesar Lopes

arrochando…

cacilds, já viu o vinilzaço do curumin?

muita pressão… edição espetacular da vinyl land (congrats, luiz) com capa dupla…

+ encarte com letras e ficha técnica + som casca grossa… e, claro, Música de primeiríssima!

consegui a última cópia da loja “locomotiva” (SP) há duas semanas… os interessados que corram!

imperdível!

( :

fatiando (a.k.a “a love supreme”)…

há tempos eu não entrava em contato com uma boa parte de nossa torcida.

ao longo dos últimos tempos, a comunicação das coisas roNca aconteceu, apenas, via a tchurma cadastrada aqui no site.

sendo assim, muita gente ficou foreta de nosso bate-bola… normal, falta de tempo, falta de vontade… opção!

hoje, ao refazer algumas listas de ouvintes, enviei um “pombo sem asa” para a tchurma que estava “adormecida”…

já que espero informar, em breve, algumas novidades envolvendo o roNca… take it easy, nadica de dial ou programa!

enfim, o projétil alcançou todos os tipos de ronqueiros… mas a grande maioria estava “off”, à vera!

conclusão: recebi uma avalanche de mensagens solicitando inclusão…

e acabei fatiado, despedaçado, esquartejado pelo carinho, sem igual, de nossa tossida… aTRIPA!

muuuitos ouvintes, que estavam sumidos, apareceram gloriosamente… outros tantos se manifestaram pela primeira vez.

PQParille, minha tarde foi “cabeleira altíssima” graças ao mais poderoso dos aditivos: a emoção!

eu só posso tentar retribuir na mesma moeda… com vibe do mesmo quilate, com o mesmo respeito, carinho…

e pra segurar esta onda, vou mostrar uma das mais espetaculares demonstrações disto tudo que já recebi:

a edição feita pelo MAM, em 2011, com algumas fotografias minhas que ele catou aqui e “ali”.

para contextualizar, tudo ao som de gil scott heron com “pieces of a man”…

( :

botando a tampa, três exemplos dos “pombos sem asa” de ontem…

“Salve Maurício,
Demorou mas chegou, conforme prometido.
Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, não é não?
Bom, ainda que essas imagens valham mais que qualquer palavra (fé no futuro, sempre!!!), não custa nada dizer um sonoro MUITO OBRIGADO, pelo ingresso, pela sonorização, pela simpatia, especialmente pelo momento transcendental ao som Dele, Coltrane, e também pelo Gainsbourg do final no show dos Hermanos, aqui em São Paulo.
Grande abraço e muitas saudades daquelas terças espetaculares.
Ps. Esse objetozinho metálico é uma réplica em CD do Metal Box, porque o original só passa pela minha mão.
Leonardo

+

“Oi Maurício eu quero continuar recebendo as notícias no Ronca sim!
Aliás,sabe que certa vez estava voltando da casa da minha ex-sogra e resolvi chamar um taxi pois já estava tarde e as minha bebês estavam dormindo. Meu ex-marido(o Alex) e eu entramos no carro e fomos curtindo as músicas que o taxista ouvia no rádio, não lembro o que tocava, mas era agradável. Em um determinado momento tocou a vinheta da rádio, ele estava ouvindo a Jovem Pan.
Nessa hora eu comentei que achava uma pena o Ronquinha ter saído do ar pois era o único programa que me fazia ligar o rádio,foi quando para a nossa surpresa o motorista falou ” Desculpa me meter na conversa de vocês eu adorava esse programa. É uma pena mesmo ter saído do ar.”ele também era um orfão do programa! Aí ele falou para o Alex ” Pô, essa tua camisa é muito maneira, eu tenho uma que é edição da copa”.aí o alex disse ” cara, não fala que a camisa é minha que dá até briga…”
E dava briga mesmo! porque desde quando nos conhecemos ele ia na minha gaveta e  roubava a minha camisa do ronquinha!Logo a camisa que eu mais gostava e que me traz lembranças tão boas! Por quatro anos eu não pude usar a camisa porque o sr. Alex ia na minha gaveta e pegava antes que eu pudesse pensar em vestir! e eu sempre falei para ele que se um dia a gente se separasse ele poderia leval tudo, menos a minha camisa!
E de fato nos separamos! foi uma separação tranquila, sem maiores problemas. Na semana passada ele veio buscar algumas coisas que ainda estavam por aqui e teve a cara de pau de perguntar ” Michelle, cadê a minha camisa do Ronca Ronca?”
;) piscando
Michelle
+
Subject: Ronca em São Luís…
Aí, Maurição…belesma?
Pra não chover no molhado, nem vou falar sobre a falta de opção nas noites de terça… Em todo caso, estamos na expectativa, sempre de olho no Site Roncador!
Segue uma “fotoca” recém retratada em São Luís do Maconhão…onde, pasmem, numa tarde conhecendo o Centro Histórico, eu e minha namorada só ouvimos Legião! Pelo menos em três momentos diferentes, na mesma tarde, a trilha captada no ar era essa…mto lôco! Cadê o reggae?
E aproveitando, update me!
 Fábio

o futebol… “moderno”!

ainda agora (são 17:20), esbarrei – na pastelaria – com um chapa mega enfronhado em futebol/mídia & o diabo A4!

segura…

o jogo “listradinhos” X atlético mineiro, que seria nesse fim de semana, foi cancelado… certo?

papo de “preservar o gramado do engenhão”!

pois bem, diz o caboclo que tudo não passa de um jabaculê articulado pela organizacão marinho.

como assim, bial?

elementar… esse é o embate futebolístico mais aguardado do “século” por conta da atuação de ronaldinho contra seu “ex” time.

a “teoria da conspiração” afirma que, segundo os financistas da vênus, flaXgalo estaria ameaçado pela olimpíada…

e que, com as portas da academia de ginástica londrina fechadas, a globo teria todas as po$$ibilidades de capitalizar a pelada.

procede? hein?

a conferir!

the experience…

retirado do blog de nosso líder rogerio skylab (godardcity.blogspot.com.br):

O programa MATADOR DE PASSARINHO, que venho apresentando toda segunda-feira, à meia-noite, no Canal Brasil, foi programado para ter vinte e seis entrevistas. Até o momento foram ao ar oito entrevistas, mas já gravamos vinte e três. Na reta final de concluirmos as gravações, fui à campo na tentativa de fecharmos uma das últimas entrevistas e, provavelmente,  a mais difícil: Damião Experiença.
Foi assim que desembarquei na estação terminal do metrô: Praça General Osório. É ali que o nosso personagem procurado habita.
O seu endereço é desconhecido. Sabemos que reside na comunidade do Cantagalo, mas não sabemos exatamente onde. O produtor do programa, Heitor Zanatta, em contato com pessoas que já tiveram acesso à Damião, deu-me as piores notícias. Mesmo assim, fui a seu encalço com uma leve e vã esperança.
Rondei as imediações e fui até o elevador que dá acesso à comunidade. Desisti de subir e voltei na direção da praça. Chegando à avenida principal, ou ia na direção de Copacabana, ou ia na direção do Leblon. Decidi então pela segunda opção e, quando me pus a atravessar a rua, dei de cara com ele.
O próprio. Era Damião. Menos espalhafatoso, camisa abotoada até o pescoço, chinelo de dedo. Parece inverossímil, tamanha a coincidência. Mas era ele mesmo, setenta e sete anos, o baiano arretado que gosta de mulher lésbica.
E a gente ali em meio a avenida. Me pagou um café no bar da esquina. À certa altura, um mendigo bêbado se aproximou, o conhecia. Pediu-lhe cinquenta centavos. Fiz questão de dar para que se afastasse e pudéssemos continuar a conversa. Depois, Damião me informou que o mendigo era um turco rico que se perdeu nas drogas.
Conversamos muito. Muita gente das imediações conhece Damião. Me informou que estava quase cego : um dia amanheceu assim ; mas queria distância de médico.
Não me reconheceu. Porém, depois de dizer-lhe meu nome, soltou essa : você continua no Banco do Brasil ?
A conversa se desenvolveu em meio a delírios e lucidez. Disse-me que sua mãe era judia e seu pai, russo. Depois me falou que viajou recentemente para a Colômbia.
Falei-lhe do meu programa e que tencionava entrevistá-lo. Pediu-me que desistisse, que até o Jô Soares tentou levá-lo e não conseguiu.
Eu o fiz ver que ele era a minha principal referência. Lembrei-lhe do disco que fiz em sua homenagem, o SKYLAB III. Cheguei a dizer-lhe que era um gênio, mas ele fez pouco das minhas palavras.
À certa altura, perguntei-lhe se era boato o que cheguei a escutar várias vezes: atribuíam-se aos Novos Baianos o arranjo e a execução de alguns de seus discos. Ele prontamente negou, chegando inclusive a informar que os Novos Baianos nem o conheciam. Depois, me garantiu que ele próprio tocou todos os instrumentos.
Falamos de muita gente, desde André Midani, que, segundo Damião, chegou a convidá-lo várias vezes a assinar contrato, até Caetano Veloso que, para ele, é música de viado.
Quando perguntei se tinha muitas mulheres, me falou que atualmente estava broxa.
Em seguida, me perguntou se eu era casado. Eu quis negar. Percebi que sua pergunta era uma afirmação, assim como também percebi a distância imensa que nos separava. Eram seus momentos de extrema lucidez : nada lhe escapava.
Não sei se por vergonha, por piedade, ou mesmo por algum estranho senso de realidade, respondi que era fodido. Ele não compreendeu.  Eu repeti : eu sou fodido. E ele replicou : eu sou mendigo.
Num dado momento, um rapazinho me reconheceu e quis tirar uma foto. Mas nesse instante, Damião desapareceu.
Cheguei a avistá-lo em seguida, um pouco à frente, num ponto de ônibus  (gosta de andar de ônibus pra desanuviar a cabeça). Alcancei-o e o agradeci por tudo.
–  obrigado por que ?
Foram suas últimas palavras.