brasil

a mocidade detonará a mulata assanhada (ou tudo a ver com 2020)…

“Nesta segunda-feira, quando a Mocidade Independente desfilar na Sapucaí com o enredo em louvor a Elza Soares, eu vou torcer para que os deuses africanos acertem, sem um segundo de delay, todos os instrumentos da bateria em sua paradinha genial. Eu vou rezar para que mãe Menininha, homenageada em 1976, ilumine as rendas, os paetês, e em seguida assopre os bons ventos para as baianas rodarem na mesma rotação feliz do planeta.

Eu vou pedir acima de tudo para a caretice dos tempos não tomar conta da escola ao lembrar a saga desta diva empoderada, um monumento da afirmação e resistência da mulher negra. Eu vou torcer para os otários da correção histórica não cancelarem a existência da mulata assanhada Elza Soares.

Foi há exatamente 60 anos, em seu primeiro LP, logo depois do estouro nacional em 1959 com “Se acaso você chegasse”. Elza Soares balançou o Brasil com a gravação de “Mulata assanhada”, de Ataulfo Alves, o primeiro negro a entrar na lista dos dez mais elegantes do Ibrahim Sued. Foi como se o país reaprendesse a cantar.

Antes dela houve a serelepe Carmen Miranda, a dramática Linda Batista, a incomparável Marlene, a enluarada Elizete e tantas outras rainhas do rádio. Cada uma na sua. Nara sussurrava, Dalva soltava os bofes. Não sou tolo o suficiente, nem o lança-perfume carnavalesco me serviria de desculpa, para hierarquizar os méritos dessas deusas. A todas, acendo genuflexo uma vela branca nesta segunda-feira das almas.

Elza Soares inventou uma voz que balançava em harmonia com as cadeiras. Improvisava. Ela se aproveitava da recém fundada bossa nova, dos elementos jazzísticos que ouviu nas boates, sem esquecer dos tambores desde sempre na sua existência. Botou tudo no liquidificador e soltou a voz com liberdade, nos tons mais altos da escala. Tenho certeza que Alcione não é a única a lhe agradecer.

Eu vou torcer para que, em sua nuvem de purpurina verde e branca, o mestre André, da bateria dez, nota dez, erga a batuta e dê o tom para o desfile não esquecer esse início de Elza, não riscar da história a gravação de “Mulata assanhada”. Foi o seu momento mais espetacular nos anos 1960. Ao lado de Jorge Ben, Ed Lincoln e outros, ela botava a bossa nova para dançar ao ritmo do “sambalanço”, uma joia da MPB.

Será uma pena se o politicamente correto atravessar o samba da Mocidade e, como se houvesse algum motivo de desonra, apagar de uma ativista negra moderna o momento, outro contexto, em que ela se apresentou como mulata, essa palavra só agora amaldiçoada. Naquela década, gravou ainda “As polegadas da mulata” e “Mulata de verdade”. O mundo mudou e Elza foi junto, com outra consciência de afirmação racial.

Eu estou dizendo isso porque li o “Abre-alas”, o livro em que a Mocidade detalha para a imprensa o roteiro do desfile. Não há menção, em alas, fantasias ou carros alegóricos, a esse capítulo. Cancelaram a mulata. Eu torço para que lá do barracão celestial o espírito transgressor da escola, onde Fernando Pinto inventou o carnaval pop, invada a avenida e no último momento, a comissão de frente já diante do júri, ponha em cena algo que lembre esta etapa da vida de Elza, uma mulher fabulosa justamente pela trajetória de superação e adequação aos tempos.

Eu torço para que deixem a mulata sambar em paz.”

Joaquim Ferreira dos Santos

DAQUI

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o roNca vem com essa pauta no ar há muito tempo. lembra, né? mostramos elza e elizeth cardoso interpretando esse clássico do negão ataulfo alves e comentamos de como seria impraticável ele ser cantado hoje em dia. pois é, conseguiram matar a mulata…

Ai, mulata assanhada
Que passa com graça
Fazendo pirraça
Fingindo inocente
Tirando o sossego da gente
Ai, mulata se eu pudesse
E se meu dinheiro desse
Eu te dava sem pensar
Essa terra, este céu, este mar
E ela finge que não sabe
Que tem feitiço no olhar
Ai, mulata assanhada
Ai, meu Deus, que bom seria
Se voltasse a escravidão
Eu pegava a escurinha
Prendia no meu coração
E depois a pretoria
É quem resolvia a questão
Ai, mulata assanhada

adelzon, leNda (ou a rádio nacional é do povo)…

Assunto: A triste demissão de Adelzon Alves

“Salve, Mauricio Valladares!
Você foi direto ao ponto sobre a demissão do Adelzon: foi uma questão política. Uma tragédia para a cultura brasileira, principalmente para o mundo do samba.E que foi orquestrada por pessoas imbecis sem a menor noção do tamanho e da importância do Adelzon Alves. Mas também é triste de ver o descaso da mídia em geral sobre a saída dessa lenda do rádio brasileiro. E é ainda mais triste notar a pouca mobilização do próprio mundo do samba. “Os sambistas não são unidos”. Era o que o Adelzon sempre falava no seu programa. Fui na manifestação na EBC no dia 10 e presenciei isso. Inclusive alguns leais amigos do Adelzon que falaram ao microfone reclamaram disso também. Rolou até uma certa indignação do pessoal que lá estava pela falta de mais sambistas e compositores conhecidos que foram muito ajudados e até lançados pelo Adelzon.
O ódio corrosivo que esse governo tem por tudo que é cultura, tudo que é arte, mais ainda a popular, é de uma estupidez bizarra! Puta que parile!!! Como você bem falou, Adelzon é o radialista mais importante que estava em atividade. É um verdadeiro mestre da comunicação e um profundo conhecedor da cultura popular. O cara sabe tudo! O Brasil fica muito pior sem o Amigo da Madrugada. Lamentável. Revoltante.
Também achei muito foda a participação dele no seu programa. O Ronca Ronca também é resistência da boa música e da boa informação!
Vou te mandar alguns trechos pra você sentir o clima da manifestação.
Sou um grande fã do programa.
Abraço pro Nandão.
Valeu!”
Chico

H de paixão, H de luta, H de resistência (ou H de História)…

a essa altura do championship (17:50 de terça feira), o borussia dortmund (a maior torcida na alemanha) já deve ter sido ultrapassado.

o fato é que os vascaínos reagiram ao total domínio dos listradinhos em 2019 e resolveram se agarrar ao que existe de mais valioso em um clube de futebol para seguir respirando: a torcida

mesmo diante de um ano onde o CRVG brigou (de novo) para não cair, a paixão da torcida superou o baixo astral e catapultou (pode?) o clube para uma realidade financeira inesperada… esse é o X da questão, não cabe aqui disputinha de quem tem mais ou menos sócios torcedores. está em jogo a vida de um clube & seus zilhões de seguidores. simples assim.

que a mesma onda seja surfada por botafogo e fluminense!

fica esse exemplo para tudo e para todos (fora do futiba) de como podemos transformar o inferno numa realidade suportável… de como só nós temos as rédeas do destino, de como a passividade dará força aos capetas, ao coisa ruim… à morte!

PQP

ah, jeferson (um dos mais cascudos d’aTRIPA) informa…

Assunto: Vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaasco!

“Acabei de fazer a minha agorinha e já somos mais de 142 mil. E subindo…

#AssociaVasco

cheers,”

/+/

Jeferson

 

THE END, mais um capítulo…

Do lado de fora, os alvinegros proibiam a entrada de qualquer torcedor que não parecesse botafoguense.

– Foi uma sensação de guerra, de ódio e até de impotência. Tinha torcedor que nem olhou o jogo, ficava andando de um lado para o outro olhando os que estavam à paisana. Se desconfiavam, eles abordavam, faziam cantar o hino, mostrar tatuagem e os celulares, para verificar fotos e grupos. Aí começavam as agressões e brigas, porque descobriam que eram torcedores do Flamengo – diz o segurança, que acrescentou:

– Enquanto a gente ajudava uma pessoa, outra apanhava. Pouca gente para muitos problemas ao mesmo tempo.

DAQUI

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perguntinha à la demmy: “o que é parecer botafoguense?”

 

gilberto mandou pra gente…

Subject: Lorenzo, Harvard e a Bahia….
“Fala Maurição!
Envio este “pombo” um pouco antes do JumboteKo subir com o #360.
Encontrei esta reportagem estrogonófica e gostaria de compartilhar com vocês.
Sir  Lorenzo Turner, foi um pesquisador da Universidade de Harvard. Nascido em 1890 na Carolina do Norte, neto de escravizados, se dedicou a compreender as intersecções linguísticas entre diferentes grupos das Américas.  Durante sete meses de pesquisas intensivas realizadas em Salvador e no Recôncavo da Bahia na década de 1940, o linguista gravou áudios e imagens dos mais proeminentes sacerdotes e sacerdotisas dos candomblés da época. Em 2002, Xavier Vatin, professor de antropologia na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), encontrou nos arquivos da Universidade de Indiana (EUA) uma vasta coleção de áudios gravados por Lorenzo. São mais de cem discos de alumínio (um total de 17 horas de áudio) com o tesouro. 
Agora…disponibilizado na íntegra pelo YouTube e no soundcloud.
Tudo AQUI
Abração!!!!”
 
Gilberto
Rio de Janeiro – RJ