brasil

o fim da palavra carona…

carona sempre foi uma palavra conectada ao que existe de mais bacana: carona em viagem, carona na paquerinha, carona espiritual, carona no busão, carona ao pagar a conta, caroNa para ouvir o roNca, carona na motoquinha/motocona, carona pelo prazer de ser carona ou dar carona… enfim, um dos sinônimos de camaradagem.

de uns (muitos) tempos para cá, na maioria da vezes onde a palavra carona é utilizada, a presença da infelicidade é obrigatória. diariamente, são inúmeras as notícias de violência cometidas por motoqueiros… caramba, o rio de janeiro está em guerra. temos a cenográfica intervenção “nas ruas” e a realidade só piora.

pois então, qual seria a dificuldade de se preservar a palavra carona por algum período e “liberar” as motocas para circular, exclusivamente, com seus condutores?

será que os defensores da carona verdadeira ficariam injuriados com a novidade? acho que não já que eles estão entre as principais vítimas dos usurpadores.

a exemplar colômbia colocou em prática esse ato solitário de ocupação dos veículos de duas rodas e os bons resultados pipocaram loucamente. lembra, né?

o inaturável é constatar mais uma tragédia como esta…

new order (ou pantone 321-2 C)…

Intolerância

Ler o que os inquisidores escreveram para Fabiana Cozza ofende até a quem não tem nada a ver com a história

Cora Rónai (O Globo)

Quando comecei a trabalhar em jornal, época em que os dinossauros caminhavam felizes sobre a Terra e vocês ainda não eram nascidos, havia censura. Havia departamentos de censura, um conselho superior de censura e um monte de censores para povoá-los e brandir a tesoura: cidadãos que acordavam de manhã cedo, tomavam banho, tomavam café, escovavam os dentes e iam para o escritório para censurar o trabalho alheio. Ganhavam bem para fazer o que o povo faz hoje de graça na internet. Eu não tenho nenhuma saudade daqueles tempos mas, pensando bem, acho que preferia aqueles censores estatutários às hordas linchadoras do Facebook.

Aquela censura era escancarada e despertava o melhor em todos nós, que a desafiávamos escrevendo nas entrelinhas, buscando figuras de retórica e modos de dizer as coisas sem dizer. Enfrentá-la era um desafio cotidiano, uma adrenalina constante. Descobrir as pistas espalhadas pelos jornais em forma de receitas de bolo e previsões do tempo era emocionante, romances e filmes censurados ganhavam o tempero apimentado da proibição.

Havia heroísmo em desafiar a censura, não em exercê-la.

Dona Solange, aquela, que chegou a inspirar música do Leo Jaime, mudou de sobrenome e foi viver no interior, zero orgulho da sua profissão. Os vizinhos, que a consideravam uma senhora reservada porém gentil, jamais desconfiaram do que ela fazia antes de se aposentar.

Os censores de redes sociais, ao contrário, se acham os reis — e rainhas — da cocada preta. Estão convencidxs da grandeza da sua missão, certxs de que lincham por motivos nobres. Seu ódio é puro e benfazejo, e suas vítimas deveriam se sentir gratas pelas lições. Só falam no imperativo:

— Calaboca!

— Leia!

— Estude!

— Aprenda!

— Silencie e respeite!

— Peça desculpas!

— Deixe de se fazer de vítima!

Palavras não tiram pedaço — mas tiram. O corpo sai inteiro de um ataque, mas a alma sai em frangalhos. E aí entra em cena algo muito pior do que a dona Solange: a autocensura. Nos tempos da censura, lutava-se para que opiniões e ideias sobrevivessem; hoje elas são abortadas antes de nascer. Não há glória em desafiar militantes raivosos, não há heroísmo em enfrentar ofensas disparadas por trás da tela.

A internet é um vasto território de absurdos sem resposta e de pensamentos silenciados, porque qualquer pessoa menos beligerante — quero crer a maioria de nós — prefere ficar calada a externar uma opinião que pode eventualmente ser mal interpretada — e será: na internet tudo o que pode (e tudo o que não pode) ser mal interpretado será sempre mal interpretado. Para que despertar as bestas do apocalipse? Melhor levantar e ir tomar um café, dar um telefonema, regar as plantas, passar batido.

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Um dos documentos importantes desse Museu da Intolerância é o texto em que Fabiana Cozza renuncia ao seu papel no musical sobre Dona Ivone Lara, e que acabou dando panos para as mangas até aqui no jornal. Ela foi massacrada por ativistas de movimentos negros por não ser suficientemente escura para o papel, e abre o seu desabafo, dirigido “aos irmãos”, com as suas credenciais genéticas: “Mãe: Maria Ines Cozza dos Santos, branca, Pai: Oswaldo dos Santos, negro, Cor (na certidão de nascimento): parda”.

Fabiana escreveu com sentimento e expôs as suas feridas, dilacerada pelo linchamento sofrido ao comemorar, dias antes, a felicidade com o convite para a produção:

“Renuncio por ter dormido negra numa terça-feira e numa quarta, após o anúncio do meu nome como protagonista do musical, acordar ‘branca’ aos olhos de tantos irmãos. Renuncio ao sentir no corpo e no coração uma dor jamais vivida antes: a de perder a cor e o meu lugar de existência. Ficar oca por dentro.”

Ler o que escreveram os inquisidores na sua página é de assustar mesmo, fere e ofende até a quem não tem nada a ver com a história. Não consigo imaginar o quanto aquelas palavras não magoaram Fabiana. Mas renunciar ao papel não pôs fim à violência — agora ela está sendo acusada de ter denunciado a agressividade dos agressores.

“Irmã vírgula, não somos irmãos. E nós pretos vírgula, pq vc não é preta. E pare de colocar os negros como raivosos por exigir que o certo fosse feito. Tinha mais q sair mesmo.”

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Fiquei horrorizada em ver tanta gente se sentindo autorizada a dizer quem o outro é, como o outro é, como o outro pode ou não se sentir. A Arte, enquanto isso, escondida num canto, cobrindo a cabeça de cinzas. Como se Dona Ivone Lara fosse só uma cor, como se o delicado trabalho de representá-la em toda a sua grandeza não envolvesse tanto mais. Fabiana Cozza conheceu Dona Ivone, cantou com ela, foi escolhida pela família para o papel. É negra, mas não é Pantone 321-2 C. Todos a ela.

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Sou branca (Pantone 58-6 C) e desqualificada de saída para entrar nessa discussão.

Mas aí é que está: todos deveríamos poder discutir tudo. Racismo não pode ser discutido só entre pretos ou só entre brancos, como feminismo não pode ser discutido só por mulheres. Ou lutamos pela inclusão de todos, e por todos os lados, ou vamos nos afastar cada vez mais, fechados nas nossas bolhas, ouvidos tapados para o outro, fervendo cada qual na sua ilha de ódio.

flavio “selvagem” mandou pra gente (ou a copa selvagem)…

Assunto: RoNca na Copa #1

“Salve Macacada do roNca! (Macacada pode?)

Mais uma Copa do Mundo de Futebol se aproxima. Ainda que o desinteresse pela seleça seja há tempos uma constatação encarnada, não tem como ignorar o evento.

Muita coisa mudou, óbvio. Mas quem gosta de futebol, não tem jeito. As resenhas são impagáveis e prometem. E agora com Edmundo, PVC e Zinho juntos, Mauro Cézar; e o Neto Pistola? Minha nossa, Tite sua batata vai assar e muito ainda com essa mulambada. Tua sorte é o menino do City, aguarde e verá! Isso se a Alemanha não eliminar a turma do Neyplaymar nas oitavas, rola o risco, hein?

Bom, em suma, no ano de 74 eu nascia em abril: Vendo os jogos hoje do escrete nacional, considero o time horroroso. Enfiavam a porrada, não jogavam futebol. O “Garoto do Parque” enlouquecido, só queria briga. Mas a defesa do Leão no chute do Cruyff, minha mãe!

78 nenhuma lembrança. Sei, claro, que foi a primeira copa do maior de todos, Zico “Galinho” Coimbra, o dono do Maraca, o camisa 10 da Gávea. Roubados no apito, na batida do corner, bola no alto. Vitória de virada sobre a Itália, a base do time de 82 que venceria o Brasil, que destino.

82, caralho! Moleque hipnotizado, camisa amarela, rua pintada, radinho de pilha, TV no pilotis, embaixo do bloco, de todos os blocos, bairro, bairros, Ilha, Rio, o mundo, tudo parado. Meu deus, que emoção. Éder, o anticristo mineiro. Hoje, por ser amigo e vizinho do César Moraes ex-Palmeiras e Vasco, e em 82 jogador do Sevilla, tenho conhecimento de mil estórias do escrete canarinho após alguns jogos na Espanha lá no QG, leia-se, casa do César “Bocão”, que miiiiiiiiiiiiiito!!!

86, com meu ídolo sofrendo após uma grave lesão e recém operado, deu Maradona, la mano de Dios, mais hipnotismo. E as duas tiças de Josimar no barbante? Que fio desencapado hahaha

90, claro, Lazza e seus parâmetros e a Argentina garfada na final. Copa horrível. E aí….

Que eu me lembre, 1994 foi a última vez que torci para a canarinho, o que já foi naquela copa forçar demais uma barra diante dos rumos – dentro de campo – do que havia se tornado o futebol brasileiro. Sei lá, havia perdido a graça. Raí, Dunga, PQP, que castigo. Feio de ver… e não é que em dezembro passado encontrei Aldair de bobs dentro do Jardim Botânico e desenrolamos sobre aquele lançamento dele para o Bebeto, que cruzou pro Baixinho meter aquele golaço contra a Holanda? E o Balakov da Bulgária sendo ESTUPRADO dentro de campo por seus companheiros após a comemoração de um gol? Que momento!!!!!

Mas a boa mesmo era beber uma antes, durante e depois dos jogos na Praia da Bica ou ir assistir em algum bar pela cidade, onde tivesse mulher, ziriga, claro. Porra, para onde iria uma trupe cujas alcunhas eram Mendigo (também chamado de Favela com Piscina devido o seu par de olhos azuis e nada na conta bancária), Selvagem, Zico Pereba, Dentinho, Troll, Sorato & Bismarck (dois irmãos vascaínos), Sosa, etc? Íamos para a guerra e torcíamos para Romário e cia estenderem a zueira ao máximo possível. K-ô é o que não falta desse período: conta pendurada, porrada, linchamento, vacilação, nenhum tostão no bolso, todas as meninas eram lindas, picatchu que nem vira-lata no cio, enfim.

Bom, mais confesso que Frank Mendigo, meu irmão, e eu fomos recepcionar a seleça campeã de 94 no Galeão, quintal de casa – Ilha do Amor – e ficamos ali na pista que dava acesso ao único terminal à época, mesma pista de incansáveis pedaladas e corridas semanais.

A seleça estava no já esperado carro dos bombeiros e resolvemos pegar carona em qualquer carro e seguir até onde fosse possível na tal caravana da ‘furada’. Vimos um caminhão de caçamba vazio com 3 bonecos apenas, segurando quietinhos nas laterais da estrutura. Mendigo e eu nem pensamos, pulamos na caçamba e… era um caminhão de lixo, cheio de saco preto escorregadio e chorume até a canela e por isso os dois bonecos ficavam quietinho só esperando outros buchas se juntarem a eles hahahahahahaha.

A diversão diante do apocalipse, claro, passou a se chamar geral pra entrar no caminhão – vem, vem, pula que eu te ajudo – e ver neguinho/branquinho mergulhar de peito, de boca, ‘discostas’ no lixo hahahahaha aquele carro alegórico do inferno parecia uma piscina de gelatina e quem pulava ficava à deriva, estendia a mão toda infectada – sai, tira a mão – e ninguém ajudava porque se soltasse a lateral perdia o equilíbrio e afundava no chorume hahahahahahahahaha. Àquela altura, não íamos pegar ninguém, fedendo e sujo de cocô e, possivelmente hospedeiros de alguma doença mutante, condenados a morte, caralho. E olha que cruzamos a Av. Brasil e o escambau. Desistimos da furada em frente a sede do Glorioso e, sinceramente, nem sei como chegamos lá e voltamos…

Que momento!

Em suma, nem sei o motivo da lembrança, pois parei para escrever sobre o trecho do essencial filme Garrincha, Alegria do Povo (1962) no link abaixo. Após assistirem as imagens, alguém conseguiria responder: quem, na moral, em sã consciência torceria para uma seleção brasileira que tem jogador de 30 anos que joga videogame e posta self em instagram (sic)?

Caceta, que saudade filha da puta… e que tristeza federal….

Um salve para os imortais Zico, César Bocão, Dinamite, Cocada e Bujica, Pincel, Swing, Quarentinha (família de amigos!), Nilton Santos, Dida (o verdadeiro), Sócrates, Cafezinho (Mito!)………….

E o passarinho falando Vasco aos 2:45?”

F. Selvagem
Jóquei, Teresina – PI
05/2018

filme completo AQUI

31outubro2017 e 21março2018…

lembra que, recentemente, comentei no roNca o fato de ter um disco emperrado no correio desde outubro do ano passado?

pois é, a crionça chegou hoje… a data de expedição, ali em cima, é de 31outubro2017, procede? então, o coitadinho ficou tal e qual um pau de enchente em novembro-dezembro-janeiro-fevereiro-março-abril e metade de maio!

como assim, bial? por onde ele ficou batendo nesses quase SETE meses?

da europa pra cá, em média, são duas semanas pra moamba chegar… e o resto?

outra novela que se arrasta há um tempão teve mais um emocionante capítulo produzido e escrito pela nossa possante EBCT: o pacote com os Lps “nove luas” dos paralamas que foi enviado de porto alegre pela rapaziada da noize, em 21março, foi devolvido ao remetente… ou seja, voltou para PoA:

tá bão assim? PQP

“9 luas” (ou a cara do brasil)…

a tchurma do noize record club turbinou uma edição caprichadérrima em vinil (pela primeira vez) do álbum “nove luas”, lançado em 1996, pelos paralamas do sucesso.

mais uma pepita para se juntar à lista com apanhador só, curumin, tulipinha, vinicius & baden, boogarins, otto, o terno e outros mais.

a origem da ação é a revista noize… que continua viva e encartada nos discos.

eles me procuraram assim que começou a producão do pacote “9luas” para eu enviar umas fotos, contar umas mentiras e engrossar o caldo da publicação.

imagens enviadas, lorotas emitidas… e perguntei se eles poderiam me mandar uns kits para fazer uma promo cascuda com a ouvintada… a resposta foi imediata: CLARO!

pois bem, o possante ariel enviou o material – de PORTO ALEGRE / BRASIL – no dia 21 de março de 2018… ou seja, há mais de um mês. sente o inacreditável raioX do rastreamento…

lembrando que hoje é dia 23 de ABRIL… é mole ou quer que enrole?

será que a encomenda está vindo “a pé” via santiago do chile?

reparou que no dia 4abril o pacote foi dado como “desaparecido”… e “reapareceu” no dia 17? cacilds, como assim, bial?

e se fosse um remédio? um documento importante? se fulano tivesse subido pra encontrar com hendrix porque o medicamento não chegou? se beltrana tivesse perdido a venda do apartamento que salvaria a vida dela?

você acha que alguém se manifestou dando satisfação?

e se neguinho tacasse fogo numa agência da EBCT?

vândalos? terroristas?

seguimos esperando e, claro, faremos aqui o solene aviso da chegada….

mas vamos ao mais importante: