vinil

papaizão…

bigpapa

identificou algo familiar ao poleiro no lado esquerdo da parede?

pois é, essa é a loja big papa discos, em são paulo… na barão de itapetininga, vizinha às galerias da 24 de maio. aliás, a chamada galeria do rock estava abarrotada, no sábado… mas muuuuito cheia. D+!

o fato é que a big papa, contrariando os últimos anos, não veio ao rio pra feira de vinil, no bennett… claro, cheguei junto da lenda:

papaizão, qual foi de vocês pipocarem na feira?

ele:

– mauricio, você sabe que adoramos sua cidade mas a coisa lá está muito na modinha. as pessoas que antes apareciam querendo discos fora do óvio e do hype sumiram e a gente achou melhor ficar por aqui mesmo com a clientela cascuda de sempre.

como, sutilmente, dizem os homens do fogo: “welcome to hell”

a lojas de porto alegre no século passado…

falamos no #188 do adesivo da star discos coladão no compacto do noriel vilela… lembra, né?

star.discos

pois bem, o rodrigo – em modo “descubra” total – correu atrás da informação sobre o estabelecimento e garimpou o blog do jornalista emilio pacheco com o espetacular raioX sobre as antigas lojas na capital gaúcha:

Assunto: Star Discos
“Olá, Mauricio! Tudo bem?
O #188 está muito bom!
Encontrei a “information” sobre a Star Discos:
Clique AQUI!
Um abraço!”
Rodrigo

vai um disquinho aí?

feira2

um detalhe interessante, principalmente, aos que se apaixonaram por vinil nos últimos tempos: você pode até se arrepender de não ter colocado as garras sobre determinado disco mas fique certo que um dia ele cruzará seu caminho… basta procurar.

resumindo a ópera, não vale a pena se aporrinhar pelo leite derramado, estourar o bol$o ou entrar em disputa corporal (tipo acima) para conseguir qualquer que seja a pepita… mas não vale mesmo.

até porque, na maioria dos casos, você não estaria atrás do compacto de uma banda búlgara, lançado em 1966, com tiragem de doze cópias, procede?

e vamos combinar que essa banda deve ser ruim pra meirelles (hahaha)… afinal, se fosse boazinha, teria mais gente interessada nela para aumentar a circulação.

o mais importante de tudo é a Música, em qualquer suporte (vinil, K7, cd, MP3, digital).

cheers

( :

a “feira” & a feira…

feira2

excelente a feira de discos que aconteceu, hoje, aqui no rio. muitas ofertas a bons preços e outras tantas pra lá de salgadas… como sempre, um dos pontos mais positivos é encontrar a rapeize fissuradaça em música.

mas o fato é que, como em 110% das situations no brasa, sempre fica aquele gostinho do “alguém me passou pra trás” ou “tem gente se dando bem e não é a maioria”.

esclarecendo: como você bem sabe, o mercado do vinil tomou proporções $inistróide$… sobretudo, a compra&venda das edições originais da música brasileira. com essa nova po$$ibilidade de faturar, muuuuuita gente mergulhou na comercialização das pepitas.

ok, ótimo, quanto mais interessados na cena melhor pra todo mundo.

acontece – e não é novidade – uma feira como a de hoje sofre interferências barra pesada dos que são, a princípio, meramente, intere$$ados nos discos… captou?

ou seja, quem está por dentro da feira – por exemplo, administradores/expositores – coloca em prática uma feira extra exclusiva para essa tchurma.

tipo, o horário de “abertura” da “feira” foi 11h… pois bem, teve neguinho “da$ interna$” que chegou às 9 da matina para “recepcionar” os vendedores… na calçada do bennett, local da “feira”.

outra, determinado expositor/vendedor cascudão aqui do rio, quase sempre chega com a “feira” beeeeem começada… como o material dele é muito especial, quando o elemento estaciona o carango, os “intere$$ados” montam uma tropa de choque em frente ao espaço – ainda vazio – do referido comerciante e ali ficam até os discos serem colocados à venda.

a fotoca de hoje é, exatamente, no instante do “sinal verde”… dá pra perceber que das três caixas com discos, duas (ou as três) estão sendo operadas “a socos & pontapés” por gente com crachá da “feira”… manjou?

prestenção, esse relato está longe, muuuuuuito longe, do chororô de alguém ter levado um Lp que eu estava querendo ou qualquer situação parecida. o que importa é a corriqueira sensação que a grande maioria jamais terá acesso à Feira como ela deveria ser.

fica aqui a idéia dos expositores/vendedores criarem uma feira exclusiva para eles… coisa normalíssima em qualquer mercado muito concorrido…. e aí, depois deles terem feito todos os negócios possíveis, eles montam uma feira para os que, simplesmente, ambicionam adquirir discos com alguma “prioridade” e que são os verdadeiros responsáveis por fazer essa roda girar… tadinhos de nós!

simples a$$im

ah, pra fechar… na saideira, passei pelo ponto da rapaziada bacanuda da tropicália discos (bruno & márcio) e avistei um sujeito embolsando o que seria um dos meus discos mais desejáveis do dia: “sound” de roscoe mitchell.

olhei pro cara e disse: caramba você está levando um disco monumental que tenho numa reedição. essa versão original da delmark é alucinante.

o sortudo disse: estou com o dinheiro curto se é pra gastar que seja com algo foda.

e eu deixei a feira felizão por saber que, a essa hora, roscoe mitchell está deixando um apaixonado por música coladindo no teto!

simples assim

o feitiço (ou as meninas balançando o coreto)…

RSD2016

o record store day tem sido pauta constante no roNca desde o dia em que nasceu. afinal, ele é a celebração máxima de algumas de nossas mais cascudas paixões: música, lojas de disco, criatividade, “divisão do pão”, originalidade & o diabo A4.

muito antes do RSD, todas essas conexões sonoras já habitavam nosso poleiro… e, por aqui, foram formadas gerações de fissurados em música… e vinil.

com o boom da música digital, era de se esperar alguma forma de reação ao sumiço do disco físico… e ele não tardou: “a volta do vinil” (sem que ele jamais tenha ido).

felizmente, o velho “plástico redondo com um furo no meio” agradou em cheio, sobretudo, à rapaziada que jamais havia visto um desses exemplares.

a indústria, claro, começou a (re)lançar os clássicos e a investir nas novidades onde muitas delas saiam apenas em vinil… festança. os gráficos de vendas do mercado galgavam parâmetros loucamente.

a “novidade” tomou uma dimensão tão frenética que atingiu o status de fetiche… ou seja, os novos interessados começaram a ficar, literalmente, enfeitiçados pelo “velhaco”, pouco se importando pelo som que vinha dentro dele. muitos sequer abriam o lacre. muitos, consequentemente, jamais ouviram os discos.

o importante era ter / exibir… tirar onda com o vinil amarelo. com a capa em 3D. com o poster gigante. com o formato quadrado do disco… enfim, a música não importava muito… tanto não era considerada que, ao longo dos últimos anos, o gosto da rapeize ficou pra lá de despirocado. tanto faz possuir na prateleira um arctic monkeys autografado quanto uma edição triangular da celine dion… tanto faz mesmo.

diante dessa incontrolável sede dos novíssimos consumidores, o record store day se afastou bastante de certos objetivos iniciais. atualmente, o mais relevante é saciar o tal feitiço de milhares e milhares de fissurados espalhados pelos cinco cantos do planetinha movimentando uma dinheirama como há muito tempo não se via.

aí, você pergunta: “o RSD perdeu a qualidade?”

aqui nos trópicos, distante da realidade dele, eu posso garantir que não perdeu a qualidade… mas, ao mesmo tempo, acho que o RSD ganhou uma quantidade enorme de lançamentos desnecessários para os que estavam com ele desde o início… discos que visam, acima de tudo, preencher a fúria consumista… e vamos combinar, lááááá atrás, por mais que o RSD visasse o sucesso financeiro, havia outros tipos de prioridades.

coincidentemente (ou não), esse ano, foi a primeira vez em que passei longe da magia do RSD. a operação de trazer as pepitas – que sempre envolveu um monte de traficantes/amigos/”aviões” – foi desmantelada. o preço influiu forte… mas o principal foi a diminuta quantidade de discos para fazer a roda aqui do poleiro girar.

anyway, anyhow, anywhere, o importante é a rapaziada seguir conectada e que ela mantenha o mercado em movimento pelas próprias pernas sem deixar que tudo se transforme numa modinha com validade… e como são meninas que fazem o coreto balançar: