adelzon alves

adelzon, janet & camillo (ou onde mora a arte?)…

“ONDE MORA A ARTE?” – LEIA O TEXTO CRÍTICO DE LUIZ CAMILLO OSORIO
1 DE DEZEMBRO DE 2017

Em um momento em que tudo se torna mercadoria e a prática artística é cada vez mais institucionalizada – vide a proliferação de feiras de arte mundo afora – onde mora a arte? A pergunta guia Luiz Camillo Osorio em mais um texto crítico exclusivo para o Prêmio PIPA. Com ares de cronista, o curador do Instituto PIPA traça um paralelo entre as experiências de Adelzon Alves, figura fundamental do samba carioca, e Janet Kim, criadora do espaço Tiny Creatures, em Los Angeles, que criaram, cada um a seu modo, uma “morada” para a arte.

ONDE MORA A ARTE?
Luiz Camillo Osorio

Este título é uma tradução livre de um livro da escritora e teórica Chris Kraus – Where art belongs. Deixá-la na forma de pergunta faz justiça ao espírito do livro e nos obriga a alguma atenção diante do risco de determinação conceitual. Em hipótese alguma o objetivo é o de fixar esta morada, ou seja, definir o que seja arte para em seguida excluir tudo aquilo que não se encaixa no conceito. Formular a pergunta e procurar por esta morada é buscar localizar um tipo de relação, sempre contingente, entre processos de criação, formas de sentimento e territórios institucionais. Os canais de circulação da arte são muitas vezes inesperados, deslocando as fronteiras institucionais e pondo em movimento a imaginação e o pensamento. A articulação entre surpresa e intensidade faz deste lugar da arte, onde ela irrompe e se apresenta, um lugar em que queremos estar mesmo sabendo que ele é efêmero.

A crescente mercantilização da vida tende a reduzir as expectativas do acontecimento poético, nivelando tudo pelo valor monetário e restringindo a circulação do que não se encaixa aí dentro. As feiras de arte são o espaço por excelência deste nivelamento. É tudo excessivo e previsível – o que esvazia a surpresa e a intensidade apontadas acima. Nada contra as feiras, elas cumprem seu papel. O problema é quando começam a se tornar paradigma, ou seja, querem ir além do comércio e virar espaço de arte. O excesso e a previsibilidade acabam disseminando-se institucionalmente. Este não é um problema atual. Instituir sempre foi tornar previsível; já o excesso é típico do espírito neurótico do nosso tempo. Assim somos obrigados a olhar para fora das instituições artísticas para procurar a poesia (surpresa) e a força estética (intensidade) que ali tendem a se acomodar. Obviamente que olhar para fora não exclui olhar para dentro, afinal estamos todos dentro procurando espaço de respiração.

No dia em que recebi pelo correio o livro de Chris Kraus encontrei o fotógrafo e DJ Mauricio Valladares. Isso é uma coincidência relevante só para este artigo. Tomamos uma cerveja e ele me disse: – “não perca meu programa na rádio Globo hoje à noite: entrevistei o Adelzon Alves!” Confesso a minha ignorância, desconhecia o Adelzon. Todavia, se o Mauricio entrevistou e estava entusiasmado, devia ser bom. Há uns 35 anos, desde o The Smiths em 1982, na memorável rádio Fluminense, Mauricio só me apresenta o que interessa. Este senhor, o Adelzon, por sua vez, fiquei sabendo na conversa, passa as madrugadas, desde a década de 1960, tocando e apresentando no rádio novidades do samba que agregam pessoas nas periferias. Foram histórias e mais histórias contadas com graça.

O cara que apresentou Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Clara Nunes, entre tantos outros, segue ainda garimpando música, fazendo suas “curadorias na madrugada”, indo de ônibus para a rádio Nacional e vivendo pacatamente na zona oeste. Seu programa, quando era na rádio Globo, estava sempre de portas abertas e os músicos saíam da Lapa e davam uma passada na Rua do Russell para uma canja. O desconhecido tinha 15 minutos de fama, mas a fama é o que menos interessava. Fazer música e difundi-la era e é a razão do seu programa. Sua existência é determinante para que exista um público, um espaço de troca, de conversa, ou seja, uma morada, entre outras, para a música popular. O ouvido e o programa de Adelzon são de uma generosidade que não cabem no mundo atual. Quer produzir encontros entre músicos e fazer de um programa no rádio um lugar para se estar no seu tempo e em outros tempos simultaneamente, para ouvir o que não se ouve normalmente e para nos tirar da lógica do consumo musical.

Algo parecido, apesar de todas as diferenças, aparece no primeiro capítulo do livro Where art belongs. Trata-se de uma apresentação do espaço alternativo de arte Tiny Creatures que funcionou em Los Angeles entre 2006 e 2009. Criado pela artista e musicista Janet Kim, a ideia era ter um lugar para juntar as pessoas e mostrar seus trabalhos. Tendo ido morar em um armazém na área de Echo Park em Los Angeles, fixou-se nos fundos e deixou amplo ambiente para os encontros. De início iam apenas amigos da cena underground local. A maioria músicos e artistas plásticos, todos saindo da universidade, pulando de trabalho em trabalho, buscando seguir fazendo coisas.

O que interessa na descrição de Chris Kraus é sua atenção para o espírito que mobilizava a criação do Tiny Creatures e como (não) lidar com o eventual sucesso. Nas primeiras apresentações, só amigos, tudo feito no improviso e na paixão – que se manifestava no desejo de fazer acontecer algo. “Tiny creatures is a desire to find a way to live our own way, to have a sense of community, to see each other while on earth, to share our lives, our pains, our talents, our thoughts, to capture a moment in time that will be lost or forgotten, and to package it with beauty, love, pain, and all that we can feel as humans”, escreveu Janet Kim no manifesto de 2007.

Desentendimentos e não profissionalismo marcaram este espaço nesses breves três anos. Sucesso também. Logo no final do primeiro ano de funcionamento havia uma espécie de frenesi, como nas festas da Factory de Warhol nos anos 60. Junkies, jetset, curadores e desocupados lotavam o lugar e movimentavam a redondeza. O Tiny ficara grande. Ou seja, era hora de acabar. Em 2009, no auge do sucesso, foi feito um manifesto de encerramento e uma finissagem. Não era essa a ideia que o fez existir – os amigos não mais se encontravam, música e exposição viravam obrigação e a arte, enquanto acontecimento que abre lugar para a surpresa e a intensidade, acomodava-se e virava objeto de mercado.

Perguntada em uma entrevista o que seria de Tiny Creatures depois do encerramento, Janet Kim foi precisa: “being a Tiny Creature as a tiny creature is. Ears and eyes. Surfing. Getting back into John Cage, Xenakis. Details. Concocting some sort of new drug. Embracing”. O acolhimento de formas abertas de produção poética se faz cada vez mais necessária em um mundo onde tudo é regrado e determinado. Esta abertura é desinteressada no sentido genuíno de uma procura por algo que não sabemos e nem podemos determinar a priori, mas que advém inesperadamente quando há atenção e disponibilidade. Sem isso há muita vontade de arte, só que sem arte. Resumindo pelo avesso: não sabemos exatamente onde mora a arte, mas percebemos quando ela deixa de estar presente. Que figuras como Adelzon Alves e Janet Kim, tão diferentes entre si, sigam buscando abrigá-la: na madrugada, nos detalhes.

SOBRE O AUTOR
Luiz Camillo Osorio é curador do Instituto PIPA, conselheiro e um dos idealizadores do Prêmio. É professor e atual diretor do Departamento de Filosofia da PUC-Rio. Foi curador do MAM-Rio entre 2009 e 2015.

DAQUI

adelzon reverberando n’aTRIPA…

adelzon.deta

muito bacana a reverberação pela visita de adelzon, ontem, ao programa na rádio globo.

lembrando que ele pode ser ouvido AQUI

como sempre, bernardão bnegão espalhou a notícia da visita e chapou inoxidavelmente:

Assunto: Re: o lendário radialista adelzon alves, hoje, na rádio globo…

“HISTÓRIA!!!!!!

Esse programa do Adelzon tem que ter umas 10 edições, mano…nossa senhora

Meu irmão…o que é que é isso…10 minutos já não deixaram pedra sobre pedra…caralho…tô quase chorando aqui”

❤️

+

Assunto: SGR#12 ou simplesmente Adelzon

“Olá Olá,

Cara, que momento!

D+ D+ D+

Depois de começar a semana ganhando o que Luzia ganhou na capoeira (perder Walter Becker, Rogéria e Holger Czukay),  – não vou nem lembrar das outras sipitucas que estão assolando por aí, porque aí só sentando na margem do rio Piedra – me vem você com essa lufada de ar. Uma pena poucos terem essa lucidez.

Só me resta dizer um muito muito MUITO obrigada

Abração,”
Willana (Olinda)

+

Assunto: Amigos da madrugada

“Mau Val,

após um tempo de readaptação, ouvindo aqui a aparição no SGR – e à espera do retorno do Ronca Ronca (saudade aplacada com o VAPODN).

E só apareço para dizer que Adelzon Alves merecia a aparição no SGR.

Afinal, se Adelzon Alves é o “amigo da madrugada”, verdadeira leNda influenciadora do espírito ronqueiro, você é o amigo do começo de madrugada de muita gente por aí.
Que siga o bom trabalho!

Abraços,”

Felipe

+

Assunto: conexão rádio e o pranto

rádio:

(…)

mestre adelzon a partir de 66;

big boy até 77, infelizmente…e adelzon;

a partir de 82, mauricio…e adelzon;

2017: adelzon e mauricio, juntos: puta que pariu, sem palavras para A história e o choro…

com respeito e felicidades ao mestre adelzon.

sem mais, por hora.”

flávio “selvagem” silveira
capitania do piauhy, séc.XVIII

a bula do SGR#12 com adelzon alves…

jackson+adelzon+gonzaga

esta é a única fotografia (tem mais?) do Histórico encontro de jackson do pandeiro e luiz gonzaga (com adelzon no meio) na rua do russel 434… quando, sem ninguém esperar, os dois monumentos fizeram as pazes, no início dos anos 80, no programa do amigão da madrugada.

ela é a bula da visita de adelzon ao nosso programa na rádio globo.

gravamos mais de duas horas de conversa e o material que não foi ao ar ontem será usado em outras edições… as músicas (zilá, paulinho da viola, jackson do pandeiro, clara nunes, wilson das neves…) foram, na realidade, pano de fundo para a experiência de vida narrada por adelzon.

o registro acima (quem fotografou?) é a marca que ficará como a tatuagem de nosso agradecimento.

quem não ouviu o programa… é só mergulhar AQUI

cheers

adelzon alves no SGR#12, hoje, às 23h, no dial e web…

o Rádio em sua forma mais verdadeira e inoxidável, logo mais, às 23h, na rua do russel 434… um programa que será cravado a fogo em nossos corações… e que, sem nenhuma dúvida, restará sobre o solo terrestre junto com as baratas e os discos de vinil depois do apocalipse… que, segundo adelzon, será mental (isso, o apô verdadeiro que vem aí fará a humanidade deixar de pensar. mamãe!). portanto, tudo faz mais sentido ainda.

são salvador…

adelzon.mv.corte

imperdível

rádio globo AM, FM e web

98.1FM rio, 94.1FM são paulo, 97.1FM recife, 102.1FM santos

cheers

(fotografia de carlos alberto)

lembrando (sempre) que adelzon alves é o responsável pela existência artística de paulinho da viola, martinho da vila, nelson cavaquinho, cartola, joão nogueira, dona ivone lara, djavan (ele mesmo), os tincoãs, clara nunes, jovelina perola negra, zeca pagodinho, bezerra da silva, candeia, roberto ribeiro e trocentros outros autores e intérpretes… além de ter aproximado – no programa – os gigantes jackson do pandeiro e luiz gonzaga!

a piscina dos sonhos (ou é deus, mamãe)…

como se trata de algo totalmente inusitado e Histórico, vou começar a esquentar a fogueira antes da hora…

adelzon.tico

este é o mitológico radialista adelzon alves, citado – desde sempre – como uma das minhas três principais influências no rádio… junto com big boy e john peel.

pois bem, depois de anos e anos admirando – à distância  – a trajetória de adelzon, surgiu a oportunidade de fazer contato com a leNda… mês passado, estive duas vezes no programa dele (foto acima) e amarramos a visita do monumento ao meu programa na rádio globo… ou seja, acertamos o retorno dele à rua do russel 434 de onde saiu no final dos anos 90.

papo pra lá, papo pra cá (contando com a logística do chapa carlos alberto), conseguimos juntar as pontas e… terça que vem, dia 5etembro, às 23h, na rádio globo AM – FM – web, adelzon alves estará com a gente.

é a realização de um sonho pessoal… a parte mais profunda da piscina radiofônica onde ousei mergulhar, minha mais inoxidável ação sonora em todos os tempos… e, acima de tudo, algo que será lembrado – para sempre – por todos que tiverem seus sentidos atropelados pela magia de adelzon.

amém

free_radio

weapon_tico

silvinho da portela, caçulinha & “preto e branco”…

entre as muitas razões que me levaram a encontrar adelzon alves (na quinta feira), estava o desejo de passar para o monumento o livro “preto e branco”…

adelzon.livro.tico

no que adelzon começou a folhear o dito cujo, instantaneamente, ao se deparar com determinada imagem (eu preferi não ver por onde ele estava passando os olhos), bradou:

– silvinho da portela

aí, claro, pulei em cima para saber qual fotografia exibia silvinho da portela…

silvinho

HAHAHAHAHA… que momento… adelzon tascou o dedo no cidadão de chapéu que há 40 anos (a foto é do carná de 78) alimenta nossa imaginação… e repetiu:

– silvinho, puxador de samba da portela por muitos anos

pra confirmar a gloriosa identificação, perguntou a caçulinha (assistente do programa e VIOLONISTA de PIXINGUINHA) que assinou embaixo:

– silvinho da portela

mamãe, que noite… que lendas, que Histórias!

xeretinha, evidente, pirou com caçulinha…

caculinha.tico

cheers

lembrando A carta de um ano atrás…

adelzon.rindo2.tico

pela volta de adelzon à rádio nacional e que deu resultado…

–  Caros doutores Roberto Marinho e Assis Chateaubriand.

Escrevo aos senhores, que foram donos do Brasil e tiveram os políticos sob seus pés – os maus políticos, vá lá, o que tornou suas biografias ainda mais interessantes -, bom, escrevo aos senhores como um último recurso.

Adelzon Alves, 76 anos, 77 daqui a pouco, 55 deles à frente de microfones de rádio, o nosso Adelzon, patrimônio da radiofonia brasileira, profissional que, de modo sobrenatural, consegue reunir excelência e bondade, o Adelzon, enfim, está fora do ar desde a última terça-feira, 20 de de julho.

Isso é um absurdo. Peço a ajuda dos senhores.

Na verdade, já era quarta quando foi ao ar pela última vez. Porque, como os senhores devem se lembrar – mais ainda o doutor Roberto, que foi patrão dele -, Adelzon é o “amigo da madrugada”. Apresenta, com este nome, “Amigo da Madrugada”, um programa desde 1966.

Caso o doutor Chatô não recorde, pois se foi daqui em 1968, e só conviveu dois anos com o sucesso do Adelzon, rogo ao doutor Roberto que confirme a minha descrição. Adelzon Alves é o principal radialista da história da MBB (Música Boa Brasileira). Trabalhou na Rádio Globo por 26 anos. Teria saído de lá (perdoe a indiscrição, doutor Roberto) depois que um sambista cismou de criticar a construtora Odebrecht no ar.

No dia seguinte, segundo relato de gente da época, o Adelzon nem da portaria da emissora da Rua do Russel 434 pôde passar. Águas passadas, doutor Roberto, o tempo as absorve e as absolve – e desconfio mesmo que o senhor não permitiria coisa assim hoje em dia, se por aqui ainda estivesse.

Adelzon é um homem pobre, espero que ele releve a minha inconfidência. Vinha ganhando um salário inacreditável na Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), braço do governo federal a que a Rádio Nacional, onde ele trabalha, está submetido.

Aliás, trabalhava. O contrato furreca dele, de R$ 5 mil mensais brutos, não descontados o que ele paga mensalmente de ISS e a um contador, expirou dia 20 – e a EBC não quis renová-lo. A estatal alegou que o país está em crise, que o orçamento da emissora anda prejudicado, e expurgou o nosso “amigo da madrugada”.

Doutor Roberto, doutor Chatô, não duvidem de mim. Adelzon, que nem celular tem, nunca tirou férias, nem descansou em feriado. Mora na Pedra de Guaratiba, bairro humilde da Zona Oeste do Rio, e, até anteontem, ia trabalhar todas as noites de trem. Tomava um ônibus até Santa Cruz, e dali embarcava no comboio da SuperVia.

Na volta, depois de três horas de programa, da meia-noite às 3h, caminhava até a Central do Brasil pra pegar um BRT. Chegava em casa às 5h da manhã. Nunca reclamou disso. À família, sempre disse ter um compromisso com a “música brasileira verdadeira”.

Peço ajuda aos senhores pra que intercedam, daí, de onde estão agora, e este crime de lesa-música seja revertido.

Em plena era das descobertas de imensas corrupções, quando milhões de reais públicos são desviados pra contas na Suíça, e outros bilhões igualmente nossos financiam as Olimpíadas do Rio ou maluquices como a Hidrelétrica de Belo Monte, não é possível que não haja R$ 5 mil no orçamento da EBC pra manter no ar o programa do Adelzon.

Nesta segunda-feira, 25 de julho, ao meio-dia, uma roda de samba promete se formar na Rua Gomes Freire, Centro velho do Rio, em frente ao prédio da EBC, num protesto contra atitude tão mesquinha de subalternos do governo provisório de Michel Temer.

Doutor Roberto, doutor Chatô, os senhores, que foram donos do Brasil e souberam como ninguém criar e conduzir o poder das rádios, os senhores precisam nos ajudar nesta causa.

O Adelzon, sabe bem o doutor Roberto, foi contratado pela Globo, em 1964, pra falar de ieieiê e jovem guarda. No entanto, pôs no ar sambistas do morro, como Cartola, Candeia, Nelson Cavaquinho, Zagaia, Silas de Oliveira, Geraldo Babão, Djalma Sabiá…

O Adelzon, praticamente, lançou Paulinho da Viola e Martinho da Vila.

Coisa parecida, doutor Chatô, com o que fez na sua querida (e nossa também) Rádio Tupi o locutor Salvador Batista.

Adelzon doou ao Brasil o sucesso de Clara Nunes. Lançou João Nogueira (saudade), Roberto Ribeiro (saudade também) e ainda Dona Ivone Lara e ainda Wilson Moreira e ainda tantos e tantos mais.

No programa dele, despontaram Zeca Pagodinho, Almir Guineto, muita gente. Não é possível que façam com ele o que estão fazendo agora.

No início dos anos 1970, Adelzon pôs em seu programa o eterno e grandioso Jackson do Pandeiro – e o resultado foi que a música nordestina se reaqueceu, e Jackson perdurou oito anos com nosso radialista no ar. Graças a esse gesto, vieram novas gravações de Luiz Gonzaga, só pra citar mais um mito.

Doutor Roberto, doutor Chatô, conto com os senhores, que foram donos do Brasil e souberam fazer rádios como ninguém, e tiveram sob seus pés os políticos – sobretudo, os maus e os mesquinhos e os avarentos. Conto com os senhores.

O Adelzon, que é figura maior e iluminada e desapegada das coisas terrenas, não está pedindo ajuda, nem nada. Quem estamos somos nós. Humildemente, somos nós. Em nome do bom rádio brasileiro, humildemente, somos nós.

Com respeito, acolham este tão sincero rogo e aceitem, por favor, o cumprimento, embora desimportante, deste cronista digital.

Marceu Vieira (daqui)

o Mito, ontem…

– de repente, durante o programa, percebi a entrada no estúdio de dois sujeitos da mesma estatura, meio cambaleantes… eles foram se aproximando, se iluminando e identifiquei nelson cavaquinho e lupicínio rodrigues… que ficaram durante toda a madrugada cantando e papeando.

esse foi um dos INACREDITÁVEIS relatos que testemunhei, ontem, de adelzon alves, antes Dele entrar no ar… na rádio nacional para fazer a madrugada até às 3 da matina.

realizei meu sonho de ficar cara a cara com o Mito… aprendi muito de sua indomável e incendiária personalidade, de seu conhecimento gigantesco, das amizades inoxidáveis, de seu inabalável comprometimento político com a cultura brasileira, de seu desapego absoluto com o mundo material, do amor infindável pela música… enfim, fiquei muito feliz, não consegui segurar o blu blu (como era previsto), as perninhas tremeram e a xeretinha pirou…

adelzon.RWL

agradecimentos 1000 a carlos alberto o artesão do encontro e responsável por ter levado nelsão e lupe ao estúdio da rádio globo, por volta de 1970!

cheers

adelzon.vaso.tico

o amigo da madrugada…

ronca.mic2

Assunto: Adelzon Alves is back!
“Fala MauVal, tudo em riba?

Você levantou essa bola numa das últimas edições e eu também fiquei intrigado. Bom, estou aproveitando a falta de sono para confirmar que ele está novamente entre nós, Adelzon Alves na área e Elza Soares ecoando firme na Rádio Nacional.

cheers,”

/ + /

Jeferson

O samba de raiz, as histórias da nossa música, seus autores e intérpretes, e um bom papo com a melhor companhia para as suas madrugadas é com o produtor musical e apresentador Adelzon Alves. Ouça de terça a sábado, da meia-noite às 3h…

no dial AM 1130 ou pelo site

adelzon alves, o amigo da madrugada…

adelzon

–  Caros doutores Roberto Marinho e Assis Chateaubriand.

Escrevo aos senhores, que foram donos do Brasil e tiveram os políticos sob seus pés – os maus políticos, vá lá, o que tornou suas biografias ainda mais interessantes -, bom, escrevo aos senhores como um último recurso.

Adelzon Alves, 76 anos, 77 daqui a pouco, 55 deles à frente de microfones de rádio, o nosso Adelzon, patrimônio da radiofonia brasileira, profissional que, de modo sobrenatural, consegue reunir excelência e bondade, o Adelzon, enfim, está fora do ar desde a última terça-feira, 20 de de julho.

Isso é um absurdo. Peço a ajuda dos senhores.

Na verdade, já era quarta quando foi ao ar pela última vez. Porque, como os senhores devem se lembrar – mais ainda o doutor Roberto, que foi patrão dele -, Adelzon é o “amigo da madrugada”. Apresenta, com este nome, “Amigo da Madrugada”, um programa desde 1966.

Caso o doutor Chatô não recorde, pois se foi daqui em 1968, e só conviveu dois anos com o sucesso do Adelzon, rogo ao doutor Roberto que confirme a minha descrição. Adelzon Alves é o principal radialista da história da MBB (Música Boa Brasileira). Trabalhou na Rádio Globo por 26 anos. Teria saído de lá (perdoe a indiscrição, doutor Roberto) depois que um sambista cismou de criticar a construtora Odebrecht no ar.

No dia seguinte, segundo relato de gente da época, o Adelzon nem da portaria da emissora da Rua do Russel 434 pôde passar. Águas passadas, doutor Roberto, o tempo as absorve e as absolve – e desconfio mesmo que o senhor não permitiria coisa assim hoje em dia, se por aqui ainda estivesse.

Adelzon é um homem pobre, espero que ele releve a minha inconfidência. Vinha ganhando um salário inacreditável na Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), braço do governo federal a que a Rádio Nacional, onde ele trabalha, está submetido.

Aliás, trabalhava. O contrato furreca dele, de R$ 5 mil mensais brutos, não descontados o que ele paga mensalmente de ISS e a um contador, expirou dia 20 – e a EBC não quis renová-lo. A estatal alegou que o país está em crise, que o orçamento da emissora anda prejudicado, e expurgou o nosso “amigo da madrugada”.

Doutor Roberto, doutor Chatô, não duvidem de mim. Adelzon, que nem celular tem, nunca tirou férias, nem descansou em feriado. Mora na Pedra de Guaratiba, bairro humilde da Zona Oeste do Rio, e, até anteontem, ia trabalhar todas as noites de trem. Tomava um ônibus até Santa Cruz, e dali embarcava no comboio da SuperVia.

Na volta, depois de três horas de programa, da meia-noite às 3h, caminhava até a Central do Brasil pra pegar um BRT. Chegava em casa às 5h da manhã. Nunca reclamou disso. À família, sempre disse ter um compromisso com a “música brasileira verdadeira”.

Peço ajuda aos senhores pra que intercedam, daí, de onde estão agora, e este crime de lesa-música seja revertido.

Em plena era das descobertas de imensas corrupções, quando milhões de reais públicos são desviados pra contas na Suíça, e outros bilhões igualmente nossos financiam as Olimpíadas do Rio ou maluquices como a Hidrelétrica de Belo Monte, não é possível que não haja R$ 5 mil no orçamento da EBC pra manter no ar o programa do Adelzon.

Nesta segunda-feira, 25 de julho, ao meio-dia, uma roda de samba promete se formar na Rua Gomes Freire, Centro velho do Rio, em frente ao prédio da EBC, num protesto contra atitude tão mesquinha de subalternos do governo provisório de Michel Temer.

Doutor Roberto, doutor Chatô, os senhores, que foram donos do Brasil e souberam como ninguém criar e conduzir o poder das rádios, os senhores precisam nos ajudar nesta causa.

O Adelzon, sabe bem o doutor Roberto, foi contratado pela Globo, em 1964, pra falar de ieieiê e jovem guarda. No entanto, pôs no ar sambistas do morro, como Cartola, Candeia, Nelson Cavaquinho, Zagaia, Silas de Oliveira, Geraldo Babão, Djalma Sabiá…

O Adelzon, praticamente, lançou Paulinho da Viola e Martinho da Vila.

Coisa parecida, doutor Chatô, com o que fez na sua querida (e nossa também) Rádio Tupi o locutor Salvador Batista.

Adelzon doou ao Brasil o sucesso de Clara Nunes. Lançou João Nogueira (saudade), Roberto Ribeiro (saudade também) e ainda Dona Ivone Lara e ainda Wilson Moreira e ainda tantos e tantos mais.

No programa dele, despontaram Zeca Pagodinho, Almir Guineto, muita gente. Não é possível que façam com ele o que estão fazendo agora.

No início dos anos 1970, Adelzon pôs em seu programa o eterno e grandioso Jackson do Pandeiro – e o resultado foi que a música nordestina se reaqueceu, e Jackson perdurou oito anos com nosso radialista no ar. Graças a esse gesto, vieram novas gravações de Luiz Gonzaga, só pra citar mais um mito.

Doutor Roberto, doutor Chatô, conto com os senhores, que foram donos do Brasil e souberam fazer rádios como ninguém, e tiveram sob seus pés os políticos – sobretudo, os maus e os mesquinhos e os avarentos. Conto com os senhores.

O Adelzon, que é figura maior e iluminada e desapegada das coisas terrenas, não está pedindo ajuda, nem nada. Quem estamos somos nós. Humildemente, somos nós. Em nome do bom rádio brasileiro, humildemente, somos nós.

Com respeito, acolham este tão sincero rogo e aceitem, por favor, o cumprimento, embora desimportante, deste cronista digital.

Marceu Vieira (daqui)