Arquivo da categoria: brasil

“vamos cantar juntos o hino nacional (a lágrima é verdadeira)”…

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade.

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã.

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão.

Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos celebrar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso – com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção.

Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão.

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera –
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição


racionalizando a burrice…

quero

a atual desorientação nas linhas de ônibus da cidade de são sebastião foi criada por gênios que jamais necessitaram do referido transporte público… imagino como essa mulambada, em ambientes refrigerados e com seus carangos estacionados na “firma”, resolveu racionalizar (?!) a mobilidade do carioca.

conclusão, a população está injuriada, gastando mais $$$, mais tempo… e sem ter a mínima noção de que porra é essa de racionalização.

hoje mesmo, fui informado – já dentro do busão – que o intinerário de décadas havia sido mudado e que, simplesmente, o mercedão não passaria por onde eu achava que ele estava indo… mas como assim, bial? que bagulho caótico é esse?

xeretinha ficou putaça e registrou – por volta de meio dia – a invasão dos coletivos vazios na extensão de importante via… ué, mas não tinham reduzido o número de carroças trafegando?

bus

sinistróide… mas a rapaziada tá encarando a situação… chega mais AQUI.

grande maricá…

FUTEBOL - HISTÓRIA DO VASCO - ESPORTES - ACERVO - Os jogadores do Vasco em pé(da esquerda para a direita); Odvan, Válber, Evair, Mauro Galvão e o goleiro Márcio - Agachados: César Prates, Mauricinho, Fabrício, Pedrinho, Maricá e Felipe, antes da partida contra o Santos FC, válida pelo Campeonato Brasileiro de 1997 - Estádio Urbano Caldeira(Vila Belmiro) - Santos - SP - Brasil - 24/08/1997 - Foto: Acervo/Gazeta Press

.

maricá, o monumento ladeado acima por pedrinho e felipe, teve sua honra e História estupradas nas últimas horas… e pior, por um vascaíno. ôxente, um cidadão que integrou o melhor time do CRVG que testemunhei, campeão brasileiro/97 e base do time campeão da libertadores/98, terá para sempre seu nome no olimpo do futiba mundial.

mesmo assim, durante bate boca recente, o grande maricá foi achincalhado pelo tal elemento… que encarou, felizmente, a reação contundente de outro vascaíno que, apesar de viver na miséria, conseguiu forças para o revide… pena que o juíz (sempre ele) omitiu a íntegra na súmula.

com absoluta exclusividade, o tico tico apresenta a verdade dos fatos:

vascaíno1: “porra, luiz… maricá é uma merda e você um pobretão arretado”

vascaíno2: “VTNC, duda… é melhor ser pobre do que ter fama de bichona. não fode”

a escalação…

Odvan, Válber, Evair, Mauro Galvão e o goleiro Márcio – Agachados: César Prates, Mauricinho, Fabrício, Pedrinho, Maricá e Felipe

lula.fjv

sem barreiras (ou a realidade)…

passei ainda agora (são 9:20) pela pastelaria para assuntar como foi o fim de semana da rapeize e, logo de cara, esbarrei com o teco (botafoguense) teorizando:

– mas que beleza de faixa colocaram, ontem, em são januário, hein?

julinha emendou:

– na verdade esse tipo de associação com a barreira era para ser oficial há muito tempo. os co-irmãos da zona sul além de não engolirem nosso estádio, fazem de tudo para demonizar a comunidade. quantos de vocês já ouviram falar de carro roubado, arrastão, furto, arma na cabeça e coisas parecidas em dias de jogo na colina? e no maracanã? quer que eu diga quantos conhecidos meus já foram vítimas dessa praga? quer?  porra, a vênus falou de violência em todas as matérias sobre o jogo de ontem… aí, vem o pelasaco do luiz roberto lamentar que são januário não está lotado. caraca, aterrorizaram durante toda a semana pra quê?

o fato é que após o falatório de julinha ouviu-se um silêncio profundo no estabelecimento.

enfim…

“bem-vindos à barreira do vasco, a casa do legítimo clube do povo”

barreira

cheguei em casa e corri para a edição da revista realidade de julho1969…

vasco.realidade.jul69

“crescer na adversidade”…  letrinhas verdadeiramente vascaínas.

( :

“de dentro”…

cacique.tico

Fred Coelho / o globo

Durante os anos 1980 e 1990, grosso modo, eram poucas as opções “jovens” para passar o carnaval na cidade. Existiam os tradicionais blocos e bandas da Zona Sul e da Zona Norte, voltados principalmente para seus moradores. Existiam também os grandes blocos do Centro, abandonados à sua própria sorte na época. A sensação era de certo esvaziamento da festa de rua. Além disso, no geral, fantasia era algo que ninguém usava (a não ser que fosse parte de uma turma de bate-bola ou de escola de samba). Cantar marchinhas, só em bailes de salão. Ficar em casa vendo desfile pela televisão ou viajar para “carnavais” fora da cidade eram as opções que restavam. Na virada do século, porém, isso começou a mudar.

Sou de uma geração que viu “de dentro” o surgimento do “novo-velho” carnaval de rua do Rio. Estava na faculdade (amém IFCS!) quando amigos próximos e amigos de amigos começaram as primeiras formações de grupos que, hoje, são responsáveis por alguns dos blocos mais concorridos. Aqui, arrisco uma hipótese de jornal: esses e outros blocos cruzam suas histórias com um movimento sonoro e cultural mais amplo na cidade. Nos anos 1990, a explosão do mangue bit de Recife (ou beat, como queira) abriu caminhos para uma certa redescoberta de sonoridades populares brasileiras (maracatu, coco e embolada, por exemplo). Vale lembrar também que foi nessa época a reocupação da Lapa como um espaço de retomada do samba em bares como Semente e Carioca da Gema. Essa abertura musical “rumo ao Brasil” ocorreu justamente no período em que a cidade se encontrava mais dividida do que nunca pela violência urbana.

Nessa época, tínhamos em funcionamento três frentes sonoras no Rio que, a meu ver, colaboraram para formar os atuais blocos da cidade. Na primeira, uma ideia vaga de “mistura” era a regra, seja pelo impacto da fusão poderosa que o Recife produzia (e de suas alfaias, seus agogôs e suas percussões), seja pela necessidade difusa de se encontrar um ponto de convergência cultural na cidade. Essa “mistura” ficou marcada pelo groove brasileiro de bandas como Pedro Luís e a Parede e Farofa Carioca. Em uma segunda frente da música pop-jovem da época, ocorreu uma entrada massiva do forró como gênero popular da juventude universitária (e aqui vale ressaltar a pouca adesão da axé music baiana por parte desses segmentos). E, por fim, tínhamos na terceira frente as periferias da cidade e sua juventude inventora de batidas contemporâneas. Eles aprofundavam o funk e cada vez mais ouviam e produziam rap e reggae — ritmos da diáspora africana nas Américas. Eram sons que confirmavam um perfil mais urbano e ácido sobre o carioca. Bandas como Planet Hemp e O Rappa são exemplos bem-ucedidos desse universo. Muitos outros ritmos e grupos atuavam na época — como o rock independente, a cena eletrônica, o pagode radiofônico ou a MPB mais tradicional —, mas nenhum deles envolveu com tanta intensidade a geração que atravessou a virada do século na cidade fundando blocos.

E o que esse papo todo tem com o atual carnaval carioca? Três de seus principais nomes são frutos diretos desse contexto que soma uma matriz percussiva brasileira, a adesão aos sons da cultura popular e a intensidade das batidas de funk em marcações mais aceleradas. O Cordão do Boitatá, cujo primeiro desfile foi em 1999, tem entre seus fundadores músicos e pesquisadores do folclore brasileiro. Seus desfiles são responsáveis por reintroduzir no carnaval de rua de sua geração o bloco com as marchinhas tradicionais, a circulação pela parte antiga do Centro e a fantasia como regra, não mais como exceção. Já Monobloco, criado pela Parede percussiva de Pedro Luís, fez seu primeiro desfile de batucadas na Gávea, em 2000. O Céu na Terra, inaugurado com um desfile inesquecível pelas ruas de Santa Teresa em 2001, passou a dividir com as Carmelitas o lugar de bloco do bairro. Seus integrantes também eram em sua maioria estudantes de música, antropólogos e pesquisadores musicais com interesse pela cultura brasileira e seu folclore.

É claro que o carnaval carioca de rua não ressurgiu neste século apenas por conta desses blocos. São exemplos próximos de certo universo musical e cultural que alimentou uma geração no final dos anos 1990. Os desfiles dos Escravos da Mauá no Largo da Prainha ou a redescoberta do Bola Preta e do Cacique de Ramos são outros eventos fundamentais para o que vemos hoje. Também é claro que estar na rua com a alegria de se fantasiar, de atravessar a cidade, de se perder por aí, tudo isso sempre existiu em algum nível. Mas o que vemos hoje é diferente.

Chegamos a um carnaval com inúmeros blocos temáticos, cuja ênfase na festa às vezes é maior do que no samba. Isso vem causando, inclusive, uma série de críticas por parte dos que vivem mais próximos do universo tradicional das escolas, quadras e blocos tradicionais de bairro. Críticas à parte, sem dúvida foi a partir de 2000 que uma geração reocupou as ruas e liberou seus corpos. E isso, parece, não tem mais volta.

“os miseráveis”, márcia & o rei…

foletto

A fotógrafa brasileira Márcia Foletto venceu nesta terça-feira o Prêmio de Jornalismo Rei da Espanha na categoria Fotografia por uma imagem de uma série de fotos sobre a pobreza no estado do Rio de Janeiro.

“Os miseráveis”, uma série de oito fotos publicadas pelo jornal “O Globo” em 31 de junho de 2015, retrata a extrema pobreza na qual vive 3,77% da população fluminense.

Márcia começou a trabalhar no ramo aos 18 anos e desde 1991 faz parte da redação do Globo. Possui vários prêmios por imagens captadas no Rio de Janeiro, de temas que vão desde operações militares em favelas até o Carnaval.

O júri da 33ª Edição dos Prêmios Rei da Espanha, convocados anualmente pela Agência Efe e pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), escolheu o trabalho de Márcia Foletto entre os 18 apresentados na categoria Fotografia.

Em sua ata, o júri avaliou a beleza plástica da fotografia: um contraste de claro-escuro do interior de uma favela em Belford Roxo no qual é possível ver duas crianças fazem os deveres da escola, alheias à pobreza que as rodeia.

O prêmio na categoria Fotografia é de 6 mil euros (mais de R$ 26 mil) e uma estátua em bronze do artista Joaquín Vaquero Turcios. (daqui)