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torquato pai (ou “o sapato voou longe?”)…
existe avenida, catedral, praia, carrinho de pipoca, estádio, programa de rádio, sanduiche, centro cultural, farmácia, padaria, banco (de $ e de praça), estação rodoviária, beco, centro espírita, livraria, edifício, sabonete, cinema, país, cidade com nome torquato neto?

“encerrando o perdidos”…
que situação, hein? pra fechar o programa, faustinho – prestes a se transferir para a vênus platinada – colocou duas músicas com as mercenárias, AO VIVO, num sábado, em 1988. nessa época, o the cure lotava dois maracanãzinhos, o new order também, suzana & os baixinhos estavam por aqui, nick cave também, jesus & mary chain também, echo implodiu o canecão… lembrando, estamos em 1988, ok? e a bandeirantes colocava as mercenárias no “horário nobre”… o mundo gira & a lusitana roda… ou como diz o possante orbílio: “e o mundo se acabando lá fora”!

presença+lanny+gal…
dizem os historiadores que o jornal presença foi a terceira publicação independente a bater de frente com a ditadura aqui pelos lados da cidade de são sebastião… logo depois do sol (67) e pasquim (69)… o presa teve apenas – pelo o que consta – dois números lançados no final de 1971… e abriu caminho para a chegada da rolling stone. os formatos e assuntos eram muito parecidos. o número um do presença destacou: “john lennon – torquato – andy warhol – waldick soriano – helio oiticica – erasmo – gal – macrobiótica”. a capa estampou o MEGA espetacular guitarrista lanny (19 anos) que, na época, galgava parâmetros com gal costa. pode começar a chorar de emoção…


o mesmo número um do presa publicou o anúncio do célebre show…

janis-módulo-zé-sonho-fome (ou a RS4 brasileira)…
a quarta edição da rolling stone brasileira foi com Elazinha na capa…

destacou um anúncio de página inteira com eles…

publicou a estréia de zé emilio no jornalismo (acabei de confirmar com ele)…

alimentou os sonhos da rapaziada…

e exibiu a fome da rapaziada…

chove chuva (ou mas que água, hein?)
pra conferir o canto da peça…

maciel fatal & a rolling stone…
com data 1fevereiro1972, foi lançada a primeira edição brasileira da revista rolling stone. luiz carlos maciel era o editor, a capa (layout duplo) estampava big boy…

e a revista dobrada tinha caetano na frente, era a imagem das bancas…

na seção de lançamentos, o principal disco foi “gal fatal / a todo vapor”, apresentado por LCM. na mesma página, outra novidade, dessa vez, resenhada por jorge mautner…


new order (ou maciel, a leNda)…

“Um tanto constrangido, é verdade, mas sem outro jeito, aproveito esse meio de comunicação, típico da era contemporânea e de suas maravilhas, para levar ao conhecimento público o fato desagradável de que estou sem trabalho e, por conseguinte, sem dinheiro. É triste, mas é verdade. Estou desempregado há quase um ano. Preciso urgentemente de um trabalho que me dê uma grana capaz de aliviar este verdadeiro sufoco. Sei ler e escrever, sei dar aulas, já fiz direções de teatro e de cinema, já escrevi para o teatro, o cinema e a televisão. Publiquei vários livros, inclusive sobre técnicas de roteiro, faço supervisão nessas áreas de minha experiência, dou consultoria, tenho – permitam-me que o confesse – muitas competências. Na mídia impressa, já escrevi artigos, crônicas, reportagens… O que vier, eu traço. Até represento, só não danço nem canto. Será que não há um jeito honesto de ganhar a vida com o suor de meu rosto?” Luiz Carlos Maciel
este grito de socorro foi colocado na web por um dos mais inoxidáveis brasileiros que conhecemos… especialmente para mim, maciel significou – por muito tempo – algo parecido com a importância dos mais avançados/modernos/atualizados sites de informação para a garotada de hoje.
diversas vezes cruzei com ele na rua… e sempre com o mesmo papo: “maciel, você é uma referência, uma lenda, um monstro, um fissurado em música. vamos combinar sua visita ao roNca roNca”… ele ria, concordava… e a coisa nunca andou.
não sei se felizmente ou infelizmente mas o fato é que o S.O.S ganhou espaço na mídia e, a essa hora, (TOMARA) maciel já possa pagar as contas… mas a creca seguirá no ar… outros “macieis” estão na mesma gaveta do esquecimento, da burrice, do bundamolismo, da padronização… um dos lados da tristeza pode ser conferido aqui, de onde retirei as devastadoras letrinhas de LCM!
maciel forévis… e forévis!
o mundo é dos…

na manhã de 11setembro2001 eu estava mimindo quando o telefone tocou com toni platão aos berros do outro lado…
– acorda, porra. entrou um avião por dentro de um edifício em nova iorque…
eu:
– porra, não fode… vai fazer gracinha na casa do…
ele:
– porra, acorda… é um ataque terrorista foda nos states…
eu:
– é? tá bom. vou ligar… tchau
liguei e dei com os cornos no exato momento do segundo avião explodir na outra torre… chapei… colei na TV… o planeta colou na TV.
em outra ocasião, bem antes, meu primo telefonou:
– liga agora a TV que raul seixas tá dando um entrevista do caralho sobre a ressaca
liguei no ato e testemunhei raulzito, profético, teorizando sobre as forças da natureza… manja esse momento, né?
enfim, tudo isso pra reforçar que a TV tem sido – nos últimos tempos – uma fonte instantânea de informação… assim como o rádio, procede?
só que, para os assinantes da NET, a coisa mudou brutalmente. voltamos aos anos 60 quando os aparelhos de TV tinham que esquentar pra funcionar. isso porque diante de mais uma mudança tecnológica – que deveria ser para melhor – a bodega ao ser ligada fica quase um minuto com a tela preenchida, apenas, por uma informação xexelenta que diz:
– atualizando informações. por favor aguarde
ontem, cruzei com um técnico da NET, perguntei sobre a situação e ele garantiu que esse é o novo “padrão de qualidade” da empresa… aproveitei a ocasião pra confirmar:
– queridão, então, se eu chegar em casa e quiser ver a cobrança do último penalti da decisão do mundial de clubes, naquele instante… só verei o replay?
ele:
– isso… só quando repetirem a imagem
um chapa, altamente tecnológico / modernão, me disse que acabou de descobrir um jeito para enfrentar a nhaca: “deixo a TV ligada, direto”!
PQParille!!!
bem-vindo ao mundo dos…
zeca tenha piedade de nós (ou marinho, nosso ídolo)…

não é preciso voltar a fita para as lamentações de sempre sobre o mundinho raso no qual estamos metidos globalmente (!)… mas é dose pra mamute enfurecido testemunhar a nota acima publicada, hoje, no maior jornal do país, na coluna mais lida do país, assinada por um dos mais renomados jornalistas do país… ou seja, “que país é esse?”… na boa, essas letrinhas são o típico exemplo do “jornalismo” desprezível que faz, a cada minuto, neguinho navegar à margem da “grande” imprensa.
zeca, a essa hora, está gargalhando com pena da gente… pobre raul, entrou de gaiato nesse titanic… coitado do vinil, outra vítima do bundamolismo galopante… vem marinho…





