Arquivo da categoria: imprensa

não dá pra entender (ou claro que dá pra entender)…

o STF declarou, hoje, o sport de recife campeão brasileiro de 1987 após séculos de disputas. ao noticiar o fato, o globo ilustrou a matéria com a foto do time derrotado…

mengo

hahaha… e o texto ainda mostra a onda tirada pelo clube com a decisão final:

– O Flamengo se manifestou anunciando que aguardará a publicação da decisão para avaliar se caberá novo recurso. Nas redes sociais, o clube publicou uma foto do time de 87, com o texto “Campeão Brasileiro de 1987” –

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mas que momento, hein? redes sociais? ahhhhhhhhh, tá

catherine leroy…

 The Greatest War Photographer You’ve Never Heard Of

leroy

Very few women went to Vietnam as journalists, and even fewer as dedicated war photojournalists. In fact, for most of the 1960s, there were only two: Dickie Chapelle, who was killed by a grenade in 1965, and Catherine Leroy.

Leroy was widely considered the most daring photographer in Vietnam. She almost certainly spent the most time in combat — in part because she had no money, having traveled from her native France to Vietnam as a freelancer in 1966 with no contracts and a short list of published work. Living with soldiers meant that she could eat rations and sleep in the countryside.

Leroy faced no shortage of sexism. After she parachuted into combat during Operation Junction City, in early 1967, rumors circulated that she had slept with a colonel in exchange for permission. In fact, she had earned her parachutist license as a teenager, and had already jumped 84 times. Still, she developed a reputation as a photographer quickly, selling photos to The Associated Press and U.P.I.

At one point during the Tet offensive, in early 1968, she was captured by the North Vietnamese Army while with the French journalist Francois Mazure. There was a young lieutenant that they could converse with in French. They explained that they were journalists and would do no harm, so the soldiers decided to let them go. But first she persuaded them to let her take photos, saying that it was important because only one side of the story was being seen. The photos ran as a cover story in Life magazine, which she wrote herself.

Leroy never promoted herself or her work, which is one reason she remains largely unknown among the war photographers of the day (though not forgotten: In 2015 the writer and filmmaker Jacques Menasche completed a documentary about her career, “Cathy at War”; a clip from the film is available here). But she was one of the Vietnam War’s most lauded photojournalists, winning Picture of the Year from the George Polk Awards and, for her later work in Lebanon, the Robert Capa Gold Medal.

Later in life, Leroy ran a vintage clothing website. She died in Santa Monica, Calif., in 2006.

DAQUI

https://vimeo.com/201391788

sir elton (ou the rolling stones X rolling stone)…

gosto pra meirelles de elton… os discos “tumbleweed connection” e “madman across the water” estão na minha prateleira de favoritos de todos os tempos… e, felizmente, já tive a sorte de cruzar com ele em algumas oportunidades… no palco.

pela proximidade de mais uma visita de sir reginald ao brasa, o globo se empolgou e tascou no ar o maior textão sobre o cidadão, assinado por duas responsáveis… UAU.

só que, aos primeiros segundos de leitura, pipocaram informações que comprometeram muito a continuação da mesma… ôxente, nem vou empacar no tal show do wembley empire pool (?????!!!!!!), em 1975… mas, pelamordedeus, a essa altura do championship, uma matéria musical no GLOBO (assinada por duas jornalistas) chamar a publicação ROLLING STONE de ROLLING STONES é dose pra mamute enfurecido em décimo mês de gestação:

– Em 1975, o artista vendeu cerca de dois milhões de álbuns e reuniu mais de 60 mil pessoas no Wembley Empire Pool, em Londres, como O GLOBO publicou em 24 de julho de 1975.

– Entre os seus mais de 30 álbuns, ”Goodbye yellow brick road” (1973) e ”Captain Fantastic and the brown dirt cowboy” (1975) estão incluídos no ranking de melhores discos do século XX, elaborado pela revista “Rolling Stones”.

– Sem (?!) nunca tinha aparecido com uma namorada em público, em 1976, numa entrevista à “Rolling Stones”, admitiu ser bissexual

sinistróide… ah, e pra fechar, meteram eltinho no rock in rio desse ano (será?):

–  Por duas vezes, participou do Rock in Rio, abrindo o evento no Palco Mundo em 23 de novembro de 2011 e 20 de setembro de 2015. O músico já confirmou mais um espetáculo no festival em 2017.

e o textão ficará no ar, eternamente. afinal, pertence ao acervo do jornal.

triste, muito triste

) :

elton.tico_

(wembley stadium, 1975)

ornette & bob…

Bill Flanagan: A few years ago I went to one of your concerts and found myself sitting next to Ornette Coleman. After the show I went backstage and there were some very famous rock musicians and actors waiting around, but the only person you invited into your dressing room was Ornette. Do you feel a connection with those jazz guys?

Bob Dylan: Yeah, I always have. I knew Ornette a little bit and we did have a few things in common. He faced a lot of adversity, the critics were against him, other jazz players that were jealous. He was doing something so new, so groundbreaking, they didn’t understand it. It wasn’t unlike the abuse that was thrown at me for doing some of the same kind of things, although with different forms of music.

DAQUI

ronca.tico

evilasio mandou pra gente (ou são grimaldi)…

Assunto: Pedras rolando na rede
“Salve, MauVal!

Essa aqui eu soube pelo Bento Araújo, que publicou na página dele do Facebook: um colecionador, de nome Cristiano Grimaldi, digitalizou e disponibilizou na web todas edições da primeira encarnação da Rolling Stone brazuca. Confere: https://www.pedrarolante.com.br/
Bom mergulho. 😉
Abração,”
Evilasio
RS1
.
D+D+D+D+

ricardo & o #221…

ronca.tico

circulando pela parte fuNda da piscina, o jornalista ricardo schott (apresentador do programa “acorde” na rádio roquette pinto fm) reverberou o #221 com as seguintes letrinhas:

“O roNca roNca de ontem está muito bonito. E muito triste. O repertório (apresentado sem as aparições de Mauricio Valladares e Shogun) é inteiramente dedicado a uma amiga do programa que saiu de cena na segunda de carnaval. Se fazer rádio decente (na web ou na FM) hoje em dia é um ato de coragem, fazer um programa como esses é um procedimento bem mais corajoso ainda.”

ignorou a chave (ou dorinha vem aí)…

chave

(foto domingos peixoto)

o prefeito da cidade de são sebastião resolveu ignorar o momento mais simbólico-histórico-tradicional do embalo não comparecendo à “entrega de chave” que marca, oficialmente, o início do reinado de momo… simplesmente, mandou o lima, tomou doril, c_ _ _ u solenemente no rito ancestral da cariocada… que situação mais patética, hein? tá tudo AQUI.

mas é o tal negócio, não sei se já esperavam essa maluquice dele logo aos primeiros minutos do mandato… mas o fato é que tudo isso está perfeitamente alinhado às idéias do elemento.

lembra que, recentemente, no roNca, comentamos que o carnaval de rua atual pode tomar um toco sinistróide dos responsáveis pelo “bom comportamento” da cidade?

pois é, tô achando que o toco já está em prática… e como tudo é cíclico e do jeito que as coisas estão andando, logo logo, o carná poderá ter uma configuração muuuuito diferente pelas ruas da cidade maravilhosa… sempre lembrando que dorinha está fazendo de tudo para são paulo abocanhar todos os turistas do universo… e vamos combinar que em preço, segurança e qualidade de serviços a tchurma do 011 dá de dez na do 021… só falta a praia, mero detalhe pra quem tá numas de ficar zozó / totalmente chamberlain por quatro (ou oito) dias seguidos entoando “olha a cabeleira do zezé”.

engrossando o caldo, o ouvinte luiz mandou as letras que o jornalista aydano andré motta (conhecedor deep de momo) postou:

estarão arrependidos a liga e os presidentes das escolas pelo apoio que deram ao crivella?? acho que já deu pra sentir o apreço que ele tem pelo carnaval, né??? e já deu pra entender o que ele (não) vai fazer ano que vem, certo?
editei o post para acrescentar um comentário: como na história da TV globo, a cobrança tem de ser na turma do samba que o apoiou. o crivella jamais escondeu o que é e o que pensa. errados estão os sambistas que o apoiaram. o nome do que eles fizeram é traição.

“this is the end” (j.morrison)…

Justiça decide, em caráter liminar, que clássicos cariocas terão torcida única

Sexta-feira, 17/02/2017 – 17:13

O juiz Guilherme Schilling, do Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos do Rio, acaba de decidir, em caráter liminar, que os clássicos regionais no Rio serão realizados com torcida única. Isto atinge Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense.

Só terão direito a entrar no estádio os torcedores do clube que tiver o mando de campo. Trata-se de uma medida para evitar brigas como a do último domingo, no entorno do Engenhão, na partida entre Flamengo e Botafogo. O pedido foi feito pelo promotor de Justiça Rodrigo Terra.

Agora, a Federação de Futebol do Estado do Rio (Ferj) terá que adequar seu regulamento para cumprir a medida judicial. Se a decisão for descumprida, a multa é de R$ 30 mil por dia, a ser paga pelos clubes, pela CBF e pela Ferj. Cabe recurso.

Fonte: Blog Ancelmo Gois – O Globo Online

voltem

EXTRA EXTRA EXTRA, boogakinks…

kinks.mojo

este é o cd tributaço ao kinks que acompanha a nova edição da revista MOJO, ainda inédita no brasa… e que tem ray davies na capa:

mojo

belezuríssima, né?

acontece, que pra situation ser ainda mais cascuda, prestenção em quem interpreta a música “no return”…

1 David Watts

by American Wrestlers
While the song is named after a concert promoter from Rutland who worked with The Kinks in 1966, David Watts sees Ray Davies reaching back to his school days and casting envious looks in the direction of a former head boy. The Jam’s muscular cover of this tune in 1978 emphasised its venomous lyrics. In contrast to this, acclaimed St Louis-based indie-rockers American Wrestlers deliver a version packed with yearning.

2 Death Of A Clown

By Wreckless Eric
The Kinks touring schedule was always arduous, while perceived mismanagement led to Ray’s guitar-playing brother Dave casting himself in the role of a circus entertainer. The pathos of Dave’s original is underlined by the irrepressible Wreckless Eric – himself a national treasure – whose acerbic rendition begins with canned laughter possibly culled from a ’70s quiz show. What follows is a sneering reading of a track that Dave issued as a solo single prior to the album’s release.

3 Two Sisters

By Les Limiñanas Feat Anton Newcombe
It is not hard to decode the story of Sylvilla and Percilla, two sisters with contrasting responsibilities. The first is single and fancy-free, the second is married with responsibilities. Substitute Dave and Ray Davies’s names into the narrative of sibling jealousy and you arrive at the track’s original inspiration. The song’s kitchen-sink angst is evident on this wildly psychedelic interpretation by French duo, Les Limiñanas, who enlist The Brian Jonestown Massacre’s Anton Newcombe to crank up the tension.

4 No Return

By Boogarins
A sophisticated songwriter from the very start of The Kinks’ career, Ray Davies drew on bossa nova for inspiration for this tune. In a bid to return the track to its roots, MOJO asked Brazilian psychedelic outfit Boogarins – named after a popular flower grown in their homeland – to try their hand at this number. The result is a fantastically woozy cover, with a seductive, hypnotic ebb and flow.

5 Harry Rag

By Modern Studies
If No Return embraces the exotic, then the nicotine-stained Harry Rag is Ray Davies drawing on something closer to home, namely vaudeville and music hall influences which he encountered first-hand thanks to his father. Modern Studies amplify the original track’s sense of nostalgia, as they translate it into a remarkable baroque, neo-folk piece that is rich in texture and detail. Like Ray himself, the Glasgow-via-Yorkshire four-piece appear to hear an olde world.

6 Tin Soldier Man

By Declan McKenna
Having just turned 18, Hertfordshire-born songwriter Declan McKenna is an old head on young shoulders. With a clutch of EPs and singles to his name, he is working on his debut album with producer James Ford and interrupted his day job to contribute this rousing version of Tin Soldier Man. It proves that clearly great things beckon for an artist who, less than two years ago, decided to forego his A-levels in favour of a career in music.

7 Situation Vacant

By Chuck Prophet
Along with Waterloo Sunset’s more famous couple – Terry and Julie – the protagonists of this tune, Suzy and Johnny, were vessels for Ray Davies’ shattered romantic idealism. Here, Johnny’s attempt to please his mother-in-law and his “little mama” simply lead to unemployment. Fellow storyteller Chuck Prophet, formerly of US Americana pioneers Green On Red, keeps the original’s bleakness intact on this spirited cover, resplendent with its mid-‘70s-Kinks-style guitar solo.

8 Love Me Till The Sun Shines

By Grumbling Fur
Another tune written by Dave Davies, Love Me Till The Sun Shines again appears to inhabit the vacuum at the heart of pop stardom, disillusionment rippling throughout the lyrics. Surfing between the realms of psychedelia, electronic music and avant-pop, the British duo of Alexander Tucker and Daniel O’Sullivan give the original’s barely submerged ennui an ‘80s-style makeover. Imagine Godley and Creme doing Davies and Davies.

9 Lazy Old Sun

By Jacco Gardner
Twenty-eight year-old Dutch musical adventurer, Jacco Gardner has released two albums of sun-dappled psychedelia, making him the ideal candidate to tackle this Mellotron-soaked, raga-inspired tune. While there can be no escape from the heaviness of the lyrics – “When I am dead and gone/Your light will shine eternally,” writes Ray – Gardner creates a swirling musical backdrop where Sgt. Pepper vibes abound.

10 Afternoon Tea

By Max Jury
A very British ritual is employed by Ray Davies to revisit a place where nostalgia cloaks a sense of loss, in this case abandonment by a girl named Donna. In many respects, this makes Afternoon Tea the archetypal Ray ‘love’ song, and its all-pervading sense of quotidian failure is given an edge of jaunty sophistication by acclaimed Des Moines singer-songwriter Max Jury.

11 Funny Face

By Mick Harvey
While Kinks mythology has it that Dave enjoyed the freedoms that came with stardom where Ray did not, the younger Davies’ contributions to Something Else tell a different story. Here, too, the guitarist can’t hide his yearning for an old flame, encasing his emotions in a medical allegory. Former Bad Seed and esteemed solo artist Mick Harvey allows the lyricism of this bittersweet tune to ring out fully.

12 End Of The Season

By Nada Surf
Bird song introduces the original version of what is ostensibly another of Ray’s love songs. And yet, the lampooning, semi-crooned vocal soon turns to usher in what is in fact a political commentary. Its musical warmth, however, is maintained on this burnished version by much-loved New York alternative types Nada Surf (themselves celebrating 25 years of active service). Here, frontman Matthew Caws delivers a vocal performance that adds to the wistful quality of the original.

13 Waterloo Sunset

By Ty Segall
Having covered The Kinks’ 1965 classic Till The End Of The Day with his heavy garage-rock combo Fuzz, back in 2014, Ty Segall is entrusted with the band’s best-loved composition. The ever-prolific, 29-year-old Californian brings his Bolan-inspired vocals to bear on Ray Davies’ observational masterpiece and delivers a version of the song that remains faithful but which also boasts a decided impish charm.

PQParille… o cd ainda tem uma faixa-extra com gaz coombes deitando os cabelos em “this time tomorrow”… ela mesma, covered pelo little joy e que abre a masterpiece “viagem a darjeeling” (cine shogun JAH).

agora, pra botar a tampa nessas conspirações que chegam lááááá de cima, você reparou na foto que ilustrou o booga no post deles na KEXP, ali embaixo, bem antes d’eu saber dessa edição da MOJO?

óia a beca do dinho…

booga.tico

HAHAHAHAHAHAHAHAHA… D+

cláudio forévis (por marco e tom)…

claudio

Eu compro CDs. Compro vinis também, mas compro muito mais CDs. Quando menciono o fato em qualquer conversa, não há quem consiga disfarçar a surpresa. É uma frase que desperta a curiosidade alheia. As reações variam de “Mas por quê?” a “Nossa, mas por quê…?”, passando por “Eu hein, por quê?”. Pagar por música nos dias hodiernos é um conceito meio alienígena à maioria das pessoas. Sobre o compact disc, em tempos de playlists, torrents e streamings, a fidelidade a um formato fonográfico dado como morto e enterrado causa estranheza ainda maior. (Eu mesmo, já em 2002, escrevia sobre a “morte do CD”.) Ninguém tem mais CD player, nem no computador. Ninguém mais quer CDs, nem de graça.

Ninguém, não; eu os quero. E sigo comprando-os, principalmente usados, mas de vez em quando novos também. Por sua praticidade, pelo fato de eu ser um cara apegado ao formato físico e sobretudo pela relação custo/benefício. Por que dar R$ 80 num LP se o CD custa R$ 20, ou às vezes menos?

Para achar CDs novos por R$ 20, ou às vezes menos, eu vou à loja Escuta Som, no Centro do Rio. Fica (ou ficava — o futuro agora é incerto, como vocês verão) na Rua do Rosário, quase esquina com Primeiro de Março, pertinho de onde tinha um (lindo) prédio antigo com uma agência do Bradesco que foi demolido para virar um terreno baldio. Nenhuma ida ao Centro é completa sem uma passadinha na Escuta Som. O espaço é pequeno e fica menor ainda com os balcões apinhados de CDs, organizados hoje da seguinte forma: na parede à esquerda de quem entra, artistas internacionais; no balcaozão no meio, de um lado, mais discos internacionais; do outro, nacionais. Na parede à direita, CDs brasileiros. Tudo a R$ 10. Coisas recentes, algumas até lacradas, misturadas a usados e, eventualmente, uma ou outra raridade. No último cantinho à direita, algumas ofertas especiais: lançamentos recentes em CD, DVD e blu-ray, discos que na Cultura ou na Fnac não saem por menos de R$ 35 ou R$ 40 oferecidos a R$ 18, R$ 20, R$ 25. Transbordados para a calçada, outros dois balcões oferecem mais pilhas de CDs, esses a R$ 5 cada. Aí a tranqueira impera, mas se você tiver tempo disponível, sempre dá pra pegar alguma coisa. Na minha última visita, por cinquinho eu descolei essa pequena pérola. Importado, hein!

O dono da loja era o Cláudio. Eu conheci o Cláudio quando minha coleção de CDs, que hoje me causa sérios transtornos por falta de espaço, cabia toda numa única e pequena prateleirinha. Pelos idos de 1994, eu vivia duro, tinha acabado de comprar meu primeiro CD player (um discman genérico vagabundíssimo) e tentava catar todo e qualquer trocado para atravessar a Baía de Guanabara e ir à loja do Cláudio. Era a época em que eu brincava de ser DJ em uma boate em Niterói, botando som toda quinta-feira; o nome da festa era Quinta dos Infernos. Chegava em casa na madruga e acordava cedo, contava os trocados arrecadados na noite anterior e partia para o Cláudio. Havia até uma aura de clandestinidade nessas excursões. Pois a loja ainda não era a Escuta Som, era apenas uma portinha no terceiro andar de um prédio de escritórios na Buenos Aires (a uma esquina da Rua do Rosário). O porteiro olhava desconfiado e perguntava: “Vai lá no Cláudio, né?”, enquanto verificava meu RG. Claro. O dia bom de ir era a sexta-feira, quando, segundo o próprio Cláudio, “chegavam as novidades”. Era quando, milagrosamente, os CDs que na Grammophone ou nas Americanas custavam R$ 18, R$ 21 eram vendidos a R$ 5 (importados a R$ 10). Como? Além de alguns esquemas meio nebulosos com as gravadoras, Cláudio ainda revendia CDs de segunda mão… e era um dos principais revendedores dos discos “promocionais” recebidos pelos jornalistas cariocas.

Passaram-se as décadas. De lá pra cá, o CD, que estava no auge naqueles distantes anos 1990, veio levando lambadas que o feriram de morte: pirataria física, Napster, iPod, Spotify. Até o vinil levantou da tumba para pisar no irmão mais novo. Suas vendas não param de cair e entre 2000 e 2015, o número de unidades comercializadas encolheu quase 75%. E eu com isso? Eu continuei indo ao Cláudio. Acompanhei-o em suas andanças (acho que antes da Escuta Som ele chegou a abrir uma outra loja, ali pelas redondezas) e sempre fazia uma visitinha. Seus concorrentes sumiram. Quer dizer, ainda existe um ou outro sebo no Centro, mas nunca chegaram a ser concorrência ao Cláudio, nem em preço, nem em acervo. Com o tempo, passei não apenas a comprar, mas também levava umas coisinhas pra vender e trocar.

Em pleno ano 2017, quem visita a Escuta Som tem motivos para duvidar desses papo de “o fim do CD”. A loja está sempre lotada. Tem a freguesia habitual, malucos como eu, que frequentam a loja pra ver as novidades e jogar conversa fora. A maioria é de cinquentões e quarentões, mas de vez em quando aparece uma molecada. E tem gente que, pasmem, ainda entra em loja de disco cantarolando uma música e pergunta ao vendedor quem é o artista que a interpreta, e se ele tem o disco pra vender.

Quer dizer, quem visitava. Hoje, uma segunda-feira, 13 de fevereiro, fiquei sabendo que o Cláudio morreu no fim de semana. Teve uma trombose, parecia ter se recuperado, mas piorou de repente e se foi. Eu estive na Escuta Som menos de duas semanas antes, bati um papo rápido com ele, e levei o Shabba e mais umas tranqueiras. Parei para olhar minhas estantes de CDs e nem consegui dimensionar exatamente quantos títulos foram comprados na mão do Cláudio. Centenas, decerto. É quando você percebe que o cara, a quem na verdade você não conhecia — só via ali, nas visitas ocasionais — faz, sim, parte importante da sua vida, por ter lhe proporcionado o acesso a outras partes importantes da sua vida. O azulzinho do Weezer eu comprei lá (e depois dei pra uma garota e tive que comprar outro). O Grand Prix do Teenage Fanclub, eu comprei lá. Muita MPB. Uma leva boa de discos do Sinatra da fase Capitol. Muitos discos de black music (aliás, o estilo favorito do Cláudio). Uma caixa com todos os álbuns do Madness (e que custou, adivinhem, R$ 10). Montes de trilhas sonoras. A edição de 45º aniversário do The Velvet Underground and Nico. Paixões mais recentes, como Kendrick Lamar e Tame Impala.

Pois é, falam tanto do fim do CD, há tantos anos, e o CD não acabava nunca porque o Cláudio não deixava. Agora, já não sei mais.

Marco Antonio Barbosa

  • Orgulhosamente escrevendo coisas que ninguém lê, desde 1996. Conheça também Borealis, meu projeto musical: borealis1.bandcamp.com.

    (daqui)

    +

    HOUVE UM TEMPO, EM QUE NÓS (AMANTES DA MUSICA, COLECIONADORES DE DISCOS E DURANGOS), FAZIAMOS A RONDA DAS LOJAS DE DISCOS DA CIDADE, EM BUSCA DAQUELE VINIL (E DEPOIS, CD), MAIS BARATO, IMPORTADO OU PROMO DE GRAVADORA. A MAIORIA DESTAS LOJAS, FICAVA NO CENTRO. MEUS PRIMEIROS VINIS, P EX (TODOS CARIMBADOS), COMPREI NA DUARTE DISCOS, QUE FICAVA NA 20 DE ABRIL, NOS ARREDORES DA PRAÇA DA REPUBLICA. DE LÁ, COMEÇAVA  UMA ROTA QUE INCLUIA LOJAS NA URUGUAIANA, SETE DE SETEMBRO E ARREDORES DA PÇA TIRADENTES. E, SABIAMOS OS DIAS EM QUE CHEGAVA MATERIAL NOVO.

    MAS, TEVE UMA, QUE DESCOBRI TARDIAMENTE, JA NOS 90S (LEVADO POR MAURICIO VALLADARES, NUM DIA DE GARIMPAGEM). MAS QUE FOI A UNICA (E ULTIMA) QUE CONTINUEI FREQUENTANDO NO CENTRÃO DESDE ENTÃO. NAO APENAS PELA BOA SELEÇÃO, COMO TBM PELA SIMPATIA DE SEU DONO, O CLAUDJÃO. É (ERA?) A ESCUTASOM, NA RUA DO ROSÁRIO, QUASE CHEGANDO NA PRIMEIRO DE MARÇO. LEMBRO PERFEITAMENTE DO QUE COMPREI NESTE DIA: UM COMPACTO SIMPLES INGLES DA BANDA THE BEAT. ESTAVA NO SUBSOLO, ONDE FICAVAM OS IMPORTS. COM O TEMPO (E AS ENCHENTES, QUE ROLAM NESTA PARTE DA CIDADE), O SUBSOLO VIROU DEPOSITO, JA QUE CLAUDJÃO NUNCA TEVE TEMPO E $ PARA DAR UMA REFORMADA. ELE PLANEJAVA BOTAR SÓ VINIS LÁ EMBAIXO.

    NOS ULTIMOS 10 ANOS (E, COM MAIS FREQUENCIA, NOS ULTIMOS CINCO), PELO MENOS, ERA DE LEI PASSAR NA ESCUTASOM, EM QQ IDA A CIDADE. O LUGAR ERA UM OASIS: CLAUDJÃO (QUE ESTAVA SEMPRE COM UM SORRISO E UMA BOA HISTORIA NA BOCA), SERVIA UM BOM CAFÉ (FEITO NAQUELAS MAQUINAS DE BOTEQUIM ANTIGO, DE AÇO), ÁGUA GELADA (TINHA UM FRIGOBAR, EU FAZIA REFIL DO MEU CANTIL). E SEMPRE ME RECEBIA COM UM ‘E AI, DJ?’. E COMPRAVA QUASE QUALQUER COISA QUE VC LEVASSE PRA ELE, SEJA CD, VINIL, DVD, BLU-RAY. ULTIMAMENTE, SÓ RECUSAVA DANCE/LOUNGE, QUE TAVA ENCALHANDO, PQ ESTAVA SAINDO MAIS JAZZ, ROCK E MPB. E PAGAVA BEM. COM AS VISITAS E CONVERSAS, SOUBE QUE ELE ERA UM REMANESCENTE DOS BONS TEMPOS DAS GRAVADORAS. ERA O CARA QUE IA ‘TRABALHAR’ O DISCO NAS RADIOS. ENTAO, ELE CONHECIA QUASE TODO MUNDO DESTE CIRCUITO. E, SABIA QUE, SUA LOJA ESTAVA COM OS DIAS CONTADOS. ‘A MIDIA FISICA VAI ACABAR’, DIZIA.

    CONTUDO, EM MEIO AQUELAS RUAS DO CENTRO ANTIGO, CHEIAS DE LOJAS FECHADAS E COM PLACAS DE ALUGO OU PASSO O PONTO (ATÉ MESMO UMA CASAS PEDRO, A DOIS QUARTEIROES DELE, SÓ DUROU TRES MESES ABERTA!), A LOJA DO CLAUDJÃO ESTAVA SEMPRE CHEIA. EM DIA DE RECEBIMENTO DE MATERIAL NOVO, NAO DAVA NEM PRA ENTRAR. MEU MAIOR ARREMATE LÁ, FOI QNDO ELE RECEBEU QUILOS DE SINGLES DE VINIL DOS ANOS 70 E 80, DE ALGUEM QUE TRABALHOU EM RÁDIO. ENCHI UMA MOCHILA COM MAIS DE 50 (!) E O CLAUDJÃO ME DEIXOU LEVAR POR 20 MARIOLAS, JA Q EU ERA FREGUES HABITUAL. EM LOJAS DO RAMO, UM SÓ DISQUINHO, DOS QUAIS ARREMATEI, CUSTARIA DEZ PRATAS, NO MINIMO.

    NEM ME LEMBRO DO QUE DE MAIS RARO COMPREI COM ELE. SÓ SEI QUE, TODOS OS MEUS CDS COMPRADOS NO BRASIL NA ULTIMA DECADA, FORAM LÁ (COM RARAS EXCEÇÕES, ALGUNS SÃO DA TRACKS, MAS SÓ IMPORTS SOB ENCOMENDA). TBM TENHO VARIOS DVDS DE CLASSICOS COM EXTRAS. O ULTIMO DELES, ‘MEU ODIO SERÁ TUA HERANÇA’ (THE WILD BUNCH, DO PECKINPAH), ELE ME DEU DE PRESENTE. TENHO O BLU-RAY GRINGO. MAS O DVD TEM EXTRAS INEXISTENTES NESTE. ELE SABIA QUE EU DARIA VALOR AQUELE FILME, QUE POUCOS DARIAM. DONO DE LOJA BACANA, É ASSIM. CONHECE O FREGUES. E SEMPRE TEM A HORA CERTA DE DAR AQUELE BRINDE PRA VC. E DO QUAL VC JAMAIS VAI ESQUECER DA CORTESIA.

    É POR ISSO QUE, SOLTO UMA LÁGRIMA POR CLAUDJÃO, DONO DA ULTIMA LOJA DE DISCOS QUE VALIA A PENA NO CENTRO DO RIO DE JANEIRO. R.I.P.

    *ESTIVE LÁ HA DUAS SEMANAS. AGORA, SEMPRE QUE PASSAR POR ALI (SE PASSAR) VOU LEMBRAR DELE, SENTADO NUMA CADEIRA DE PRAIA, JOGANDO CONVERSA FORA COM OS MALUCOS DO CENTRO DA CIDADE *JAMAIS TIREI UMA FOTO COM ELE =(

    TOM LEÃO (daqui)

  • a cara à tapa…

    nilton

    Torcedor do Botafogo morre e outros oito ficam feridos após ataque no Nilton Santos

    o que aconteceu, ontem, no engenhão foi mais uma dessas situações que são os cornos do brasil… a cara da filhadaputagem, da incompetência, da ganância, da estupidez, da covardia, do cagaço… enfim, a cara de nosso país.

    PQParille, todo mundo sabia que ia dar merda. todo mundo sabia que não haveria policiamento suficiente para conter neguinho que vai a estádio apenas para se engalfinhar. o dirigente do botafogo alertou que a partida deveria ser cancelada caso não tivesse a devida garantia… o presidente do flamengo disse que, apesar da insegurança reinante, o jogo deveria ser mantido já que o comandante do GEPE deu condições para tal… só que o próprio comandante do GEPE não conseguiu chegar ao engenhão… porra, VTNC!

    prestenção, AQUI, na sequência dessas declarações no segundo vídeo da matéria.

    e aí, bandeira de mello, dormiu tranquilão com a vitória do mengão?

    claro que sim… afinal, amanhã ninguém lembra de mais nada… a não ser a família do diego (28 anos).

    mengo

    voltem