Por um acaso você já ouviu o disco ‘The Race for Space’ de um duo chamado Public Service Broadcasting? Trata-se de um álbum instrumental mesclado a áudios da corrida espacial USAxURSS lançado em 2015.
O ‘A Voz da Rússia’ deu cinco estrelas! Ou seja, a maior das recomendações.
O link que lhe envio contém a íntegra da produção ilustrada com imagens do lado de lá de nossa atmosfera.
Queria pedir licença para mandar sugestões “de chamar a polícia” para o #190.
A primeira: como a Polícia muitas vezes é chamada pra acabar com a bagunça… Paulo Bagunça & A Tropa Maldita
A segunda: o modo randomico do meu player do carro selecionou o #3 hoje, baixado do site da operadora de telefonia falida. Foi a primeira vez em que foi ouvida a voz de Leo ShoguN (ele disse ‘”sei”, respondendo a uma pergunta sua). Voce tambem mencionou no papo com Marcelo “Caipirinha” de Miranda e que música de Natal poderia ser tocada em marco e musica de Carnaval não precisava ser tocada no Carnaval.
Então, caberia “Kojak”, do Nelson Gonçalves? Até pra homenagear a acão contra os terriveis frangos-bomba que ameaçavam nossa Olim-piada?
E aquela vinheta de um capetinha que dizia “boa noite galeeeraaa. O prograaaama comecoooou”?
Um beijo respeitoso,
Pê-Agá
P.S.: (Kojak pra casa do caralho esse Ministro da Justiça “Kojak” e essa merda de governo, que acha que todo mundo é otário)
roberto, de campinas, pirou com a sequência do crass que colocamos no #189 e enviou pra gente as informações abaixo sobre penny rimbaud (poeta, filósofo, ativista social, baterista do crass, símbolo da resistência)…
– Não tenho qualquer tipo de lealdade ao punk como forma de música. Nunca tive. O punk como eu conhecia tinha um propósito político. O que é classificado como música “punk” hoje em dia é algo absolutamente vazio e covarde. Eu realmente acredito que se não fosse pelo Crass e o movimento que cresceu dele, o punk só seria lembrado como uma velha senhora fazendo a pantomima do rock and roll; as mesmas velhas atitudes vestidas com uma fantasia diferente. Os Pistols com certeza não fizeram nada mais radical do que o Elvis Presley, a única diferença é que o Elvis lidava melhor com as drogas do que eles. O Crass queria mudar o mundo e, em certos aspectos, mudamos, mas não chegamos nem perto do que tínhamos nos proposto. Queríamos minar as instituições do Estado e tudo que elas representavam. Fomos muito longe para fazer isso. A ostentação rock and roll de ter uma banda era simplesmente a plataforma que usávamos. O que fizemos como ativistas foi muito mais importante para nós do que a música. Estávamos sempre procurando um jeito de ir além de ser apenas uma banda. Em nossa história, tivemos negócios e desentendimentos com todo tipo de gente: o Baader Meinhoff, a KGB, a CIA, o IRA, M16, Margaret Thatcher. É só dizer um nome, todos eles tentaram. Quando você compara isso a tocar num palco, você vê aonde a gente estava. Acho que nosso interesse em tocar era secundário. O punk nas mãos do mundo do entretenimento é uma farsa absolutamente sem sentido. Isso não significa nada.
Claro, o rock pode ser divertido, você pode ter uma noite legal, mas o que isso tem a ver com o punk? Todas essas bandas punks reformadas e grandes gravadoras gostam de pensar que são punks, o que é OK para dar umas risadas, mas não faz sentido imaginar que isso tem alguma coisa a ver com o que o punk realmente significa. O punk era um modo de vida, não uma modinha pop. Se você tem uma banda, você vai ter que se comprometer até certo grau com sua imagem pública, e a única maneira de fazer isso é manter uma frente pessoal. No final, descobrimos que era impossível manter essa frente, o que é uma das razões para termos parado em 1984. Bem orwelliano. As letras, músicas e a imagem do Crass estavam envolvidas com a política global, mas, no final das contas, acho que o efeito que tivemos nas pessoas foi mais na política pessoal delas. O punk costumava ser um grito contra a desigualdade e a injustiça, mas acabou incorporado ao mainstream. Detesto as pessoas que permitem que essa incorporação aconteça. Isso me deixa puto. De novo, de novo e de novo, você ouve a juventude expressando sua voz. De novo, de novo e de novo, você vê essa voz destruída por drogas, autoindulgência, idiotice e gente vendida. É triste. Mas, além de tudo isso, você tem que seguir acreditando nas possibilidades, acreditando que as pessoas querem algo melhor da vida, vendo algo além da feiura, vulgaridade, crueldade e exploração; algo que tenha um significado, que tenha uma conexão. Mas toda vez que parece haver uma possibilidade de isso acontecer, ela é esmagada. Foi assim com o The Clash. Todo mundo ficou empolgado porque finalmente tinha alguém falando de política e dizendo coisas como “I’m bored with the USA” e daí, no mês seguinte, o que eles estavam fazendo? Eles estavam cheirando cocaína e fazendo shows enormes nos Estados Unidos: valeu, caras.
As pessoas são sempre decepcionadas por seus heróis, mas acho que isso é culpa delas. Elas não deviam ter heróis, mas essa é a sociedade em que vivemos: grandes heróis, pessoas pequenas. Claro, reconheço que tem gente que nos vê como heróis, mas essas pessoas perderam nossa mensagem central: “Não há autoridade além de você mesmo”. No entanto, sei pelas cartas que continuamos recebendo do mundo todo, que muitas pessoas são motivadas profundamente e do jeito certo, não por meio de seus bolsos, mas de suas almas. Isso porque não estávamos dizendo: “Venham, comprem nosso maldito disco”, não, estávamos tentando fazer com que as pessoas percebessem que a vida delas era importante, que era a única que elas tinham e que elas deveriam vivê-la do jeito delas, seja lá qual fosse. Oferecíamos informação, e acredito que boa parte dessa informação era real e correta. Quando digo correta quero dizer que isso apresentava algo de valor, algo a que as pessoas pudessem se apegar e dizer, “É, talvez eu possa fazer algo da minha vida”. A coisa que queríamos ajudar as pessoas a entenderem era um senso de autonomia e autenticidade da alma humana individual. Assim como a alma é constantemente exigida na mídia, para ser minada com drogas, por dentro e por fora; mas no final, isso é a única coisa que realmente temos. Como personalidade, somos apenas uma série de declarações escolhidas em nossa jornada pela vida, e, infelizmente, isso se torna o que achamos que somos. Mas por baixo de tudo isso, temos algo com que nascemos, algo com que morremos, algo que existe além do tempo, que é nossa alma interna profunda. Acho que estou falando de um tipo de imortalidade. Para mim, o propósito da vida é se conectar com essa alma, porque quando nos juntamos a ela, nós nos tornamos parte do contínuo da vida.
Se existimos como entidades separadas, como personalidades individuais, não há realidade na vida, nem continuidade além disso. Há uma conexão entre todo mundo, e todos nós respiramos, comemos, dormimos e temos uma alma que permite que façamos isso. É tudo muito óbvio e natural. Esse é um ponto de partida, e era isso que estávamos (bom, pelo menos eu estava) tentando promover por meio do Crass. Sim, as letras do Crass tinham muito a ver com “a bomba” ou “o Estado”, mas o que nossa música estava dizendo era “veja além de tudo isso, onde você se encontra?”. Se você pode fazer isso, se você pode encontrar sua alma, você se conecta com toda a humanidade, com toda a vida. Todos nós nos existimos numa realidade de mentiras e traições cotidianas, e ninguém nunca vai conseguir achar um sentido nisso. É por isso que precisamos nos abrir para a ternura, o silêncio, a contemplação. Precisamos encontrar nossa própria alma dentro dessa bagunça. Deixamos que nos tornassem produtos, peões do mercado. A única maneira de sair disso é perceber que nossa personalidade, a própria coisa que achamos que somos, não é nada além de uma fantasia de ideias. Todos gostamos de pensar que somos alguém especial, então, dizemos as palavras certas, vestimos a coisa certa; mas tudo isso é apenas projeção, tudo irrelevante. Mas fora isso, acredito que as pessoas querem se conectar. No fundo, elas estão cansadas de ser apenas uma ideia de si mesmas. É por isso que as pessoas procuram por mais, é por isso que elas fazem sexo, por isso que usam drogas, por isso cometem excessos. Elas provavelmente não vão encontrar a resposta dessa maneira, mas todas querem se conectar. As pessoas querem saber se estão vivas, mas vamos encarar a verdade, numa sociedade de consumo, isso não é trabalho fácil.
Ouvindo o Ronca #189, você faz uma boa pergunta para a lenda Shogun: se algum país na história tinha sediado a Copa e, logo depois, os Jogos Olímpicos.
Aí aquele meu lado jornalístico e curioso dos tempos de Coleção de Camisas falou mais alto e fui atrás desta informação…
EUA é o único país que sediou uma Copa e, dois anos depois, uma Olimpíada:
Copa do Mundo de 1994
Jogos Olímpicos em Atlanta, 1996
O Brasil agora fica de mãos dadas com os americanos…
O contrário (sediar Olimpíada e, dois anos depois, Copa) vale? Se valer, dois países já o fizeram:
México
Jogos Olímpicos na Cidade do México, 1968
Copa do Mundo de 1970
Alemanha
Jogos Olímpicos em Munique, 1972
Copa do Mundo de 1974
Com base nestas informações, tenho certeza de que o Shogun fará diversas análises geopolíticas no #190…
Acabei de dar o play aqui no #189 e já levando madeirada na cara com o Paulo Simão me deparei com os senhores citando uma série de tv americana. Neste ponto não pude deixar de lembrar da recém estreada Stranger Things, da Netflix, já que estou absolutamente entregue a este primor de tvshow.
Estreou no último fds e talvez até vocês comentem durante o programa, mas não aguentei, tive que vir fazer a linha tiete. Enfim, A parada é uma mistura exata de stephen King, Goonies e Twin Peaks, mas não é disso que todo mundo está falando e sim de sua trilha sonora. Oh rapaz, que coisa bela. Parece que revisitaram de forma acertadíssima todos os clichês dos anos 80.
A série se passa em 1983, em Indiana, e conta a história de quatro crianças típicas da época, jogadoras de RPG, e quando se deparam com o desaparecimento misterioso de um deles, suas vidas e a de todos os moradores da pacata cidade se transformam num verdadeiro conto Noir, digno de Lovecraft. Tudo isso regado com uma música original de tirar o pica pau do oco contando ainda com Peter Gabriel, Clash e Joy Division (pra Shogun nenhum botar defeito).
Assunto: #189 ou essa é a velocidade do meu cérebro agora
“Puta a merda, Mauricio, tais espionando a vida dos outros?!
Acordei hj com uma preguiça master e com “Maisie” na cabeça e pensei na conexão dessa música com meu estado mental no momento e justamente me veio a frase: essa. é. a. velocidade. do. meu. cérebro. agora.
Um dos dois (ou os dois) no jumboteko ou no tico, tem que ter.
Grande abraço!”
Edu
(curitiba)
+
Assunto: Vienna Calling
“Mauricio,
vai aqui uma atualização dos últimos acontecimentos por terras europeias.
Começo escrevendo que no último domingo, uma semana atrás eu estava na Praça do Comércio em Lisboa e vi tudo de perto, e o principal, na rua. A história passa tão rápido que parece que foi um ano atrás, pois, hoje em dia os acontecimentos freneticamente atropelam as histórias do dia a dia, e o atentado em Nice na França e agora o problema na Turquia comeram as informações sobre a Eurocopa. Informação hoje é como copo descartável, vale somente um bebida e pode jogar fora! Estranho demais!
Mas foi lindo no último domingo poder pegar o metrô e ver toda a mistura de pessoas do mundo todo confraternizando, e com rostos pintados, bandeiras e camisas mostrando a felicidade de ser Português (um amigo fotógrafo de Portugal um dia me disse, “somos a parte pobre da União Européia”. Negros, brancos, velhos, adolescentes, bebês… Todos na rua e sem confusão e com poucos polícias! Dois fatos mexeram com minha cabeça no dia, uma menina na faixa de vintes anos, ouviu do rádio o jogo com fone de ouvido e assistiu no telão junto a multidão, e claro com o detalhe da mão característica na orelha para ouvir melhor, me remeteu muito os senhorezinhos nos estádios brasileiros.E no final do jogo, quando todos estavam pulando e comemorando, um grande “Vira” Português saiu das caixas de som e foi tocado bem alto para todos dançarem na rua. Cena linda, típica, festeira, histórica e original. E eu pude ver isso!
Fui a Portugal por razões profissionais, onde fui falar na Biblioteca de Braga sobre a “A Fotografia no Universo Musical” e como combinado com antecedência, eu não tinha percebido que neste período eu estaria andando pelo País. Presenciei um dos grandes momentos que o futebol pode “ainda” valer.
Abraço”
Luiz
+
“E aí, Mauricio! Tudo em riba?
Segue grata surpresa que tive neste sábado: Nathaniel Rateliff.
A gravação é de 2015. É provável que você já o conheça, pois o cara tem alguns anos de carreira. Na dúvida, segue assim mesmo.
O conheci no documentário ‘Austin to Boston’ – disponível na Netflix -, que acompanha, além do já citado, os artistas Ben Howard, The Staves e Bear’s Den em turnê realizada Estados Unidos adentro. Nathaniel é o único americano, os demais são britânicos.
Bom final de semana pra ti.
Abração.”
Allan
+
Assunto: David Gilmour @ Pompeii 2016 em imagens
“Governador Valladares,
em pleno 2016, apesar de tudo, o fotojornalismo musical ainda sobrevive e respira por aparelhos. Surpreenda-se com a riqueza do relato do “The Guardian” e mergulhe na parte funda da piscina da passagem de Sir David Gilmour pela Pompeia, 45 anos depois.
“Buenas, Mau Val…na paz?
Se for possível, manda uma da Shilpinha que minha filhota curtiu e até foi “cantando” junto no carro na nossa viagem mais recente.
Aliás, bem que ela podia pintar aqui no Brasa… Vou mentalizar! Abç pra ti e Shogun.
Segue foto da primeira trilha da Mila fora do colo”
falamos no #188 do adesivo da star discos coladão no compacto do noriel vilela… lembra, né?
pois bem, o rodrigo – em modo “descubra” total – correu atrás da informação sobre o estabelecimento e garimpou o blog do jornalista emilio pacheco com o espetacular raioX sobre as antigas lojas na capital gaúcha:
“Boa tarde Mauricio e Shogun! Sou Victor Toledo, roNqueiro diretamente de Atibaia (interior de SP) que admira muito o trabalho de vocês!
Quero falar aqui que o seu programa é algo esplendoroso, suigeneres e louvável para os universitários de corações nervosos que pegam estrada todo dia como eu !!
Posso fazer uma sugestão?
Queria uma análise do inoxidável Shogun sobre o filme Cadillac Records (Darnel Martin) e ouvir um Burt Bacharach no seu programa!
OBS.: muito obrigado pela aula de JAZZ e Blues que você, Shogun e ED MOTTA fizeram no #182, foi fenomenástico!!!
Só pra ilustrar o que a Maria Helena comentou ontem sobre a entrada dos jogadores em campo, estou enviando o vídeo acima que ilustra como era a festa de ver os nossos ídolos entrarem em campo. Era uma farra pra criançada. Até a pouco tempo se fazia isso aqui no Independência (em BH)porém, ouvi falar que o excesso de crianças atrapalhavam ou atrasavam o início do jogo e já que há um contrato com a TV, os horários tem que ser respeitados.
Sobre a outra dúvida dela, o jogador toma o último golo dágua, pois sabe que vai demorar a poder beber após entrar em campo. Palavra de um peladeiro de fim de semana.
Detalhe, o vídeo registra a final do brasileiro de 77 contra o são paulo em que o galo perdeu nos penaltis.