Todos os posts de mauval

lucas, on the road, em itambé do mato deNtro…

Assunto: a coNexão com a tripa

“Fala MauVal! Como vão as coisas por aí?

Estava eu voltando para casa – conexão BH/Itambé do Mato Dentro – na sexta pela manhã, já munido do meu PodCast favorito, seguindo todo o protocolo e altamente focado (essa estrada não é brincadeira não, conhecida como rodovia da morte…) quando ouço lá pelo minuto 38 você solicitar ao nosso querido Nandão um abraço coletivo para as cidades de São Gonçalo do Rio Abaixo, Caéte, João Monlevade e Barão de Cocais. Tive que fazer uma parada e tirar a foto que envio juntamente com esse pombo. Olha como a coNexão com a tripa é forte… D+ queria pedir uma extensão do abraço coletivo para Itabira (do nosso famoso ouvinte José Luis) e para Itambé do Mato Dentro, onde me encontro fixando residência nesse momento.
Abraços pra vocês!”

Lucas

luiz & jamil…

Assunto: Jamil roncando..

“Estive recentemente com Jamil Joanes amigo de longa data, desde o primeiro Rock in Rio de 85, quando assistimos Entre outros, Al Jarreau e George Benson etc. (nos encontramos em um aniversário de outro amigo em comum), e comentei com ele que o chapéu que eu estava usando, é de um programa oriundo do rádio e que resiste com a tecnologia para alegria geral da nação. Falei com ele que vc também toca contrabaixo e algumas vezes faz elogios a ele, e propus uma foto com o boné que resiste ao tempo.
Gostou de saber e disse que por muitos anos tocava de ouvido, só foi estudar música , quando precisou ler partituras para algumas gravações.
Abraços”

Luiz

 

rogério daflon…

Crônica de segunda

A pauta atropelou o repórter urbanista

por Joaquim Ferreira dos Santos

O repórter Rogério Daflon, formado em urbanismo, escreveria com mais propriedade sobre a violência da cidade, mas na semana passada, aos 55 anos, ele foi atropelado por essa violência urbana carioca e não pode mais contar o que está na cara – ficou difícil andar por aqui.

Rogério foi atropelado por uma motocicleta enlouquecida na Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras, e tenho certeza que como repórter ele não desprezaria o fato de ter sido jogado ao chão em frente ao palácio Guanabara. É o bunker sombrio de onde reina um falso machão com faixa de louco ao peito e fuzil de mira telescópica procurando um alvo qualquer. Daflon sabia das coisas. Nada é pura coincidência.

Como urbanista interessado na poesia de tornar a cidade mais amável, de fazer com que o progresso seja bem-vindo e dialogue com a tradição, Rogério Daflon percebia em seus textos que o caos está indo longe demais. Nunca foi tão fácil morrer à toa. Há uma evidente autorização do governador de nome esquisito, que assistiu do palácio a morte de Daflon sem uma nota de pesar, para que a ignorância e a perda das referências culturais se alastrem como uma hera maldita. Semana passada, no mesmo dia da morte de Daflon, WW desligou 25 inibidores de velocidade.

O Rio de Janeiro já teve Garotinho, Benedita, Rosinha, administradores sem noção de seus afazeres. Dessa vez a violência da bandidagem tradicional junta-se a uma geração de políticos interessados em matar a cidade que eles não compreendem e, por isso mesmo, odeiam. Há o que tenta acabar com o carnaval, o outro que persegue culto afro-religioso e o outro ainda que, diante da impressionante multidão de mendigos jogados nas calçadas, orgulha-se de que não passam fome, não são esqueléticos como os de outros países. Euclides da Cunha dizia ser o nordestino antes de tudo um forte. Agora, o forte é o mendigo.

O repórter urbanista, especializado na apuração de assuntos da cidade, morreu atropelado pela pauta do trânsito descontrolado, uma avenida sem lei onde os guardas responsáveis estão entretidos no celular e vale aos motoristas a velocidade que eles estabelecerem como válida, todos autorizados pelo senso comum dos desatinos a não pararem no sinal vermelho porque, no Rio, todos sabem, esse troço de sinal vermelho é mais um truque baixo da bandidagem para assaltar quem obedece – e carioca ixperto não cai nessa.

Há vilões urbanos se revezando por todos os lados, crateras monumentais nas calçadas, lixo caindo das caçambas, uma tensão constante, o horror, o horror. As reportagens de Daflon miravam tais vilanias urbanas. No verão foi a patinete na calçada. Agora chegou a vez dos entregadores de iFood e suas bicicletas kamikazes tornarem o horário de almoço um novo espetáculo de insanidade. Não dá mais para andar distraído, esse requisito fundamental que uma cidade civilizada precisa oferecer a seus moradores. E foi assim, em meio ao estresse das ruas, que a fúria do trânsito atropelou sem prestar socorro o repórter urbanista cujo traço mais evidente de perfil era a leveza e os bons modos.

Rogério Daflon passou a vida cumprindo pautas. Buscava respostas para o drama urbano carioca. Foi mais uma vítima dele.

DAQUI

o relógio marca…

muitos dos que circulam aqui pelo poleiro já ouviram a célebre marca radiofônica que era proferida por waldir amaral em suas transmissões futebolísticas:

– o rrrrelógio marca

e o maracanã estremecia com o sinal da rádio globo seguido da voz de waldir informando o tempo da partida.

o lance é que, ontem, na pastelaria, cruzei com o mitológico carlos alberto (amigo de adelzon alves, nelson cavaquinho, astrud gilberto, vinicius de moraes…) que chegou na minha lata e mandou:

– lembra quando o waldir amaral dizia “o relógio marca” nas transmissões?

eu: claro

ele: pois bem, olha o relógio aqui…

eu: hein?

ele: esse é o relógio que o waldir carregou no pulso durante muitos anos e que originou a célebre frase

eu: mas como você tem esse tesouro?

ele: comprei quando ele estava numa maré muito ruim de grana e desde então guardo com o maior carinho, respeito e saudade do waldir

caipirinha,purple mountains,ubu,montanhas russas…

Assunto: +3

“Salve, Simpatia!

My dear, não paro de ouvir outra e outra vez o disco do Purple Mountains, e a cada audição gosto mais. Já chegou aí?

Na verdade, deveria dizer que *quase* que não paro de escutar o Purple Mountains, porque de vez em quando paro pra escutar o Silver Jews.

Explico: o sujeito que “é” o Purple Mountains, um cidadão chamado David Berman, não apareceu agora. Ele era totalmente desconhecido pra mim, mas durante uns quinze anos, começando nos anos 90, esteve na ativa. Com o Silver Jews, que até agora era (pra mim) igualmente desconhecido. Bobeira total da minha parte, porque além do Silver Jews parecer sensacional, o DB é contemporâneo meu, nascemos no mesmo ano. Digo que o SJ só “parece” sensacional porque até agora só ouvi um dos 5 ou 6 discos deles, o único que já chegou às minhas mãos. Os outros foram encomendados, e estão a caminho. Segundo o zum-zum-zum, são todos excelentes.

E além disso, dizem por aí que o DB é poeta de mão muito cheia, a la L Cohen. Tentei ir atrás dos livros deles também, mas esses são raros e consequentemente caros. Como já tinha investido uma grana nos discos dos Silver Jews, resolvi dar uma segurada.

Anyway… quando abri o email, a idéia não era escrever nada disso. Era te informar que o envelope com a parte 2 dos pacote de verão (inglês) saiu daqui hoje, com Fontaines DC, black midi e mais um. Esse mais +1 eu ainda não ouvi (por conta do Purple Mountains), mas também chegou às minhas mãos depois de um zum-zum-zum apreciativo. É de uma banda muito querida sua, mas vem com notícia ruim: diz o zum-zum-zum que a trajetória dessa banda vai se encerrar com esse disco, e com nuvens negras em volta.

Isso aí, hoje, pico a mula pra Transilvânia, mas dessa vez não vai ter horas de retas e retas não, vou de avião e volto logo – na terça com o Tom, e vamos direto do aeroporto pra Alton Towers, pra passarmos um par de dias subindo e descendo montanhas russas.

Beleza? Um brinde aí a essa gente que ilumina nossas vidas, contemporâneos ou não.

Cheers,”
Marcelo “Caipirinha”