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karla mandou pra gente…

“ela chegou e partiu num carnaval.
completou 30 anos há poucas semanas. completou também um mestrado na bauhaus e uma estadia em berlim. ciclo encerrado, ela disse. voltou pro verão carioca, pro calor dos amigos e pros beijos do companheiro tão amado. ‘bom tê-la de volta’, comemoramos.
estava radiante, esbanjando ainda mais felicidade e amor, sentimentos que articulava com habilidade impressionante.
nos encontramos, pele com pele, pela última vez num bloco de carnaval. porque tinha que ser assim. a última linda e poderosa imagem que guardo é daquela índia, com pintura de urucum realçando os olhos negros, entoando fora temer entre as marchinhas do prata preta. era ela, pura e ela. forte, combativa, festiva, destemida, companheira, realizadora… e o sorriso de arrebentar qualquer um de paixão.
ficam a saudade e o mistério de uma condição que ela, pela pressa que tinha de viver, no fundo, parecia saber: nossa estadia é um sopro”…
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liana.beijos

a bula do #221…

liana+patti.sol

christina – “quantas lágrimas”

patti smith – “banga”

johnny winter – “bad luck and trouble”

patti smith – “april fool”

john martyn – “the sky is crying”

patti smith – “amerigo”

jim james – “state of the art”

milton nascimento – “testamento”

não alimente os animais – “king kong”

public image limited – “this is religion 2”

kode 9 – “magnetic city”

larry coryell – “the great escape”

código ternário – “código ternário”

tinariwen – “tiwàyyen”

orlando silva – “chora cavaquinho”

silvio santos – “índio quer dançar”

siba – “marcha macia”

patti smith – “maria”

patti.banga

jo ann kelly – “louisiana blues”

patti smith – “after the gold rush”

little joy – “shoulder to shoulder” (ao vivo no roNca, em 3fev2009)

patti smith – “nine”

sun ra – “where pathways meet”

tinariwen – “arhegh and annágh”

paulo moura – “bicho papão”

francisco alves – “foi ela”

patti smith – “this is the girl”

“This is the Girl

For whom all tears fall
This is the Girl
Who was having a ball
Just a dark smear masking the eyes
Spirited away hurrying inside
This is the Girl
That crossed the bind
This is the song about smothering vine
Twisted as laurels to crown her head
Raised as a reef upon her bed
This is the Girl
This the blind that turned in wine
This is the wine of the house it is said
This is the Girl who Yearned to be heard
So Much for cradling a smoldering bird
This is the GirlThis is the Girl
For whom all tears fall
This is the Girl
Who was having a ball
This is the Girl
For whom all tears have ahead
This is the Wine of the House it is said

This the blind that turned in wine
This is the wine of the house it is said
This is the Girl who Yearned to be heard
So Much for cradling a smoldering bird

This is the Girl”

(Patti Smith)

liana2
free_radio
weapon_tico

o #221, hoje, às 22h…

liana.olhos

2017 pegando pesado. igualzinho ao ano passado… arrancando o coração pela boca. sufocando. esmigalhando os sentimentos. enchendo baldes e baldes de tristeza.

liana morava em berlim mas voltou, definitivamente, ao brasa no sábado de carnaval… pro carnaval e pra fazer uma nova vida na cidade de são sebastião… tão distante de brasília, o berço, a existência quase toda.

“olhos negros” (assim um poeta a batizou) circulava muito aqui pelo tico, pelo jumboteKo… fissurada em música, arte, design. apaixonadaça por momo, the king… tanto, mas tanto, que pousou no planeta em pleno reinado dele, há três décadas exatas… e nos abandonou justo numa segunda feira gorda dele.

–  chegará o dia em que vou ouvir o “banga”, em vinil, com você… na sua casa.

pois chegou… e na nossa casa, hoje!

L.O.V.E

kriva…

ferrare
Governador Valladares, quer dizer que deu merda com a chave da cidade, hein? Estou na periferia de Islamabad, Paquí (stão), onde rola um carnaval pirata. Como você não sabe, quem faz carnaval por aqui é condenado a degola por vadiagem explícita, 27 minutos após o flagrante, com direito a uma pena alternativa. Em vez de ter a cabeça transformada em bola de headball, o carnavalesco pode optar em ficar 72 horas internado num caixote de madeira sem luz, assistindo a TV Record no volume máximo exibindo os melhores momentos dos sermões de crivella com c de cu de mineiro que, como se sabe, é cu mau caráter. Shogun sabe do que estou falando pois é dele a pergunta secular que fez a uma mineira de Governador Valadares com um L (de leopardo) só: “amor, você cag…u no p…u?”.  Mas ele não tem coragem de transformar a pergunta em vinheta. Quanto aos carnavalescos, 99,999% dos condenados optam pela degola.
Nosso carnaval pirata é feito em silêncio, num deserto. Para evitar relinchos que possam atrair a polícia, antes de sair arrancamos as gargantas de nossos cavalos com abridores de lata, compramos umas 20, 25 mulheres virgens (recatadas e do lar, como aquele tesão do vídeo pirata que vale 5 reais e que faz o velho babar) e partimos pro desert trip. Lá chegando, colocamos nossas fantasias (esse ano a minha é de um mix Neide Aparecida de peruca Lady com gerente da KKK no Alabama, sweet home de filho de puta). Com as jebas pra fora, noite de breu filho da puta, começamos a girar como pombos correios bêbados e depois saltamos sobre as mulheres, amarradas em cactus de oito bocas, vulgo peiotes.
Dizem que foi num ritual desses que acidentalmente a senhora bisavó do alcaide carioca teria sido inseminada. Na confusão do gira gira silencioso no deserto, na hora do salto, um cavalo chamado Kriva (FOTO) resolveu pular sobre uma mulher, copulou-a e inseminou-a. Como manda a tradição no final do carnaval (2 horas e 27 minutos antes do nascer do sol), as mulheres são assadas e devoradas pelos carnavalescos. Mas a mulher que Kriva currou conseguiu fugir e dedurou todo mundo a dois faraós que faziam meia atrás de um pé de couve nas imediações.
Todos os carnavalescos foram degolados e como prêmio a mulher podia escolher para onde ir. Como era carnaval ela apontou e cantou “alá, alá, alá, meu bom alá”, o carrasco entendeu que era o caminho do Rio e jogou a dama num navio remado por escravos gays que partiu do porto de Enrababad. Nove meses depois, o navio aportou na então Praça 15, a mulher saiu, olhou para o Rio e gritou “Que porra é essa?”. E pariu o “Krivo dela”, grife que com o tempo foi se modificando. Em seguida a dama tomou duas decisões: mijou na rua e fundou a igreja universal.
É por essas e por outras que nesse carnaval de 2017 a chave da cidade foi enterrada no sul do Rio pela bola de sebo, entendeu Gov.? Foi por isso.
No mais, tudo bem? E no pandeirinho da vizinha não vai nada? Ummagumma Ferrare – arredores de Islamabad, Desert Trip, RJ, UK.