Arquivo da categoria: imprensa

saueia mandou pra gente (ou as listas de melhores pipocando)…

melhores discos de 2022 pela UNCUT

75 DRUGDEALER Hiding In Plain Sight
74 CHRIS FORSYTH Evolution Here We Come
73 AOIFE NESSA FRANCES Protector
72 ŠIROM The Liquefied Throne Of Simplicity
71 ANGELINE MORRISON The Sorrow Songs (Folk Songs Of The Black British Experience)
70 TOMMY McLAIN I Ran Down Every Dream
69 JACK WHITE Entering Heaven Alive
68 KATHRYN JOSEPH For You Who Are Wronged
67 JAKE BLOUNT The New Faith
66 THE UNTHANKS Sorrows Away
65 BEACH HOUSE Once Twice Melody
64 GHOST POWER Ghost Power
63 ROBYN HITCHOCK Shufflemania!
62 JENNY HVAL Classic Objects
61 YARD ACT The Overload
60 SARAH DAVACHI Two Sisters
59 THE BLACK KEYS Dropout Boogie
58 PYE CORNER AUDIO Let’s Emerge!
57 OREN AMBARCHI / JOHAN BERTHLING / ANDREAS WERLIIN Ghosted
56 FATHER JOHN MISTY Chloë And The Next 20th Century
55 AMANDA SHIRES Take It Like A Man
54 SUEDE Autofiction
53 BEYONCÉ Renaissance
52 TIM BERNARDES Mil Coisas Invisíveis
51 JAKE XERXES FUSSELL Good And Green Again
50 DRIVE- BY TRUCKERS Welcome 2 Club
49 BILL CALLAHAN Reality
48 CARSON McHONE Still Life
47 RICH RUTH I Survived, It’s Over
46 BJÖRK Fossora
45 ALDOUS HARDING Warm Chris
44 MAKAYA McCRAVEN In These Times
43 REVELATORS SOUND SYSTEM Revelators
42 JANA HORN Optimism
41 ROLLING BLACKOUTS COASTAL FEVER Endless Rooms
40 TY SEGALL “Hello, Hi”
39 VIEUX FARKA TOURÉ ET KHRUANGBIN Ali
38 COURTNEY MARIE ANDREWS Loose Future
37 BITCHIN BAJAS Bajascillators
36 SG GOODMAN Teeth Marks
35 PANDA BEAR & SONIC BOOM Reset
34 DANIEL ROSSEN You Belong There
33 SUDAN ARCHIVES Natural Brown Prom Queen
32 HORACE ANDY Midnight Rocker
31 KEVIN MORBY This Is A Photograph
30 SPIRITUALIZED Everything Was Beautiful
29 JULIA JACKLIN Pre Pleasure
28 THE COMET IS COMING Hyper-Dimensional Expansion Beam
27 BLACK COUNTRY, NEW ROAD Ants From Up There
26 JOCKSTRAP I Love You Jennifer B
25 CASS McCOMBS Heartmind
24 DRY CLEANING Stumpwork
23 ARCTIC MONKEYS The Car
22 HURRAY FOR THE RIFF RAFF Life On Earth
21 BLACK MIDI Hellfire
20 KURT VILE (Watch My Moves)
19 SHARON VAN ETTEN We’ve Been Going About This All Wrong
18 GWENNO Tresor
17 FONTAINES DC Skinty Fia
16 RICHARD DAWSON The Ruby Cord
15 LAMBCHOP The Bible
14 BETH ORTON Weather Alive
13 CATE LE BON Pompeii
12 THE WEATHER STATION How Is It That I Should Look…
11 THE DELINES The Sea Drift
10 ELVIS COSTELLO & THE IMPOSTERS The Boy Named If
09 BRIAN ENO ForeverAndEverNoMore
08 KENDRICK LAMAR Mr Morale & The Big Steppers
07 WET LEG Wet Leg
06 WILCO Cruel Country
05 BIG THIEF Dragon New Warm Mountain I Believe in You
04 ANGEL OLSEN Big Time
03 MICHAEL HEAD & THE RED ELASTIC BAND Dear Scott
02 JOAN SHELLEY The Spur
01 THE SMILE A Light For Attracting

tá osso, nik turner e keith levene subindo together! mamãe…

When the Sex Pistols disbanded in January 1978, singer John Lydon (previously known as Johnny Rotten) and Levene formed the new band with bass player John Wardle (known as Jah Wobble). “John made a wise choice getting Keith,” Wobble said in 2012.

Their first album, Public Image: First Issue, reached No 22 in 1978 and was preceded by the classic single Public Image, which reached the Top 10. Their second album, 1979’s Metal Box, is regarded as a post-punk classic. With various drummers, the lineup took inventive new forms of post-punk, dub, freeform jazz and classical music into the Top 20.

Levene said in 2012: “People thought I was classically trained, which was bollocks. I knew the E chord, and ventured into E minor. We laid the music out on a plate for Lydon. He was very hip at the time and did really good work.” He played synthesiser on 1981’s The Flowers Of Romance, which was his last released work with PiL, but he played with Wobble again in subsequent years.

In 2021, the website the Quietus described him as “one of the architects of the post-punk sound, his guitar style occupying a space between angular abrasion and pop opulence”.

Levene enjoyed building guitars and had been working on a book about PiL with writer Adam Hammond. His partner, Kate Ransford, who, with his sister, Jill Bennett, and her husband were with him in his final hours, said he had died “peacefully, settled, cosy and loved”. The family have asked for privacy.

The death is the second high profile loss to rock music to have been announced in 24 hours. A spokesperson revealed on Friday that Nik Turner, the co-founder of the British space-rock band Hawkwind, had died at 82.

Announcing the death of the Oxford-born multi-instrumentalist, a statement released on social media said that “the Mighty Thunder Rider” had “passed away peacefully at home,” adding: “He has moved onto the next phase of his cosmic journey, guided by the love of his family, friends, and fans.”

When Turner was 13, his family moved to Margate, Kent, the town where he was first exposed to rock music. After a period in the merchant navy, he travelled and worked around Europe, studying the saxophone in his early 20s.

In Berlin, he was introduced to free jazz and, became convinced that self-expression in music was more important than technique. “I decided that what I wanted to do was play free jazz in a rock band. What I was trying to do in Hawkwind, basically,” he told Mojo magazine in 1999. (THE GUARDIAN…AQUI)

domingo no parque…

Uma noite transcendental com os Rolling Stones no Hyde Park

O segundo concerto dos Rolling Stones no Hyde Park, realizado ontem, num domingo de verão alternando céu azul de sol forte e nuvens ameaçadoras, dentro da atual turnê SIXTY, a primeira na Europa sem Charlie Watts, teve um clima de celebração e afirmação.

A 203ª apresentação da banda na cidade onde se formou e se estabeleceu sublinhou com caneta vermelha o vigor da banda, sua capacidade de recuperação dos mais severos golpes, e sua vontade de seguir adiante até onde for possível – sendo que o “até onde for possível” dos Stones está num nível acima de qualquer outro artista em atividade, como demonstrado ontem, por um setlist salpicado de surpresas e rearranjos (ou exclusão sumária) de clássicos que comparecem a todo show.

E funcionou, em muitos aspectos, como uma festa entre familiares e amigos, com esposas, filhos e netos compartilhando a noite – com o caçula de Mick, Devereaux, vestido de Homem-Aranha, correndo pelo gramado na frente da barreira que separava a multidão de 60 mil pessoas do palco, dando tapinhas nas mãos de quem na plateia estendesse o braço para ele se divertir, seguido de perto pela mãe, a bailarina Melanie Hamrick, e a babá asiática. Ou com a filha mais velha de Mick, Karis, sentada num banquinho no mesmo espaço, ao lado de Chris, seu tio, incomodado a todo instante para um selfie com alguém do público. Enquanto isso, o super jovem Chuck “Chucky” Klapow, coreógrafo de Jagger, permanecia atento aos passos de seu pupilo em ação, registrando alguns pontos-chave em seu celular.

Charlie Watts esteve presente, saudado com um vídeo que precede o show – onde aparece tocando, nas diversas fases de sua carreira – e com falas de Mick e coros de “Charlie! Charlie! Charlie!” ecoando plateia adentro.

E Mick e Keith temperaram sua relação eternamente agridoce com momentos de alegria e espontaneidade genuínas, sorrindo, brincando, se cumprimentando, se surpreendendo – mais de uma vez Keith adiantou uma introdução ou um encerramento, pegando Jagger no susto e exigindo ação imediata do frontman para não desandar a música. A produção é de maior espetáculo da terra, a posição deles é no topo da realeza rock, mas ao vivo os Stones sempre surpreendem ao público e a si mesmos, com tropeços acidentais e freios de arrumação de uma banda de garagem entusiasmada o bastante para não se ater a algumas filigranas.

Para a plateia a primeira surpresa do show ocorreu logo de saída, quando, em vez de “Street Fighting Man”– que tem dado o chute inicial dos shows dessa turnê – , os Stones abriram com uma versão furiosa, jubilante e elétrica de “Get Off My Cloud”, antes de engatar uma terceira e elevar a voltagem ainda mais com uma “19th Nervous Breakdown” ultra-pop e cintilante.

“Tumbling Dice” vem logo em seguida, antes da recém-desencavada “Out Of Time” – cantada a plenos pulmões por um público deleitado, que Mick regia como se estivesse num auditório de TV de um programa de auditório, tamanha é sua capacidade de comandar a plateia (do tamanho que for, talvez quanto maior, melhor) com um misto de autoridade e sedução.

Depois de uma “Angie” protocolar e uma “You Can’t Always Get What You Want” participativa, como semopre, a segunda surpresa – “Like A Rolling Stone”– é precedida de uma introdução que atualizava a brincadeira feita por Mick com uma música que Bob Dylan – “vencedor do prêmio Nobel de Literatura”, ele faz questão de frisar – teria feito para Jagger e o grupo. E “You Got Me Rocking” fecha uma meia hora inicial que pode ser descrita como transcendental.

O que veio depois confirmou as expectativas do repertório-padrão da turnê, mas os primeiros 30 minutos de show no domingo entram para o rarefeito Olimpo onde moram as melhores apresentações dos Rolling Stones em seus 60 anos de carreira.

A combinação de Steve Jordan, na bateria, com Daryl Jones, no baixo, embora sempre atenta à dinâmica da cozinha anterior, comandada por Charlie Watts,  hoje oferece a Mick, Keith e Ronnie uma base diferente, mais pesada, mais funky e menos suingada, respeitando convenções musicais de décadas ma injetando toques e energia próprios, elevando o nível do pique dos shows.

Isso se revela mais claramente em “Miss You”– hoje parece outra música, arranjada para o século 21 – e “Jumpin’ Jack Flash”, desacelerada e mais … sutil, digamos assim.

A última surpresa da noite ocorreu não de maneira sonora, mas visual, quando se percebe, de repente, que Keith Richards passou a noite inteira tocando sem seu anel-assinatura, de caveira. Uma ausência extremamente curiosa e significativa, mas que, por ora, fica sem explicação.

O encerramento triunfal – naturalmente, com “Satisfaction”– coroou duas horas de um show com um sabor e um significado muito especiais (em Londres, caramba!) que, com a forte possibilidade de uma nova volta a cidade ser remota, embora não impossível, teve também um sabor de agradecimento e (pelo menos o início de uma) despedida para um público que hoje reflete um mix geracional vbariadíssimo: estão ali desde o jovem casal carregando um bebê no colo a senhoras que podem estar vestindo camisetas com a famosa língua criada pelo designer John Pasche, mas que parecem com aquela sua tia-avó encarangada, já perto dos 80 anos. De “marinheiros de primeira viagem” querendo uma chance (talvez a última?) de ver ao vivo e em ação um ícone do rock aos “usual suspects” que dedicam a vida a acompanhar todos os shows dos Stones, onde quer que eles toquem, custe o que custar. Dos fãs de primeira hora, que encontram ali uma oportunidade de lembrar quem são, a pais e mães carregando filhos e netos para mostrar a eles qual é a de sua banda favorita.

E para todos eles os Stones mantêm seu apelo e sua capacidade de atração, porque desafiam ao tempo e a percalços que descarrilhariam seres menos resilientes. São a história viva do rock e do pop, ainda sendo escrita, com um capítulo final afastado ano após ano, contra tudo e todas as previsões.  São os criadores e os mestres de um idioma musical que, na verdade, pode acabar depois que a banda cessar de existir. Por isso, deixar de ver os Stones no palco – seu habitat natural, mais que o estúdio, porque são performers, são entertainers – não é uma opção. E, por isso, o mundo vai onde estiverem.

Ainda mais se for em Londres.

José Emilio Rondeau

(DAQUI)