brasil il il il il…

Mãos sujas

Nelson Motta (o globo)

O assunto pode ser árido e técnico, mas é oleoso e viscoso. Quem consegue entender como a Refinaria de Pasadena custou US$ 1,2 bilhão, não vale nem a metade, mas processa cem mil barris por dia, enquanto a Refinaria Abreu e Lima vai custar US$ 18,5 bilhões para processar cem mil barris no início e 240 mil quando estiver a pleno vapor?

Que crises econômicas internacionais, que conjunturas de mercado, que estratégias de negócios, que prioridades regionais e nacionais, que espessuras e viscosidades dos óleos, que certezas na impunidade e na estupidez alheia produzem as explicações oficiais para os prejuízos que, por incompetência da gestão, os acionistas da Petrobras tiveram nos últimos quatro anos?

Embora ex-presidente José Sergio Gabrielli diga que “o assunto é requentado”, o óleo está fervendo para ele e seus companheiros de aventuras, há um cheiro de queimado no ar, os poços de burocracia da empresa estão cheios de mistérios que começam a jorrar, Pasadena e Abreu e Lima são apenas dois focos de incêndio, estamos descobrindo que o petróleo não é nosso, é deles.

Enquanto isso, o PT tenta convencer o público que o clamor pelas investigações sobre as refinarias é uma campanha contra… a Petrobras. E responde às acusações não negando, mas ameaçando investigar roubalheiras que podem atingir o PSDB em São Paulo. Se desistir da CPI da Petrobras a oposição pode continuar roubando à vontade? Quem ainda aguenta isso?

Mas o mal já está feito. Na era do aparelhamento político, funcionários de carreira das estatais logo perceberam que aderir ao partido era a melhor forma de crescer na empresa, através de indicações “técnicas”, mas na verdade partidárias, com todas as suas distorções e consequências. Áreas sensíveis e importantes foram entregues em barganhas políticas a corruptos profissionais e a incompetentes que eventualmente dão mais prejuízo do que os ladrões.

A palma da mão manchada de óleo preto que os governantes adoram mostrar para os fotógrafos quando visitam alguma plataforma de petróleo se transformou em um ícone da sujeira e da lambança.

lolla…

é bom esclarecer – mais uma vez – que quase tudo em nossas vidinhas está baseado em gosto pessoal…

e essa é a grande causa dos conflitos entre humanos… TODOS!

afinal, poucos são os que aturam/respeitam/convivem com opiniões diferentes das próprias.

– porra, tu é um mané mermo, hein? como pode gostar dessa merda de sertanejo?

– caraca, maluco! que idiota você é se empapuçando de rabada?

– mas que perda tempo torcer pela porcaria do grêmio, hein?

– sua casa não tem espelho não? que namorado horroroso você arrumou, amiga!

– como você pode ter coragem de sair com uma camisa dessas?

– és uma besta em frequentar aquele culto de mentirosos!

well, well, well… o desfile de desafinações é infindável!

toda essa xaropada para dizer que a única banda que eu realmente gostaria de conferir no lollapalooza que começa amanhã, em são paulo, é o apanhador só… principalmente pelo fato de nunca ter visto a tchurma gaúcha!

situação bem diferente do terra, ano passado, com the roots + beck + blur… onde marquei presença.

claro que seria bom ver/rever outras atrações… mas não nas condições de um festival.

todos os nossos conterrâneos podem ser presenciados em outras situações.

eu não colocaria em risco a passagem do café tacvba, ano passado, pelo circo… 10, nota 10!

e dos quatro “grandes” internacionais, nenhum me levaria para são paulo… onde o cu$to benefício seria bem negativo pro meu bolso.

muse é uma das mais desnecessárias bandas sobre a face da terra!

nine inch nails não mais me faz ir até a esquina!

soundgarden igualmente!

e o arcade fire…

parece que virou – definitivamente – o grupo que mais rende homenagens ao cassino do chacrinha de tanta papagaiada no palco!

e olha que, em 2005 quando estavam trabalhando o primeiro – e ótimo – disco, já detectei essa tendência no show do tim festival.

achei tudo bem forçação de barra… muita coreografia, troca de instrumentos, caras & bocas… desnecessários!

mas como a música era boa, nota 7!

o tempo rodou, o arcade fire seguiu fazendo discos acima da média do mercado…

até desembocar no mais recente, “reflektor”, produzido por james murphy (LCD).

ouvi algumas faixas na web… e desanimei.

pra mim, o lado mais sedutor do arcade fire é – ou era – a sonoridade mais acústica, menos processada, mais simples…

e de tudo que passou pelos meus ouvidos, do novo disco, nada se aproximou desse lado da moeda.

pra piorar, quem já viu garante que os shows atuais fazem o programa do velho guerreiro parecer uma missa de sétimo dia.

portanto, tentarei acompanhar o lolla pela TV… desde que não reprisem, no mesmo horário, algum programa do abelardo!

#69 (silva-beck-999-police-elis)…

cardápio clássico desse #69, hein?

toneladinhas de novidades + toneladinhas de velharias + língua afiada + momento batatada + curiosidades!

pra confirmar, segura “janeliNha & bula”…

elis regina – “como nossos pais”

beck – “heart is a drum”

beck – “don’t let it go”

the police – “reggatta de blanc”

via sat – “complexo de cachorro”

the police – “bring on the night”

the police – “message in a bottle”

juçara marçal – “damião”

hot tuna – “candy man”

the magnetic fields – “meaningless”

the magnetic fields – “queen of the savages”

merry clayton – “forget it i got it”

aretha franklin – “eleanor rigby” (ao vivo)

silvia machete – “ringard”

kid creole & the coconuts – “the lifeboat party”

johnny otis – “big time scoop”

cabezas flutuantes – “radim de pilha”

silva – “vista pro mar”

serge gainsbourg – “mickey maosse”

999 – “quite disapointing” (ao vivo)

the only ones – “creatures of doom” (ao vivo)

XTC – “science friction” (ao vivo)

dire straits – “eastbound train” (ao vivo)

the magnetic field – “all my little words”

 

o #69, hoje, às 21h…

na oi fm web!

pode preparar o K7, tirar a teia de aranha do teto e passar a cueca/calcinha!

claro, tudo isso no caso de você ser um seguidor(a) do mestre skylab!

afinal, não faltará motivo para deitar na cama… e fitar o teto ao som do roNca com:

beck (o novo e monumental disco “morning phase”), cabezas flutuantes (lembra do seu radinho de pilha?),

shogun com a língua solta (causos + causos), via sat (recife… oh, sodade!), silva (o novo), silvia (o novo),

the police (muitas, PQParille), the magnetic fields (canções de amor, algumas das 69),

+ quatro gravadas ao vivo neste pub aqui, em 1977…