


otto na casa dele (joatinga / rio) em maio1980, no mesmo deck das três dando o tibum na piscina acima.
esta foto foi o “negativos & positivos (48)”!



otto na casa dele (joatinga / rio) em maio1980, no mesmo deck das três dando o tibum na piscina acima.
esta foto foi o “negativos & positivos (48)”!
tequilinha, meu chapa, pode ter certeza que você será lembrado forévis…

tequila / rio de janeiro / julho1994
fechado: THE WHO no festival do medina, em 2017
ALELUIA, finalmente… e como já era esperado!

cheers

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Governador Valladares, que merda, hein? Digo, como vai, vai bem? Escrevo aos corvos que repartem minhas grossas linhas em seus voos pelo Rio de Janeura que leio aqui em Islamabad, minha terra, minha bolsa, minha vida, que um bando de piranhos de velcros envenenados resolveu censurar marchinhas de carnaval desgraças ao politicamente correto. Valladares, nosso rei, Valladares, tempestade no deserto, Gov de todos nós eu amo o Paquistão porque aqui não tem essa porra de correto em nada. Aqui, em vez da “cabeleira do Zezé” o povo canta “olha o cabeçudo do Zezé”, chutando cabeças degoladas de empoderados metidos a achar pentelho em ovo. Como bem disse um líder aqui do meu quarteirão “ninguém manda em ninguém nessa porra; aqui é Tim Maia’s Law: “só não pode dançar homem com homem, nem mulher com mulher”.O que se comenta aqui no Baixo Islamabad é que o carnaval do Rio vai pras picas em breve. Motivos: muita mulher gostosa, muito pau no lorto, muito minete, gritaria, alegria, alto astral, liberdade, bêbados, mijões, cagões, porradaria, quebra-quebra. O que os politicamente corretos querem é que em todos os blocos a macharia se fantasie de escoteiro e as mulheres de saco de alpiste, já que o bando da sapataria paquetá quer nivelar por baixo, na base “se não tem pra mim que sou canhão e baleia, não vai ter pra ninguém”. Chegaram ao cúmulo de fantasiar a ex-mulata Globeleza (mulata tá proibido) de Vovó Donalda sem exibir um mísero pentelho. Aí, o Crivella vai adorar, vai fazer seu filho – que acabou de empregar como chefe da casa civil – escrever uma lei chamada “Destrepa Tudo”. O velho Criva vai virar governador do Estado, depois presidente, sendo sucedido por hordas de bispos da igreja do tio. Assim para o furor uterino dos politicamente corretos, o Brasil vai se tornar um estado radical evangélico, pior do que o estado islâmico.Sinto vergonha vendo João Roberto Kelly quase chorando por ter tido ceifadas do reinado de Momo suas músicas como “Cabeleira do Zezé”. O bando do “velcro unido jamais será vencido”, vulgo cerol de glande, acha que “transviado” é o mesmo que viado. Nem o dicionário consultaram. Está lá. Transviado: aquele que se transviou; quem se afastou dos bons; um outsider; um Daminhão Experiença, um Milton Mete em Negro, um Pedro Blackhill.E você me imagina voltando para aí? No cu, rolinha! Prefiro o atraso assumido das escravas sexuais, poligamia, suruba, ópio e geordnt (manguaça daqui) do que essa trolha chamada censura enterrada na boca. Ummagumma Ferrare – Centauru´s Massage Inc. Corp. Islamabad, RJ, Ponto Com.

A demissão da equipe da MPB FM pegou de surpresa ouvintes e suscitou onda de lamentos nas redes sociais sobre o fim de mais uma emissora relevante no cenário musical carioca. Desde a zero hora desta quinta-feira, 1º de fevereiro, a frequência 90,3 MHz passou a replicar o sinal da vizinha BandNews Fluminense FM. As queixas sobre a perda de espaço para a cultura nacional se multiplicam, mas, para entendermos o que há por trás de mais este movimento de desinvestimento (para usar um eufemismo tão em voga no mundo da comunicação), é preciso contextualizar a encruzilhada com a qual o rádio se defronta no Rio de Janeiro e em outras capitais.
O rádio hertziano fatura cada vez menos, na esteira da profunda depressão econômica que atravessamos desde 2015. Radiofrequências são um bem escasso: desde os anos 1990, o dial carioca está totalmente loteado entre empresas (sobretudo privadas), muitas delas sem qualquer atividade além do gerenciamento de contratos de gaveta. Os “inquilinos” se sucedem a cada três ou cinco anos, sem lógica aparente, levando à eliminação de marcas estabelecidas.
A sucursal da BandNews no Rio abriu as portas em 2005, ocupando os 94,9 MHz que já tinham sido referência para a música independente, nas ondas da Fluminense FM, a Maldita. O surgimento da Band no mercado carioca levou a CBN a “matar” outra rádio tradicional, a Globo FM, bem colocada no segmento adulto contemporâneo – em poucos meses, a frequência 92,5 MHz passou a replicar o sinal da CBN AM. Em 2009, a Tupi AM fez o mesmo movimento em direção à Frequência Modulada, deslocando a Nativa, emissora de música popular dos Diários Associados, da frequência 96,5 MHz para 103,7, e com isso tirando do ar no Rio a tradicional rede Antena 1. Em resposta, a Globo AM arrendou a frequência da antiga Manchete FM, 89,5 MHz.
Com o AM em declínio (apenas um em cada dez ouvintes do rádio estão hoje nas ondas médias), houve uma corrida por posições em FM, que ficou sobrevalorizado nos últimos anos. Corre no mercado carioca que a Record, quando estava bem das pernas, ofereceu R$ 100 milhões por uma frequência bem no meio do dial carioca, pensando na formação de uma rede All News que acabou não saindo do papel. A proposta teria sido refugada pelo concessionário, que certamente tinha um horizonte de continuar faturando alto nos anos seguintes.
Só que vivemos, nos últimos anos, um ponto de inflexão. Contratos de arrendamento fechados por valores estratosféricos inviabilizaram diversos negócios e estão sendo revistos. O Sistema Globo de Rádio devolveu a posição de 89,5 MHz e tirou do ar a Beat 98, emissora própria, para abrigar a Globo AM na Frequência Modulada. Mesmo sempre disputando a liderança de audiência, a Beat virou uma programação automatizada rodando num notebook da Rua do Russell, assim como a antiga Globo FM. Já as Emissoras e Diários Associados devolveram os 103,7 para a Antena 1 e acabaram com a Nativa.
Era esperado, infelizmente, que a MPB FM, criada em 2002, seguisse o mesmo caminho, a partir do momento em que a empresária Ariane Carvalho vendeu 50% do negócio para o Grupo Bandeirantes, há cinco anos. A direção da Band não se pronunciou sobre o destino da frequência, mas o mercado já projeta a devolução dos 94,9 MHz para o Grupo O Fluminense, de Niterói. Nenhuma rádio, hoje, tem condições de fazer frente a um custo fixo anual de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões, só em arrendamento de posição no dial – sem falar nos custos com folha de pagamento, equipamentos etc.
O leitor pode estar se perguntando: mas este não é um mercado clandestino? Vender frequências não deveria ser passível de punição? Em tese, de fato, o Estado poderia reaver as concessões de radiofrequência que se tornaram moeda de troca e descumprem a legislação em termos de representação da diversidade social e cultural do país. Na prática, no entanto, não há fiscalização. Estima-se que mais da metade das emissoras comerciais em operação no país esteja com outorga vencida e nem sequer pediu renovação. Nesse contexto, empresários arrendam suas posições no dial para quem oferecer mais. O que embaralhou as cartas é que há cada vez menos interessados em pagar pequenas fortunas por um negócio de horizonte incerto – como fizeram os donos da Rádio Mania, que desalojou a ressuscitada Cidade, única rádio rock no dial carioca, em julho de 2016.
Quem perde com a situação? Todos nós, ouvintes, naturalmente, que somos privados de emissoras que cumpriam um papel cultural destacado. No caso da MPB FM, uma emissora adulta contemporânea de conteúdo 100% nacional, muitos comunicadores deixarão saudades – a voz-padrão do inigualável Fernando Mansur (40 anos de ficha corrida no rádio carioca), Valéria Marques, Daniella Lapidus –, bem como programas do naipe do Palco MPB e do Samba Social Clube. Os ouvintes, claro, se sentem desrespeitados, até pela forma como as mudanças são conduzidas. À meia-noite, uma voz gerada em São Paulo irrompeu no meio dos versos de “Quem te viu, quem te vê”, de Chico Buarque, em versão de Zeca Pagodinho – aquela canção dos lindos versos “Hoje o samba saiu procurando você / Quem te viu, quem te vê / Quem não a conhece não pode mais ver pra crer / Quem jamais a esquece não pode reconhecer”.
Rádio só funciona se criar vínculo, formar hábito, se tornar imprescindível. Com um dial em permanente mutação, ao sabor de negócios nada republicanos, vão-se os hábitos e a fidelidade de uma audiência hoje cada vez mais disputada por outros atores do entorno digital, como os serviços de streaming. Pela frieza dos números, entende-se. Pelo afeto envolvido, lamenta-se. E muito.
Marcelo Kischinhevsky. Jornalista, doutor em Comunicação e Cultura pela UFRJ e professor do Departamento de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCS/UERJ), onde coordena o AudioLab.
meu amado companheiro de todas as horas com a mocinha marrenta a bisbilhotar…

londres / abril1975

volta e meia comento no programa como é lamentável – e sofrido – eu não me fazer entender por deficiências minhas de comunicação… levando o assunto a um nível brutal de batatada… ainda mais pelo fato do programa ser ao vivo… lascou, tá dito tá eternizado. ou quase!
mas como a atenção d’aTRIPA é absolutamente cabriocárica, em certas ocasiões, dá tempo de acertar as arestas na edição seguinte do roNca.
pois bem, semana passada, no #217, logo ao início do voo, comentei que o carne doce não se parece com nada, que a banda é – simplesmente – o carne doce… em seguida, eu disse que algumas influências no CD são bem audíveis.
hahaha… que momento!
mas é por aí mesmo… tipo o grande the orb (produtor dos paralamas) que chegou pro gerente e disse: “chefe, comprei uma pasta igualzinha a sua, só que é diferente”!
anyway, anyhow, anywhere… o carne doce – na minha opinião – não se alinha com nada que esteja por aí mas dá pra sentir referências de outros colegas… afinal, como dizia joão saldanha:
– ninguém é filho de chocadeira
tudo isso por conta da mensagem inoxidável enviada, da suécia, pelo gustavão:
Assunto: #217 The Fall, influências Carne Doce
“Fala Mauricio!Depois de ter ouvido o #217 coloquei como dever de casa ouvir as bandas CAN e The Fall de quem eu nunca tinha ouvido falar. Sendo que o CAN vcs tocaram em alguma edicão recente, né? Eu gostei de algumas músicas do disco Rite Time, mas confesso que não entendi muito bem, pelo menos ainda, o som deles. Já o The Fall, putz, muito foda ! Gostei logo de cara. Muito maneiro. Inclusive tem uma música chamada Totally Wired, que foi gravada pelo The Last Shadow Puppets, projeto do Alex Turner do Arctic Monkeys, na verdade essa música saiu em um EP a versão demo agora no fim de 2016.Uma dúvida: você disse que nego te pergunta ”Ah , o Carne Doce se parece com o que?” Ai vc disse que não tem muita referência, é simplesmente o Carne Doce, mas na mesma frase vc disse que é possível perceber claramente ali várias referências, fiquei confuso. Se possível dá uma clareada nessa parada ai no #218.Valeu!Forte abraco,”Gustavo.

Qualquer um que goste de música brasileira e tenha crescido durante os anos 1970 e 1980 teve um farto cardápio de leituras sobre o tema. Seja na imprensa, seja em livros ou revistas especializadas, a ampla produção do período veio acompanhada de uma intensa escrita crítica. Jornalistas, pesquisadores, historiadores, sociólogos e outros profissionais pontuavam semanalmente lançamentos ou iluminavam períodos anteriores dessa história. Tudo isso em uma variedade de publicações para diferentes gostos ou coleções que circulavam em bancas de jornais.
Entre esses escritores, alguns nomes ganham destaque. Um deles é Tárik de Souza. Formado nas redações em época de pesquisadores obsessivos como José Ramos Tinhorão, o jovem crítico percorreu inúmeros veículos, sempre escrevendo sobre a música não só da memória — tendência corrente no final dos anos 1960 —, mas principalmente do seu tempo. Através da sua participação na coleção “História da Música Popular Brasileira”, série de fascículos editados pela Abril em diferentes momentos da década de 1970, Tárik marca seu lugar entre leitores de diferentes idades. A coleção, fundamental para a iniciação de gerações (a minha, por exemplo), era importante pela fartura de informações, imagens e textos esclarecedores. O time que trabalhou ao lado de Tárik na escrita dos fascículos (cujos nomes foram de Dalva de Oliveira e Nelson Cavaquinho até Amado Batista e Luiz Melodia) dá uma ideia do seu valor: o já citado Tinhorão, José Lino Grünewald, Rogério Duprat, Ezequiel Neves, Aracy de Almeida, Augusto de Campos, Zuza Homem de Mello e muitos outros. A lista é imensa.
O fascinante da escrita dedicada à música popular brasileira — ou à música feita no Brasil, para ampliar esse escopo — é a quantidade de temas e personagens que ainda não foram, nem de longe, aprofundados. O segmento editorial que se dedica a tais livros é substancial entre nós, mas não chega perto, por exemplo, do seu correspondente norte-americano. Apesar disso, livros sobre música brasileira costumam virar entre nós best-sellers ao longo dos tempos. O fato é que a maioria dos títulos lançados com frequência sobre o tema geralmente são dedicados ao gênero da biografia (muitos deles excelentes) ou de memórias (sejam autobiográficas, sejam registros esparsos de momentos de alguma carreira ou movimento importante).
Essa conexão entre a música e a vida é um sintoma da nossa relação com a canção popular e seus cantores históricos. Em maior grau, nos conectamos com a voz, aqueles que cantam e encarnam em um corpo a história das letras, das melodias e das harmonias que formam o bloco sonoro completo. Os ídolos são vozes que galvanizam nações e emoções. O fato é que essa perspectiva pessoal, biográfica e performática da canção — quem canta é a obra — contribui para nossa história da música colada na história de vidas e, simultaneamente, provoca apagamentos importantes ao longo de mais de um século de produção sonora no país. Por exemplo, os músicos de estúdio. Mal sabemos quem são. São centenas de anônimos cujas vidas dedicadas aos seus instrumentos os colocaram a serviço dessas vozes e dessas canções. Pessoas cujos nomes não conhecemos, mas cujos sons marcam nossos corpos e mentes.
É nessa brecha do apagamento que volto a Tárik de Souza. Seu novo livro “Sambalanço, a bossa que dança — Um mosaico” (Kuarup), ao mesmo tempo em que apresenta essas histórias ainda não contadas para além das biografias de grandes nomes ou de grandes movimentos musicais, também presta um tributo importante aos anônimos de um período fundamental da nossa invenção sonora. Estruturado como uma espécie de minienciclopédia, o trabalho é dividido por um ensaio sobre o tema, entrevistas, verbetes e discografia. Ali, Tárik colabora definitivamente para futuros interessados nesse momento histórico.
A principal contribuição do livro, portanto, vem através do registro de uma série de músicos e histórias cujos nomes não rompem jamais o circuito interno de quem viveu o dia a dia de estúdios e shows. Agora, podemos saber das invenções rítmicas do baterista Jadir de Castro, da trajetória de um percussionista como Rubens Bassini, da parceria explosiva e inventiva selada entre Elza Soares e o maestro Nelsinho (mais um dos “anônimos”, aliás, falta entre nós essa história dos maestros e orquestras de rádios e gravadoras) em discos como “Se acaso você chegasse” (Odeon 1960), da ascensão fulminante do Solovox, piano elétrico de som marcante, dentre músicos que tocavam nas boates de Copacabana, ou da existência de uma série de gravadoras obscuras como Sideral, Musidisc, Pawal ou Equipe.
Em “Sambalanço”, Tárik nos faz entender um período paralelo à bossa nova, com artistas de forte marca popular. Talvez seja por isso que seus músicos e discos tenham virado uma espécie de subterrâneo da história da MPB durante os anos 1960. E eis por que louvo aqui esse pesquisador incansável e sua proeza de registrá-la.
Fred Coelho / DAQUI

carne doce – “sombra”
robert gordon & link wray – “summertime blues”
robert gordon & link wray – “red hot”

james booker – “make a better world”
alceu valença – “saudade de pernambuco”
alceu valença – “cana caiana”

tower of power – “so much oil in the ground”
the melodians – “sweet sensation” (7″)

animal collective – “floridada”
CAN – “paperhouse”
CAN – “mushroom”

the fall – “i am damo suzuki”
the fall – “mansion”
la tromba – “calaba calabao”
mahmundi – “desaguar”
miles davis – “spanish key”
john martyn – “don’t want to know”
carne doce – “amiga”
josé mauro – “canção da casa iluminada”

