mister liNo direto de frisco…

Subject: Ecos de Frisco
“Querido Mauricio Valladares (com eco para Nandão)

Só para recap, em 2002 entrava no ar de SanFran o meu programa de rádio de música brasileira pela 90.3FM, emissora situada dentro da
Universidade Católica de San Francisco. Muito do que foi veiculado nos dez anos que a radio existiu, obviamente tinha características que me
foram absorvidas escutando o Ronca, desde sempre, e também sugestões do Mauricio como por exemplo o nome que adotei como locutor, que
segundo ele, tinha um tio que se chamava assim, Mr. Lino… E assim fomos nessa filial do Ronquinha em terras Californianas.

Há muito não nos falamos e nem escutava ao Ronca, porém graças ao Spotify, serviço que sou assinante há anos, me deparei com a possibilidade de escutar toda essa lacuna ausente. Sensacional.
Lamentei não ter conhecido Nandão em San Francisco qdo aqui esteve recentemente mas concordo com 75% de seus relatos sobre a cidade.
Nandão é cabeleira altíssima.

Bom, vou me encerrando aqui e confesso estar super ansioso de testemunhar o programa número 400, que já é um marco na história dessa
religião.

Fico por aqui, seu velho amigo de outrora, deixando um forte abraço a vocês e toda a tripa.”

Mr. Lino

a bula do #398 com D2, ed, frejat e arrudinha…

joe cocker – “feelin’ alright” (ao vivo, 1970)

auri, marechal & D2 – “vôo dos dragões” (ao vivo no roNca roNca, 28abril1999 / imprensa fm)

eddie + otto + karina buhr – “o saldo da glória”

georgia anne muldrow – “wrong way”

bezerra da silva – “vida de operário”

jimi hendrix – “blue suede shoes” (ao vivo)

arrudinha, leNda

white noise – “love without sound”

marcelo D2 – “assim que se faz”

planet hemp – “rap rock’n’roll psicodelia hardcore”

jamelão – “nervos de aço”

marcelo D2 & joão donato – “espancando o macaco”

wire – “lowdown”

george harrison – “beware of darkness” (ao vivo)

hip hop rio – “várias faixas”

eliade ochoa – “maria cristina”

marcelo D2 & marcos valle – “afropunk no valle do rap”

ed motta & frejat no roNca roNca, rádio imprensa fm, setembro2000

ouça AQUI o programa

nathalie, a irmãzinha e o grito primal…

“Olha, Mauval,
tô pra te mandar uma foto há tempos, de uma pintura da minha irmã que tava perdida aqui. Acabei achando esses dias e lembrei de te mostrar.
É o seguinte, nessa quarentena, ali pelos primeiros meses, eu ficava me desdobrando, inventando formas pra não deixar uma criança entediada, rs
E ela tinha muito “tempo livre”, visto que não estava estudando (em casa), então dividimos uns bons momentos juntas.
Apresentei um tanto de música pra ela, que tem gostado cada vez mais das guitarras… daí, ela já quis montar uma banda, outro dia gravou um vídeo “experimental” tirando um som da sua guitarrinha de plástico. Incrível!
A pequena só tem 6 anos e faz cada comentário musical, que desbanca uma galera por aí. haha eu fico besta com as coisas que ela fala.
A tripinha é o futuro, Mauricio!

E num desses dias, de passar o tempo fazendo desenhos e pinturas, eu que tava ouvindo bastante o Primal Scream, mostrei pra ela a capa do Screamadelica e a propus uma releitura… e ela fez (“o solzinho”, rs)
Segue a foto, pra alegrar esse seu dia.

beijos,”
Nathalie

nasceu hoje (ou mais uma música pra Ela)…

scarlet

Released on: 2020-07-22 Producer: Jimmy Miller Associated Performer, Drums: Bruce Rowlands Associated Performer, Piano: Ian Stewart Associated Performer, Guitar: Jimmy Page Associated Performer, Bass (vocal): Rick Grech Associated Performer, Guitar: Keith Richards Associated Performer, Acoustic Guitar, Vocals: Mick Jager Studio Personnel, Engineer: Howard Kilgour Studio Personnel, Engineer: Rod Thear Composer Lyricist: Mick Jagger Composer Lyricist: Keith Richards

judy & emitt…

dois tombos fortes, nas últimas horas, pra quem gosta do fairport convention… principalmente, do disco de estréia que começa com a música acima de autoria de emitt rhodes e tem judy dyble como vocalista (antes de sandy denny)… sad sad sad!

1968, pretty much the first incarnation of one of my favourite ‘folk-rock’ (sic) bands of all time (at this stage of their career they were known as the British Jefferson Airplane), featuring Judy Dyble (replaced the next year by Sandy Denny) and Iain Matthews (Ian Matthews)(who later scored a #1 hit with Joni Mitchell’s ‘Woodstock’ as Matthews Southern Comfort) on vocals, and the world famous singer/songwriter/guitarist Richard Thompson, as well as Tyger Hutchings, Simon Nicol and Martin Lamble, who sadly died on 12th May 1969, aged only 19, after Fairport’s van crashed on the M1 motorway. Richard Thompson’s girlfriend Jeannie Franklyn was killed too, the rest of the band escaped with minor injuries. Written by Emitt Rhodes. From the bands first album ‘Fairport Convention’ featuring Ian MacDonald (later known as Ian Matthews), Richard Thompson, Judy Dyble, Simon Nicol, Tyger (Ashley) Hutchings and Martin Lamble. Clare Lowther also featured on ‘cello.

peça original danificada…

(janeiro1979)

# A cidade submersa que o Chico cantou – ela agora é real #

Nada é pra já, mas um restaurante fecha hoje, um botequim amanhã, e vai se formando aos poucos a cidade submersa de que falava a música de Chico Buarque, aquele Rio de Janeiro em que os escafandristas do futuro mergulharão na busca dos vestígios de uma civilização naufragada. Para que tal não se assuceda, urgem cestas básicas para orfanatos, álcool gel para comunidades ou, como faço agora, boas doses do mais fervoroso paganismo carioca.

É preciso erguer os copos da solidariedade e pagar uma rodada de gim tônica na Casa Villarino, no Castelo, o barco à deriva que na semana passada mandou à cidade uma garrafa com mensagem de socorro. A Zona Sul, com seus charmes e mitos, nasceu naquela mesa ao fundo do salão. Foi onde Tom Jobim conheceu Vinicius, depois abriu a tampa do piano para receber os versos do poeta e juntos, sol, sal, sul, som suave, redesenharam a cidade sofisticada que passamos a amar.

O Rio de Janeiro já foi destruído muitas vezes, e o próprio Villarino está sobre os tesouros jesuítas do Castelo, o morro derrubado justo para evitar pandemias. Surgirão muitas encarnações ainda, como houve a das livrarias da Rua do Ouvidor e dos sambas na Festa da Penha – mas é triste quando a cidade que submerge é aquela que a gente conhece e se sente feliz.

Por isso, na esperança de que muitos façam o mesmo, eu peço, e desde já deixo gurja gorda, uma rodada de salada de batata com kassler ao Bar Luiz – e assim faço tilintar a máquina registradora, a mais linda música a se tocar neste momento no restaurante. O alemão da Rua da Carioca sobreviveu aos ataques dos estudantes antinazistas na guerra e agora balança dramático com a versão 2.0 de genocídio pelo vírus. O que era charme, a arquitetura sem janelas para impedir a rua de lhe bisbilhotar o interior, agora é maldição – e no início do mês lá se foi, também sem janelas, o Mosteiro, um cardápio fundamental para explicar a construção do espírito da cidade.

A história do Rio de Janeiro é um sublime palimpsesto onde um incêndio apaga a boate Vogue, mas logo na quadra seguinte alguém acende as luzes do Sacha’s – e, camada sobre camada, tudo se reinventa pela criatividade intrínseca ao DNA malandro-agulha da cidade. Acontecerá outras tantas vezes. Mas o que eu quero hoje é que o Rio Minho, também ameaçado, perdure na Praça XV e sua sopa Leão Veloso (estou pedindo duas) esquente muitos invernos de nossa apavorada existência. Se um dia ele tiver de ir que não seja agora, nesta mesma temporada em que o Navegador, há 45 anos ancorado no porto seguro da Rio Branco, deixou de se lançar ao mar com os doces alhos de seus cabritos.

É uma tragédia ainda não encerrada, a rapidez com que uma cidade inteira de referências históricas está se pondo submersa. Reina o medo de, finda a pandemia, com tantas perdas, o carioca sair às ruas e desconhecê-las. No passado já se chorou a demolição do Palácio Monroe, o fim da geral do Maracanã, o desmonte do Morro de Santo Antônio. Teme-se agora perder a fina baixa gastronomia da empada de camarão do Salete, de igual relevância para nos explicar. Uma cidade se faz do conjunto de seus símbolos. Não é um cardápio, é um discurso de civilização. Não é uma empada, é o Pão de Açúcar sobre a mesa. A propósito, garçom, me traz uma dúzia.

Joaquim Ferreira dos Santos

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